Dom Aquino/Morro do Tambor → Futebol de Antigamente: Duplas Famosas

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CUIABÁ/MT – O que mudou no futebol, foram somente os esquemas táticos. Campos e traves continuam do mesmo jeito desde “as eras mitológicas”. Bom, as regras mudaram em pequenas coisas. O que mudou e muito, foi a vontade de treinadores em imitar o futebol da Europa e mais ainda a covardia já que todos armam seus times não para vencerem jogos, mas sim, para não perder ou perder de pouco.

O futebol brasileiro não chegou a ser por muito tempo o melhor do mundo, por causa da força, mas sim, da inteligência e habilidade de atletas geralmente com o físico, muitas vezes, até franzino, de craques renomados como Osni [ex-Santos/SP, Vitória/BA, Flamengo/RJ e Dom Bosco] ou Juninho Paulista [São Paulo, Vasco da Gama e futebol italiano e espanhol]. Os mais fortes geralmente ocupavam a posição de Médio Volante no meio de campo, dando proteção aos zagueiros e fazendo a cobertura dos laterais, quando subiam para o ataque e outros, principalmente os de boa impulsão, mas sem muita técnica ou habilidade, viravam centroavantes [tipo, pivô de futsal], que ficavam parados no ataque só esperando uma cochilada dos zagueiros adversários. 

O Brasil alcançou a posição de melhor futebol do mundo à partir da Copa do Mundo de 1950, quando em pleno estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, perdeu na final para a Seleção do Uruguai. Mesmo com aquela derrota histórica, o Brasil era muito melhor do que o Uruguai, a superioridade do time brasileiro ficou claro para o mundo inteiro. Nesse time não havia nenhum “Mister Universo”, todos eram homens de porte físico normal, ninguém se parecia com Sansão, Maciste ou Hércules, os fortões da época. É claro que temos ciência de que o biotipo dos europeus são de pessoas bem maiores e mais fortes do que os do continente americano, mas a diferença de força física sempre era tirada com a maior agilidade e velocidade dos menos fortes. E, claro, há exceções. O atacante Gilberto Alves, o Gil, que em 1973 disputou o Campeonato Brasileiro pelo Comercial da cidade de Campo Grande, em 1976, quando já era jogador do Fluminense do Rio de Janeiro, foi titular da seleção do Brasil, campeã do Torneio do Centenário da Independência dos Estados Unidos, ganhou da imprensa brasileira, o apelido de “Búfalo” Gil, por causa de seu excelente porte físico, que permitiu que nos 90 minutos da partida final contra a seleção da Itália, não perdesse uma dividida sequer contra os jogadores europeus. Inclusive, em um dos gols que marcou, fez dois dos quatro gols do Brasil [4 a 1], deu uma “ombrada” no zagueiro italiano Fachetti, que caiu a mais de um metro de distancia. 

Os treinadores Claudio Coutinho e Sebastião Lazaroni, prestaram um grande desfavor ao futebol brasileiro, quando aceitaram ser treinadores da seleção brasileira, onde não passaram de “capachos” de presidentes da CBF, que eram quem realmente escalavam o time brasileiro. Armavam seus times nos esquemas mais covardes possíveis, apenas para não perderem ou perderem de pouco, o que infelizmente fez escolas no Brasil, especialmente, após as grandes empresas de comunicação passarem a mandar no futebol brasileiro. Quem não se lembra do vergonhoso esquema de Coutinho na Copa de 1978, quando ele botou o time em campo, com dois laterais direitos [Nelinho e Toninho Baiano], Edinho [4º zagueiro] de lateral esquerdo, com Rodrigues Neto, na época o melhor lateral esquerdo do país a Copa toda no banco de reservas e a insistência com Rivelino, o pior jogador brasileiro nessa Copa, como titular. Lazaroni, foi uma piada na Copa do Mundo de 1990.

