As vergonhosas causas das invasões [ou grilos] em Cuiabá

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Cuiabá/MT – Entre a data de sua fundação, em 08 de abril de 1719 até o ano de 1960, em função da escassez de ouro pouco tempo depois de sua fundação sofreu estagnação de mais de dois séculos. Após os anos da década de 1960, Cuiabá passou grandes alterações no número de seus habitantes decorrente dos incentivos federais para a integração nacional e da politica de ocupação da Amazônia. Os incentivos fiscais e creditícios concedidos pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) fizeram com que grandes empresas agropecuárias se estabelecessem no Norte do Estado, intensificando a ocupação da Amazônia mato-grossense e fortalecendo Cuiabá como centro de apoio à ocupação e de fluxos migratórios cada vez mais intensos, que demandavam novos espaços e a ampliação de equipamentos urbanos.

 

A população total do município até 1960 mantinha-se em aproximadamente 50 mil habitantes; na década de 1960 duplicou-se, chegando amais de 100mil habitantes em 1970, continuando a se incrementar com levas de migrantes durante as décadas de 1970 e 1980. Grande parte desse contingente radicou-se na cidade.
O censo demográfico realizado pelo IBGE, no ano de 1980, contabilizou mais de 200 mil habitantes; e ainda, durante a década de 1980, a população de Cuiabá continuou crescendo vertiginosamente, tendo sido contabilizados, no ano de 1991 mais de 400 mil habitantes.
Para acomodar este contingente populacional os poderes publico estadual e municipal construíram diversos núcleos habitacionais, muitos deles fora dos limites do perímetro urbano; o Três Barras na Região Norte e, na Região Sul, o Jardim Fortaleza, O Pascoal Ramos, o São Sebastião [antigo Quebra Pote], parte do Tijucal e do Pedra 90, este com mais de 8 mil lotes.
A construção da Rodovia dos Imigrantes, pelo fato de receber o fluxo de veículos em demanda do Norte do Estado, tornou-se pólo de atração de estabelecimentos industriais e comerciais de grande porte, o que fatalmente levaria à ocupação mais intensiva daquela região. A área urbana disponível não comportava toda aquela população e por isso foram ampliados os limites do perímetro urbano, delimitando áreas de urbanas e de expansão urbana da cidade nos anos de 1974,1978 e 1982.
Anteriormente a estas ampliações do perímetro urbano, Cuiabá já dispunha de grande números de lotes vagos em loteamentos já dotados de infraestrutura, em grande parte aguardando a valorização imobiliária. E ainda, com sucessivos acréscimos à área urbana, foram incorporadas grandes áreas vazias, a ela acarretando uma densidade demográfica baixíssima, de 20,88 hab/ha.
Estes fatos ocasionam maior custo-cidade, visto que cabe ao poder publico municipal prover e manter rede de infraestrutura urbana, como serviços de saneamento, pavimentação viária, equipamentos urbanos e ainda serviços públicos, como transporte coletivo, coleta de lixo, além de outros.
Crédito: OLivre.com.br

Aqui na capital, essas ações a cima citadas, são praticamente impossíveis de ser implementadas devido à VERGONHOSA “indústria do grilo” que recebe de políticos locais toda cobertura e ajuda para ser concretizadas. Em troca de apoio politico e os votos dos invasores, eles “ajeitam” para que as famílias invasoras, na sua maioria pessoas de posses que tem imóvel próprio ou condições de pagar aluguéis. Como exemplo, as invasões que resultaram nos bairros Doutor Fábio e Renascer, são exemplos claros de como pessoas “com condições” chantageiam o poder público para conseguir terras que pouco tempos depois são vendidas.

Essas “invasões” que são praticamente uma a cada mês, escancaram a sem-vergonhice de pessoas de má índole que só pensam em conseguir benefícios a si próprio, sem ligar se para isso esteja prejudicando outras pessoas. Essa sacanagem acobertada por políticos de mesma índole, é tão escandalosa e vergonhosa que eles só escolhem áreas nobres, para promoverem essas invasões. As áreas preferidas são na região da grande Morada da Serra e, como no caso do Renascer na região do Alphaville e Jardim Itália.

O ESQUEMA

 

Normalmente, o esquema de uma invasão se dá da seguinte forma: Um “grileiro profissional” uma pessoas que só vive desse trabalho [de invadir e ocupar propriedade de outras pessoas] escolhe um local, muito bem escolhido, de preferencia em áreas nobres da capital e sai recrutando pessoas para a invasão. Preferencialmente, ele “arruma” quatro ou cinco famílias realmente necessitadas e com com mulheres sem marido e com vários filhos pequenos, que são usados como “testas de ferro”, principalmente, se houver confronto com a policia ou com os donos das terras.
Eu moro desde 2003, no bairro Tancredo Neves, onde comprei uma casa. Antes, morei no CPA IV,1ª Etapa, na rua onde há o quartel do 3º Batalhão da Polícia Militar desde 1991. Em 1993 ou 1994, houve a invasão onde existe atualmente o bairro Doutor Fábio. Pelo menos 90% desses invasores eram de famílias que moravam no CPA, Jardim Brasil e Novo Horizonte. Na minha rua, no mínimo 10 pessoas pegaram lotes lá. Inclusive, um velhinho, meu vizinho, que morava na esquina de minha casa todo dia de manhã cedo quando ia lá para o lote, me chamava para ir. Ele havia pego dois lotes e queria que eu ficasse com um. Eu recusei, porque sou terminantemente contra esse tipo de coisa. E olha, que os lotes eram bem ali na entrada, logo depois da ponte.
Quando houve a invasão que resultou nos bairros Tancredo Neves e Centro América, eu morava na Rua Para, Quadra 29, Casa 1, CPA II. Também não quis “grilar” lotes ali. Minhas cunhadas, que pegaram lotes no Tancredo Neves, iam à minha casa lavar roupas, e pegar água para os afazeres domésticos do dia a dia. Aí, nesse bairro Tancredo Neves, em 2004 ou 2005, as famílias que moravam nas margens do córrego Gumitá foram indenizadas ou receberam casas no Residencial Nova Canaã, para deixarem o local. Mas o local já está todo ocupado novamente, por causa dessa VERGONHOSA ajuda de políticos desonestos. Já há, cerca de um ano, uma invasão ao lado da Escola Tiradentes, onde quando passo por lá, só vejo carros novos e bonitos. Ora, se uma pessoa tem condições de comprar um carro zero, mesmo que financiado, com certeza tem como pagar aluguel.
Semana passada, vi em um grupo no WhatsApp, uma pessoa que no mês de março pegou um lote nessa invasão Terra Prometida e já colocou à venda. Um cara desse, precisa de imóvel em invasão? Alias, essa invasão conhecida como Terra Prometida, foi comandada por um dos maiores e mais conhecidos GRILEIROS de Mato Grosso. Um tal de Antonio Lemes, que inclusive, pouco tempo atrás, estava VEREADOR. Por isso, nunca prefeito nenhum conseguirá dotar todos os bairros de Cuiabá de pavimentação e outros serviços, justamente por causa dessas invasões que são praticamente mensais.
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