Torneio de base serve como ‘homenagem’ ao mais querido de Mato Grosso

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Clube aniversaria em meio a forte crise

Dono da maior torcida em Mato Grosso e maior detentor de títulos de campeão mato-grossense, o Mixto Esporte Clube completou dia 20 de maio, 83 anos de fundação. Mas há anos os alvinegros não tem muita coisa para comemorar ou, no mínimo para festejar. A última conquista a nível estadual foi em 2008, quando sagrou-se campeão em cima do União de Rondonópolis em jogo histórico.

Formação do último time do Mixto que foi campeão mato-grossense em 2008. [Revista/Placar-Edição dos Campeões]
De lá para cá, são nove anos de jejum. Mesmo na época da conquista da conquista, quando o clube era presidido pelo falecido ex-vereador Julio Pinheiro, o Alvinegro da Vargas já passava por dificuldades financeira. O time foi campeão com vários meses de salários em atraso. Na época, chegou a especular uma suposta tentativa de compra do jogo por parte da diretoria do União, algo que não foi comprovado e muito menos consolidado com o título.

Hoje o Alvinegro da Vargas é presidido por Valter Hudson, que está prestes a completar um ano a frente do clube. A diretoria não programou nenhuma festa. Para não passar em branco a data especial, torcedores e colaboradores decidiram promover alguma atividade para reunir os verdadeiros alvinegros.

No estádio Dutrinha, o empresário Mario Roberto Candia de Figueiredo realizou um torneio de futebol voltado para a categoria sub 19, com a participação do próprio Mixto, Dom Bosco, Cuiabá e Ação. No CPA-II, Franklin ‘Sabiá‘ ofereceu um almoço festivo aos associados da torcida Comando Zero.

Um clube sem time, sem técnico, sem sede e sequer um centro de treinamento; esse é o Mixto que completou no sábado (20.05) 83 anos, sem nenhum motivo para comemorar. Eliminado na Primeira Fase do Campeonato Mato-grossense deste ano, após mais um fracasso, dentro e fora de campo o “Mais Querido de Mato Grosso” enfrenta uma de suas piores crises na sua história, sem a menor perspectiva de recuperação.

Em pé: Toninho, Edson, Ari Martins, Polaco, Diogo e Lourival; Agachados: Pelezinho, Rômulo, Bife, Pastoril e Traíra. O Mixto de 1976, o primeiro representante de Cuiabá no Campeonato Brasileiro. [Reprodução/Google]
Fora de competições nacionais, como o Campeonato Brasileiro da Série D ou da Copa do Brasil, resta ao alvinegro cuiabano buscar a quarta vaga de Mato Grosso na Copa do Brasil de 2018, para isso tendo de conquistar a Copa Mato Grosso, promovida pela Federação Mato-grossense de Futebol/FMF, que até agora não tem sequer estádio para ser disputada.

Para o ex-presidente e diretor do Clube, Marcio Pardal, não há solução a curto prazo. “É um momento delicado, tem que reunir a velha guarda e os mais jovens. O problema é que tem que começar tudo da estaca zero de novo. Aí é complicado. Fazer time para três meses. Pesa a questão financeira. O clube sobrevive hoje graças a ajuda de alguns poucos conselheiros que ajudam, dá para contar nos dedos“, disse Pardal, que se afastou da diretoria após a eliminação do time do estadual.

O atual presidente do clube, Walter Hudson, revelou a existência de uma divida aproximada de R$ 1,5 milhão, referente a mais de 70 ações trabalhistas. “Enquanto não resolvermos isso, não tem jeito. Nossa meta é construir nosso CT“, disse. Para Hudson, apesar da divida, o clube ‘está no caminho certo‘ e disse que o clube deverá treinar no Distrito da Guia, a 30 Km da Capital.

Hélio Machado, ex-técnico e presidente, também condiciona  a retomada do clube à uma boa gestão, mas respaldada por um aporte financeiro. “O Governo deveria ajudar. O Mixto é o maior clube de Mato Grosso. Se não houver essa união, não vejo solução“, disse.

Também não dá para ficar esperando ajuda do Governo que não faz sequer sua obrigação de garantir saúde, educação e segurança aos contribuintes que arcam com uma carga criminosa de impostos e nada recebem em troca a não ser as noticias das roubalheiras e mordomias dos políticos, tantos os estaduais como os municipais. O futebol mato-grossense só voltará aos seus dias de glória, quanto tivermos nos clubes homens como Ranulfo Paes de Barros, Joaquim de Assis, Rubens dos Santos, Délio de Oliveira…

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