Bairro Dom Aquino: 1968 1984, famílias que moram/moraram no Morro do Tambor

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O texto é produto de minhas memórias. Quem notar algum lapso, me corrija, por favor. Todos sabem que nossa memória é falha…

Neste texto, tentarei relembrar com o máximo de fidelidade possível, das famílias que foram vizinhas da minha familia, entre os anos de 1968 a 1984, os dez primeiros anos de minha infância e adolescência. Lembro-me fielmente de muitas coisas desse trecho da minha vida. Aquele que notar algum lapso de minha memória, me corrijam, por favor. O período acima mencionado, é quando eu realmente comecei a entender as coisas, as situações, minhas obrigações e meus privilégios como ser humano. Apesar de que, mesmo aos 63 anos de vida, ainda lembro de fatos acontecidos quando eu tinha bem menos de que dez anos. A Revolução de 1964, por exemplo, eu tinha apenas seis anos. Lembro que meu irmão, primogênito, Benedito Liberato de Amorim, “Dito”, para a família, juntamente com seu melhor amigo, Jazinho, filho do casal, seo Ângelo e dona Laura, que são pais de Jamil e avós do vereador Renivaldo Nascimento, participou desse evento como soldado do Exército Brasileiro, lotado no 16º Batalhão de Caçadores, atual 44º Batalhão de Infantaria Motorizado/44º BMtz.

Em 1968, quando eu completei dez anos de vida, o antigo bairro Morro do Tambor, era um bairro pobre e afastado do centro da cidade. Havia poucas casas, os terrenos eram enormes, pois as autoridades queriam aumentar o povoamento da Capital do Estado e as pessoas podiam pegar a quantidade de terras do qual pudessem construir ou plantar uma roça, por exemplo. As ruas eram estreitas e de chão batido. A pavimentação asfáltica, só chegaria dez anos depois, em 1978, através do Projeto Cura, implantado pelo prefeito de Cuiabá Manoel Antônio “Titito” Rodrigues Palma [1975 – 1979], que mudou radicalmente a cara de Cuiabá. Vários bairros foram 100% pavimentados, obras importantes foram realizadas, como a construção da Praça do bairro Araés, atualmente, totalmente abandonado servindo de moradia para moradores de rua e drogados e esconderijo de bandidos. O acesso à Avenida Tenente Coronel Duarte  [Prainha] pela continuação da Avenida Getúlio Vargas e as continuações da Rua Doutor Miguel Melo até à Avenida Dom Bosco em frente à Caixa D’água do Morro do Tambor e da Rua Professor João Barbosa Fortes até à Rua Fernando Ferrari e da Rua Major Gama até à Rua Irmã Elvira Paris, no bairro Morro do Tambor, atual bairro Dom Aquino.

Lembro-me que em 1965, minha mãe matriculou-me no Grupo Escolar Maria Elisa Bocaiuva Correa da Costa, o “Grupinho”, que na década de 1970, passaria a ser chamado de Escola Estadual Maria Elisa Bocaiuva Correa da Costa, uma das principais instituição de ensino da história de Mato Grosso, onde militares de altas patentes, desembargadores e personagens da politica estadual e municipal, como Sebastião Moraes [Desembargador do TJ/MT] e Renivaldo Nascimento [Vereador por Cuiabá já por quase 20 anos] foram ali alfabetizados. Entre a sua inauguração em 1962 e sua desativação no ano de 2010, essa escola foi muito disputada pela população cuiabana, uma pena que se encontre no estagio atual, com suas estruturas comprometidas e prestes a desabarem devido à ação do tempo e de usuários de drogas que furtaram que que fosse de algum valor comercial. 

O morro que deu nome ao antigo bairro Morro do Tambor, é cortado por onze ruas e três travessas: A Rua Pimenta Bueno, no começo do morro. A rua Alirio de Figueiredo [na metade do morro], Rua São Cristóvão e Rua Doutor Miguel Melo [no cume do morro] e a Rua Fernando Ferrari. E pelas ruas Avenida Dom Bosco; Rua Major Gama [a principal do bairro] e Rua Irmã Elvira Paris, no final do morro. Rua Vitorino Monteiro [da rua Pimenta Bueno até a rua São Cristóvão], Rua Cônego Pereira Mendes [da escola Elisa Bocaiuva até a rua Fenelon Muller] e Rua José Bonifácio pelas Travessas João Barbosa Fortes [da rua Pimenta Bueno até a rua Fernando Ferrari]; Vitorino Albuquerque [da rua São Cristóvão até a rua Fernando Ferrari] e Professor Silva Pontes ou Beco do I.A.P.I. [da Avenida Tenente Coronel Duarte até a rua Irmã Elvira Paris]. Essas travessas foram abertas no ano de 1978, através do Projeto Cura]. Com esse projeto, o Beco do I.A.P.I ou Travessa Silva Pontes, ganhou sua continuação até a Rua das Flores, atual Rua Irmã Evira Paris. A Rua Doutor Miguel Mello teve sua continuação entre a Rua Major Gama e a Avenida Dom Bosco; A Major Gama foi continuada até a Rua Irmã Elvira Paris e a Rua Professor João Barbosa Fortes, teve sua continuação até a Rua Fernando  Ferrari.

