VASCO, BICAMPEÃO CARIOCA 2015-2016

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Titulo invicto bota na história do clube um elenco vencedor, que soube dar a volta por cima

O Vasco bicampeão de 2016 foi uma versão melhorada daquela que conquistou o título carioca no ano passado e acabou com o jejum de 12 temporadas sem levantar o troféu do Estadual do Rio.

A defesa praticamente se manteve a mesma, mas o ataque mudou. E isso ajudou muito a fazer do time atual, comandado pelo técnico Jorginho, superior ao de Doriva, em 2015.

A supremacia sobre os principais rivais, nos clássicos, atesta o quanto é difícil, hoje em dia, derrotar o Vasco.

Com o Maracanã cedido à Rio-2016 e só liberado para os dois jogos da decisão, diante do Botafogo, o Vasco comemorou lá, no templo sagrado do futebol, o bi carioca. Mas soube se impor também na Arena da Amazônia, que transformou em sua, com lindas festas da torcida contra Fluminense e Flamengo.

No Estadual itinerante, a equipe vascaína foi além das fronteiras de São Januário, com a mesma competência.

Rafael Vaz é um herói improvável. Em 2015, o jogador só fez sua primeira partida em setembro, quando Jorginho já era o treinador. Com a virada do ano, apesar de seguir com a condição de reserva da dupla Rodrigo e Luan, o zagueiro de 27 anos fez nove partidas e marcou, na final contra o Botafogo, seu terceiro gol. O mais importante deles foi o último da campanha do bicampeonato, de cabeça, empatando em 1 a 1 a decisão, resultado que garantiu o título.

– No ano passado, eu não pude aproveitar esse título (Carioca). Estava treinando separado, mas Deus me abençoou, e eu pude dar a volta por cima – disse o jogador, que comentou o gol: – Na hora, eu pensei em minha família, no trabalho de cada dia.

Após o jogo, Jorginho revelou a conversa que teve com o zagueiro no intervalo. No vestiário, Luan fez um teste para saber se teria condições de voltar a campo, mas a comissão médica vetou o retorno. Foi então que Jorginho procurou Rafael Vaz para dar a notícia que entraria no time.

– Ele estava agachado amarrando a chuteira, e eu falei: “Olha como é interessante a vida. Não estava no meu projeto te colocar, a zaga estava muito bem, mas Deus te presenteou. Vai lá e define o jogo”. Ele foi lá e definiu – contou.

A camisa 10 do Vasco, mítica graças aos feitos de Roberto Dinamite e Edmundo, andou órfã desde a saída de Diego Souza de São Januário, em 2012. Nomes como Pedro Ken, Marcinho e Dagoberto a vestiram e não aproveitaram a honra recebida. Mas um dia apareceu Nenê. Mesmo sem conseguir evitar o rebaixamento no Brasileiro de 2015, em que chegou já com o estrago feito, tomou o número para si e colocou seu significado de novo em evidência. Ele é sinônimo de bom futebol na Colina Histórica.

Com visão de jogo e toque refinado, o meia, de 34 anos, que já tinha sido, no ano anterior, eleito craque da galera do Brasileirão, com votação expressiva na internet, foi escolhido também o melhor jogador do campeonato carioca de 2016. Nas duas partidas finais, diante do Botafogo, foram de Nenê os passes para os dois gols vascaínos.

Ídolo da torcida, Nenê escreve seu nome na galeria dos heróis de São Januário com a conquista do título estadual.

Não foi nada fácil a trajetória de Riascos no Vasco. Em 2015 ele era tido como peça que mais atrapalhava do que ajudava. Tudo mudou em 2016. É artilheiro do time no ano. Além de gols, tem feito boas jogadas, como os dois dribles desmoralizantes aplicados em cima do zagueiro rubro-negro César Martins no lance do gol de Andrezinho, contra o Flamengo, na semifinal.

Sobre ele, diz o técnico Jorginho: “É um jogador que obtém destaque pela sua obediência. Tem dado trabalho aos zagueiros, não se contenta em ser pivô. É um jogador que se movimenta bem, joga em velocidade e isso dificulta para o adversário. A torcida está vendo isso, a diretoria está vendo isso”.

Mas o contrato terminou, com o fim do Campeonato Carioca, e a renovação do empréstimo ficou complicada. O Cruzeiro só aceita negociação em definitivo. O Vasco pode não ter seu amuleto colombiano na campanha da Série B do Brasileiro.