Time do Millionarios da Colômbia, 1949 – 1953, um dos melhores da história do futebol mundial [imortaisdofutebol.com] 

Sem nenhum esforço, podemos rememorar grandes times ou seleções que encantaram o mundo com um futebol bonito e sempre para frente, no ataque. Todos os grandes times da história, ficaram famosos justamente por jogarem no ataque e marcarem muitos gols. Já na década de 1940, brilhou o time do Millionarios, da Colômbia, que fundou uma liga pirata onde jogavam os maiores craques da América do Sul. A Seleção Brasileira que mesmo perdendo a final da Copa do Mundo de 1950, era considerado a melhor seleção. O Real Madrid da Espanha, cinco vezes seguidas campeão mundial de clubes. O time do Honved, da Hungria, base da seleção vice-campeã da Copa de 1954 e a Seleção Brasileira de 1958, na minha modesta e humilde opinião, o melhor time do Brasil de toda história. Na década de 1960, o Santos Futebol Clube, de Pelé e Coutinho, bicampeão mundial de clubes, o Botafogo de Jairzinho e Paulo Cesar “Caju” e a seleção do Brasil, campeã da Copa do Mundo de 1962. Na década de 1970, o Palmeiras bicampeão brasileiro em 1972/1973, o Internacional tricampeão brasileiro em 1975/1976 e 1979. A seleção da Holanda vice campeã da Copa do Mundo de 1974 e a Juventus, heptacampeã nacional na Itália. Na década de 1980, o Flamengo campeão mundial de clubes em 1981, a maravilhosa seleção de Tele Santana que disputou a Copa do Mundo de 1982, a seleção da Dinamarca, a “Dinamáquina” da Copa do Mundo de 1986, o Milan de Gullit e Van Basten e o Liverpool, base da seleção da Inglaterra. E na década de 1990, tivemos o São Paulo bicampeão mundial de clubes em 1992/1993 e a seleção brasileira de Bebeto e Romário, campeã mundial na Copa de 1994, nos Estados Unidos. Todos, sem exceção, times que jogavam no ataque e marcavam muitos gols.

Time do Real Madrid da Colômbia, 1955/56 – 1959/60, único time da história do futebol cinco vezes seguidas campeão mundial de clubes. [imortaisdofutebol]

Além de tudo isso, ainda havia as duplas que se notabilizaram por marcar muitos gols. Pelé e Coutinho, no Santos/SP, Paquito e Tião Abatiá no União Bandeirantes, do Paraná, Sócrates e Casagrande no Corinthians/SP e Oséias e Paulo Rink no Atlético Paranaense. Aqui, em Mato Grosso, tivemos Jabuca [Jaburu] e Gebara no Operário-VG, Garrafinha e Rutênio no Corumbaense e Bife e Cecílio, no Operário-VG. Jaburu, conheci pessoalmente, fomos colega de serviço por mais de 20 anos e jogamos muita pelada juntos e, pude comprovar com meus próprios olhos, que não foi à toa que Jaburu jogou e bem, em todos os times de Cuiabá. Bife, então, nem se fala. Um cara que disputava o Campeonato Mato-grossense, e teve seu nome reconhecido na Europa, isso na década de 1970, mais especificamente no ano de 1979, que nem internet havia ainda, foi contratado pelo Futebol Clube do Porto, um dos principais clubes da Europa. E ainda teve passagem pelo Boavista, outro time português, muito conceituado na Europa. Atualmente, temos os craques das redes sociais, todos musculosos, bundudos, com tatuagens no corpo inteiro e sempre metidos em episódios que nada tem a ver com o futebol, coisa que não acontecia com os carques “de verdade” de antigamente.

Jaburu e Gebara, uma dupla que fez muito sucesso jogando pelo Operário-VG [Acervo pessoal de Glauco Marcelo]
Outra dupla famosa no ataque do Operário-VG, Cecílio e Bife, bicampeão cuiabano em 1972 e 1973. [Foto: Francisco das Chagas Rocha]
Paquito e Tião Abatiá, a chamada “dupla caipira” que fez muitos gols no Paraná [futeboldointerior].

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