Lembro que em 1968, ao completar de anos de vida, o Morro do Tambor era um bairro pobre e afastado do centro da Capital. Havia poucas casas e pouca gente morando no local. Os terrenos eram enormes e cheios de arvores, geralmente frutíferas. Havia, principalmente, muitos pés de mangueiras, fruta mais comum em Cuiabá, mas também muitos pés de Caju, Goiaba, Cajá, Jacote [ou Seriguela], Jatobá, Marmelada [bola ou de  espinho] e inúmeras outras frutas típicas da região de cerrado. Nessa época, antes do Governo Federal criar o Programa de Povoamento da Região Norte do Brasil, quando milhares de famílias das regiões Sul e Sudeste vieram para estas bandas, havia fartura de terra em Cuiabá e Mato que precisavam ser ocupadas, e quando uma pessoa tinha algum poder aquisitivo um pouco maior que a maioria, lhes eram facilitada adquirir lotes imensos que mais pareciam chácaras, como as de Seo Firmo na Rua Pimenta Bueno, do Coronel Correa na Rua Major Gama e da Família Ewbank, na Rua Comendador Henrique, bairro da Cruzinha.

No trecho da Rua Major Gama, compreendido entre a Rua Pimenta Bueno e a Rua Fernando Ferrari, entre os anos de 1968 e 1978, moravam poucas famílias no Morro do Tambor. Na esquina da Rua Pimenta Bueno com a Rua Major Gama, antes de começara subir o morro, moravam a família de dona Mari do Poço, mãe dos ex-jogadores profissionais de futebol Severino [jogou no Campinas, Atlético Mato-grossense e Mixto] e Groza [jogou no Campinas Esporte Clube, time profissional fundado no bairro Do Barcelos, atual bairro Dom Aquino]. Como havia outras duas Marias nas vizinhanças, duas delas ganharam apelidos para diferenciar uma das outras: Uma ficou sendo só dona Maria mesmo, outra ficou sendo dona Maria Beicinho e dona Maria do Poço, foi pelo poço que havia nos fundos da casa dela e que servia a todos os moradores da região, já que ainda não havia água encanada naquele tempo. Também na Rua Fernando Ferrari, havia um poço nos fundos da casa de dona Tuní, mas ela era temperamental e não podia-se contar muito com esse poço.

Atravessando a rua Pimenta Bueno, começando a subir o morro, entre a Rua Major Gama e a Rua Alirio de Figueiredo, do lado esquerdo, no sentido Centro/bairro, havia na esquina dessas ruas, uma casa onde funcionava uma merceariazinha [venda ou bulictho, como dizia-se naquela época], continuando havia o açougue de Seo Ponciano, uma casa [que não lembro quem morava nela], a cassa da família de meu amigo Toninho, a casa da família de Seo Pinheiro, a casa onde morou a familia de Zé Precata. Atravessando a rua Alirio de Figueiredo, ficava a casa onde morou a família de Seo Zé Japonês e dona Carminada e na esquina com a Rua São Cristóvão, moram até aos dias atuais a família de Seo Ângelo e dona Laura, pais de Jamil Nascimento e avós do vereador Renivaldo Nascimento. No lado direito, nesse trecho entre a Rua Major Gama e a Rua Alirio de Figueiredo, do lado esquerdo, no sentido Centro/bairro, havia somente a casa de dona Maria, onde funcionou um boteco ou bulictho, como chamavam os pequenos comércios da época.

