“Tem que falar só com o índio”, diz o deputado federal Nilson Leitão, presidente da banaca ruralista na Câmara Federal

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Deputado federal Nilson Leitão que diz "ser um indigenista". [olhar direto]

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o deputado Nilson Leitão diz que se considera ‘um indigenista’

DE BRASÍLIA – O deputado Nilson Leitão (PSDB-MT) presidente da bancada ruralista, defende que as entidades indigenistas sejam excluídas do diálogo do governo com os índios, “eu me considero um defensor indigenista“.

Folha de São Paulo – O sr. vê alguma distorção na agenda do ministro?                       Nilson Leitão – Não há nenhuma distorção porque eu também me considero um defensor indígena. O que existia antes era um ministério que era ideológico e que confundiu a fus função de Ministério da Justiça para ser um escritório de defesa de alguns setores, das ONG’s, de entidades.

Folha de São Paulo – Quais são os pleitos que vocês levam ao ministro?                     Nilson Leitão – São vários. A Constituição tem uma versão muito clara sobre isso [ele defende tese restritiva a novas demarcações]. Qual é a nossa posição, é, que não tenha mediação nesse primeiro momento. Que o governo dialogue diretamente com o índio.

Folha de São Paulo – Tribo à tribo?                                                                           Nilson Leitão – Chamar o cacique para conversar com eles, não pode mais ser apenas através de entidades.

Já o presidente do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) Pasta favorece o agronegócio.

Ministro da Justiça, Osmar Serráglio, que em quase dois meses no cargo, teve 100 audiências com ruralistas e nenhuma com indigenistas. [TNOnline]
DE BRASÍLIA – Para o secretario do CIMI (Conselho Indigenista Missionário), Cléber Cesar Buzatto, Serráglio favorece o agro-negócio.

Folha de São Paulo – Vocês pediram audiência com o ministro?                                   Cléber Cesar Buzatto – Tivemos demanda de um povo envolvido em uma reintegração de posse. Por enquanto não houve de nosso conhecimento nenhuma audiência de indígenas com o ministro. Havia demanda das organizações que fazem parte do Conselho Nacional Indigenista para uma reunião em abril, mas o ministério não viabilizou. Nem o conselho, que é um órgão oficial, tem funcionado.

Folha de São Paulo – A que o sr. atribui a conduta do Ministério?                               Cléber Cesar Buzatto – Isso demonstra a posição muito evidente do ministro da Justiça e do próprio governo Temer de favorecer o setor ligado ao agronegócio.

Folha de São Paulo – É preciso a intermediação das das entidades ao dialogo?                     Cléber Cesar Buzatto – Avaliamos que se trata [a defesa da exclusão das entidades] de mais uma estrategia de postergações que não contribui para a resolução dos conflitos.

O teor da entrevista concedida à folha era sobre matéria em que o jornal afirmava que “agenda de ministro privilegia ruralistas e alvos da Lava Jato” Osmar Serráglio     teve 82 encontros com integrantes de frente agropecuária. Não houve nenhuma agenda do ministro da Justiça com indígenas; a Funai está subordinada à pasta.

A reportagem de CAMILA MATOSO e RANIER BRAGON informa que  a agenda do Ministro da Justiça Osmar Serráglio (PMDB), ligado agronegócio, foi dominada ruralistas e alvos da Lava Jato em seus 55 dias de mandato.

Foram 100 audiências com integrantes da frente parlamentar agropecuária e com políticos investigados. Não houve nenhum encontro com representantes indígenas. Os ruralistas são adversários históricos dos índios em conflitos agrários.

<OUTRO LADO>

A assessoria de Serráglio disse que “Não houve solicitação de lideranças indígenas para audiências com o ministro“, mas que “Vários grupos foram atendidos pela assessoria especial do Ministério da Justiça“.

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