Transporte Coletivo: Em Cuiabá, 60% da frota tem mais de 5 anos em uso

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Carros sucateados, atrasados e lotados e a terceira tarifa mais cara do Brasil. [Divulgação]

Quem necessita diariamente dos serviços de transporte público na Capital reclama da precariedade do serviço prestado

Mais de 60% da frota do transporte coletivo convencional em Cuiabá tem idade acima de cinco anos. A planilha de cálculo tarifário apresentada pela AGÊNCIA MUNICIPAL DE REGULAÇÃO DE SERVIÇOS DELEGADOS (ARSEC), mostra que no total o transporte convencional possui 398 ônibus. Desses, 363 estão operantes e 35 compõem a frota reserva.

Dos 398 veículos, 245 tem mais de cinco anos. De cinco a seis anos são 65 carros (16%), de seis a sete anos também são 65 (16%), 81 ônibus (20%) tem de oito a nove anos e 27 carros tem idade entre dez e onze anos (6%). O levantamento mostra que 60 carros tem até um ano, 23 tem de três a quatro anos e 70 tem entre quatro e cinco anos.

Quando se fala em transporte alternativo, os chamados micro-ônibus, a realidade é ainda mais preocupante. Nenhum veículo tem idade inferior a quatro anos. Dos 59 carros disponíveis operando em Cuiabá, 58 tem idade superior a cinco anos, ou seja, 98%. Um micro-ônibus tem entre quatro e cinco anos. Dezenove (32%) tem entre quatro e cinco anos; além de 23 com idade entre seis e sete anos (38%); nove (15%) tem entre sete e oito anos; cinco (8%) tem entre oito e nove anos e dois (3%) tem entre nove e dez anos em uso.

Passageiros, mulher principalmente, além do desconforto dos ônibus velhos e quentes, enfrenta ainda o assédio dos homens quando estão em carros lotados. [Divulgação]
Passageiros, mulher principalmente, além do desconforto dos ônibus velhos e quentes, enfrenta ainda o assédio dos homens quando estão em carros lotados. [Divulgação]
Os que necessitam diariamente dos serviços de transporte público na Capital reclamam da precariedade do serviço prestado. Francisca Garcia Silva diz que utiliza ônibus seis vezes por semana e tem que pegar ao todo três conduções para chegar ao local de trabalho.             “Só quem usa ônibus sabe o sacrifício que é. As conduções estão quase sempre todas lotadas, atrasam e tem também os casos de assédio sexual contra as mulheres, as vezes mesmo com os ônibus não estando lotados. Eles (As empresas) dizem que renovaram a frota, podem até ter uns ônibus novos, mas a maioria continuam sucateados, inclusive, vemos  e não raramente, ônibus, dito novos, quebrados em vias públicas. O que compram não é nem metade do necessário para atender dignamente os usuários“”, disse.

Paulina das Flores também utiliza o transporte público quase todos os dias da semana. Segundo ela, até mesmo a passagem praticada hoje não está no patamar do serviço oferecido. “Os novos ônibus são só disfarces, eles compram uma pequena quantidade para enganar o povo e demoram anos para comprar novamente. O que acabamos vivenciando é viagem atrasando por causa de ônibus que ficam quebrando. No final deste ano passado mesmo peguei um ônibus e lá perto do Shopping Goiabeiras caiu uma roda. Isso é uma vergonha!!!“, conta Paulina.

O Secretário de Mobilidade Urbana de Cuiabá Antenor Figueiredo explicou que a idade média da frota tem que ser entre quatro e cinco anos. Ele afirmou que as empresas que operam na Capital já foram inclusive notificadas para repor a frota, muitas já entraram com o pedido. “Com a nova licitação do transporte iremos exigir uma idade da frota. Mas a licitação que havia sido lançada está suspensa por 120 dias. Há alguns itens que a administração vai revisar. O prefeito deve esperar também o desfecho sobre o VLT já que o transporte deve ser agregado“, ressaltou.

Em relação ao transporte alternativo, Antenor Figueiredo frisou que o município firmou compromisso com o Ministério Público de se abster de conceder novas permissões/autorizações/ordens de serviço e de renovar aquelas já concedidas, sem prévia licitação. “Essa questão dos micro-ônibus, acredito que até o fim de novembro estará resolvida“, reforçou.

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