O goleiro uruguaio, de 33 anos, é peça fundamental. A segurança e a tranquilidade que transmite ao time fazem dele um dos destaques do Campeonato Carioca. E quando as coisas complicam, lá está ele para fazer uma defesa salvadora. Sem estardalhaço, sem grandes voos, e sim com boa colocação e tempo de bola perfeito.

Na decisão da Taça Guanabara, contra o Fluminense, fez uma intervenção sensacional, diante do atacante Osvaldo, no último minuto, e manteve o 1 a 0 que garantiu o troféu. Na semifinal do Carioca, contra o Flamengo, apareceu bem de novo. E nas finais, diante do Botafogo, foi preciso. No fim da primeira partida da decisão, fez um verdeiro milagre, cara a cara com Ribamar. Na segunda partida, voltou a ser importante, com defesas seguras.

A torcida sempre reconhece seus feitos, aos gritos de “Olê, olê, olê, olá, Silva, Silva!”

Cria do Flamengo, o meia teve identificação total com o Vasco. No dia seguinte ao título carioca, comentou, num programa de TV:

– Fui recebido tão bem no Vasco que foi fácil se adaptar e me sentir em casa. Costumo dizer que agora sou vascaíno desde pequeno – riu.

Andrezinho cumpriu com louvor a dupla missão que recebeu no meio de campo do Vasco: auxiliar Nenê na armação das jogadas de ataque e roubar bolas como um segundo volante, apertando a marcação. Veterano, aos 32 anos, mostrou fôlego de garoto.

O zagueirão tem a braçadeira de capitão. E uma estrada de altos e baixos no clube, com o qual se identificou. Em 2014, disputou a Série B e subiu. No ano passado, ganhou o Carioca e viu Guiñazu, então capitão, levantar a taça. No fim da temporada, nova queda para a segunda divisão. Mas sua vez de erguer o troféu chegou. Exerce forte liderança entre os jogadores.

– Minha vida no Vasco é muito intensa, uma gangorra. Cheguei no momento em que o clube disputaria a Série B, subimos, depois caímos. Tive momentos bons e ruins e sou identificado com o clube – diz.

Controvertido, gosta de provocar os adversários. O tricolor Fred já escutou poucas e boas e ficou no vácuo recentemente, na final da Taça Guanabara, quando o zagueiro fingiu que não o viu e o deixou com a mão estendida para um cumprimento não correspondido. Com o rubro-negro Guerrero, fez pior: chegou a beliscar os mamilos do adversário durante o jogo.

Para o xerife da zaga vascaína, os fins justificam os meios, desde que, no fim, a defesa do Vasco saia intacta.

Uma das notícias mais comemoradas recentemente pela torcida do Vasco foi a permanência do treinador. Sondado pelo Cruzeiro na semana do primeiro jogo das finais contra o Botafogo, Jorginho garantiu que não sucumbiria à sedução da melhor proposta financeira. A opção dele foi por seguir um trabalho que tem dado muito certo em São Januário.

Jorginho chegou na reta final da campanha contra o rebaixamento no Brasileiro do ano passado. Assumiu o time em meados de agosto, com a situação já bastante ruim. Levou um tempo para que seus princípios fossem assimilados e, em campo, os resultados aparecessem. Não foram suficientes para evitar a queda, mas deram ao torcedor e ao clube outra autoestima.

O técnico montou um time difícil de ser batido. Não à toa, a invencibilidade desde novembro de 2015. O elenco de idade avançada ganhou o reforço de jovens valores, que o treinador conseguiu usar em doses certas e fundamentais para o equilíbrio da equipe. É ele, sem dúvida, um dos principais responsáveis pelo título carioca e pela excelente fase do Vasco.

Palavras do técnico Jorginho, ao resumir o que foi a entrega dos torcedores em apoio ao time durante o Estadual, inclsuive em jogos muito longe do Rio de Janeiro:

– Nossa torcida simplesmente dá um show. Em Belém (Copa do Brasil), Manaus, Cariacica (Espírito Santo) e no Maracanã, e faz toda diferença Foi marcante, a torcida deu um show, e com certeza a gente jogou junto.

Portanto, nada mais justo do que colocar, no rol dos heróis da conquista, sim, o torcedor. Que ama, apesar de tudo. Que incentiva. Que sofre. E que merece muito comemorar.

Faz mais de seis meses que o Vasco não perde um jogo. Com a conquista do bicampeonato estadual, a conta subiu para 25 partidas. Desde que sofreu sua última derrota, para o Fluminense, pelo Campeonato Brasileiro, em 1º de novembro de 2015, por 1 a 0, foram 18 vitórias e sete empates.

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