Depois de atravessar a rua São Cristóvão, ainda subindo a rua Major Gama, do lado esquerdo no sentido Centro/bairro, na esquina ficava a casa do casal Seo Dito Teixeira e dona Clara, pais de Teixeira e Cid e avós Eliane, de Rico “Badaró”, Laurindo e do famoso Ademilson, filhos de Aroldo “Leiteiro” e dona Maria de Lurdes, que moravam nos fundos da casa de Seo Dito, já na Rua São Cristóvão. O terreno desse casal também era muito grande, só perdendo em tamanho para o do Coronel Correa, com o qual fazia divisa mais ou menos em frente de onde atualmente existe a Paróquia de São Pedro Apóstolo. O terreno do Coronel Correa ia daí até depois da rua Doutor Miguel Melo, já próximo da rua Fernando Ferrari. E os fundos até próximo de onde atualmente passa a Rua Professor João Barbosa Fortes. Um fato que acredito que  só as pessoas dos 50 anos para frente devem se lembrar: Coronel Correa tinha  um empregado que cuidava de sua chácara, chamado de Zé Preto. Era um homem negro de acho que naquela época, entre 35 e 40 anos, que passava o dia todo sumido lá no fundo da chácara. Tipo, um caseiro. Todos nós, meninada da época, tínhamos medo dele. Não falava com ninguém, nunca saia da chácara, a não ser em companhia do Coronel Correa e, Eu, particularmente, só ouvia a voz dele, quando respondia aos chamados do Coronel, que gritava: Tchô Zééééé!!! E ele respondia: Sinhôhõhôhôhô… Em seguida, eram as três casinhas que dona Conceição alugava para quem não tinha casa própria e a residência onde dona Conceição morava, na esquina da rua Major Gama com a rua Fernando Ferrari.

Nesse mesmo trecho, mesmo sentido, do lado direito, na esquina da Rua São Cristóvão com a Rua Major Gama, morava a familia de seo Carmindo e dona Gilda, chamada “Nhanhá” [na verdade, a frente da casa ficava para a rua São Cristóvão], depois havia a casa do casal Titinho [excelente funileiro, um dos melhores de Cuiabá naquela época], a casa do casal Seo Mané “Garrafeiro” e dona Tereza “Nhá Tê”, que também tinham o terreno enorme [é o local onde foi construída a igreja católica Paróquia São Pedro do Morro do Tambor], a casa da família de Benedito Sampaio e dona Maria Rosa, pais de Roberto, Monica, Robson e a residência de minha família [meus pais Seo Joaquim e dona Agripina]. No terreno que há entre a casa de minha familia e a rua Doutor Miguel Melo, foi construído um campinho de futebol, que ficou muito conhecido como Campinho do Morro do Tambor, devido à fundação do time da Ponte Preta que jogava ali contra times amadores de toda a Capital e das comunidades ribeirinhas. É o local, onde moram ou moraram os pais de Douglas Samaniego.

Atravessando a Rua Doutor Miguel Melo, descendo em direção à rua Fernando Ferrari, ainda do lado direito, ficava a casa do casal Seo Leodório [algumas pessoas dizem: Tenodório] e dona Miguelina. Eu particularmente, sempre o conheci como Leodório, pais de Dita, Sonia, Marly, Maria Alice, Sandra, Atmá e Amilton e já na esquina com a rua Fernando Ferrari, era a casa de Seo Amarilio. Um senhor já bem idoso, acho que naquela época, com mais de sessenta anos, que tinha problemas na coluna e andava abaixado [como aquele senhor muito famoso, na Cuiabá de antigamente: Joaquim “Vai tapa”. Ele morava sozinho, numa casa construída toda com adobo [uma espécie de tijolo rustico, feito com barro, palha e água]. Ele tinha o hábito de beber álcool [de uso doméstico] misturado com água. Sobre ele pesava a suspeita de que nas noites de Lua Cheia, se transformasse em Lobisomem, devido às muitas feridas que havia em seus cotovelos e joelhos e que nunca saravam. após a morte de seo Amarilio, seo Oswaldo que tinha um bar na Rua Major Gama comprou o local, onde construiu o atual Armazém Brasília. A rua Major Gama terminava nessa esquina com a rua Major Gama, somente em 1978 é que foi dado continuidade na rua até a rua Irmã Elvira Paris.

Estou terminando de pesquisar sobre as familias que moravam na Rua Fernando Ferrari, entre ao final da Avenida Dom Bosco até a Rua José Bonifácio. Alerto aos que lerem este texto que estou falando do período entre 1968 e o começo da década de 1970, cerca de seis anos. Na década de 1970, o bairro praticamente dobrou de tamanho.

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