Série Grandes Craques de Mato Grosso: Lúcio Bala

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Do Independente da Alameda Júlio Muller, Várzea Grande/MT para grandes clubes do Brasil

CUIABÁ/MT – Lúcio Alves Pompeo de Campos, nasceu no dia 01 de outubro de 1955, na cidade de Várzea Grande/MT. Começou a jogar futebol pelo Independente time amador do bairro Alameda Júlio Muller, onde foi descoberto por um olheiro e levado para as categorias de base do Dom Bosco, time profissional de Cuiabá, capital do Estado de Mato Grosso.

Dom Bosco de Cuiabá-1974. Em pé: Luis Afonso, Vitamina, Herivelto, Gaguinho, Saldanha e Wilson Bozó. Agachados: Lúcio, Carlos Macaco, Jaburu, Fidélis e Pelego.   [Crédito: Joacir Hermes_Todos os direitos reservados]

Meia ponta de lança ou meia direita, como se dizia naquela época, veloz e driblador, Lúcio logo se destacou jogando pelo time juvenil e começou a entrar em algumas partidas no time profissional, porém, o time cuiabano havia sido campeão cuiabano no ano de 1971 e tinha um time muito bom, especialmente, o ataque e Lúcio não encontrava espaço entre os titulares do time profissional. Na mesma época em que Lúcio começou a aparecer no time do Azulão da Colina Iluminada, um ponta esquerda muito bom bom de bola [cujo estilo de jogo assemelhava-se muito ao do jogador Dirceu, ex-Coretiba, Vasco e titular da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1978] também  se destacava no time da categoria juvenil, que atualmente, chamamos de Categoria de base. Tratava-se de Claudio Roberto, mais conhecido como Pelego ou Peleguinho por seu porte físico muito franzino.

Manifestação da torcida da Ponte Preta, provocando o rival Guarani, quando compra do também ponta direita Flecha, do América do Rio de Janeiro. [Crédito: revista Placar]

Como Délio de Oliveira e o paraguaio Juan Rolan em 1973, estavam montado um excelente time para o Palmeiras Esporte Clube disputar o Campeonato Mato-grossense daquele ano [mato-grossense, porque contou com as participações dos times da cidade de Campo Grande, Esporte Clube Comercial e Operário Futebol Clube] e do União Esporte Clube da cidade de Rondonópolis, foram até ao Dom Bosco e conseguiram contratar Lúcio e Pelego por empréstimo até o final da temporada.

Ao retornar ao Dom Bosco no ano seguinte, 1974, Lúcio recebeu da Diretoria do time alvi- celeste a promessa de que se conseguisse uma vaga de titular no time em dois meses, teria seu salário aumentado. Em apenas duas semanas, Lucio já era titular do time da elite cuiabana, mas os diretores, de memoria curta, não cumpriram a promessa feita a ele. Lúcio, desencantou-se com o futebol, largou tudo e foi trabalhar como taxista em Várzea Grande. Até que no final desse ano, convenceram-no à retomar sua carreira de jogador profissional de futebol.

Uma das formações da Ponte Preta de 1977. Esse time foi o ponto de partida para quatro boas temporadas do time do interior de São Paulo. [Divulgação]

Lúcio voltou a treinar e o então ponta direita J. Alves, maior ídolo naquele momento da torcida Azulina, machucou seriamente o joelho e como não havia outro ponta direita, quem mais se assemelhava com o estilo do “Crioulo Doido”, era Lúcio com seu futebol veloz e de dribles curto, sempre em direção à linha de fundo. Lúcio topou o desafio e tornou-se então, o melhor jogador do Dom Bosco. Em 1975, um representante da Ponte Preta de Campinas, veio a Cuiabá e contratou Lúcio. Lembro-me muito bem que, na época o valor divulgado foi de Cr$ 150.000,00, mas reportagem da revista esportiva Placar do ano de 1977, afira que foram pagos Cr$ 50.000,00 pelo futebol de Lúcio que só não disputou a Copa do Mundo de 1978, por causa da covardia do treinador Claudio Coutinho que resolveu montar o time com dois laterais direito ao invés de um lateral e um ponta direita. Naquele ano, Lucio era sem sombras de duvidas, o melhor ponta direita do Brasil, todo mundo tem ciência disso.

Lúcio no elenco do Guarani, rival da Ponte Preta no ano de 1982 [Crédito: Programa Terceiro Tempo]

Reportagem da revista esportiva Placar editou matéria sobre o futebol jogado por Lúcio entre os anos de 1977 e 1980:                                                                                    “Os torcedores não se cansam de fazer a comparação. Lúcio pelo qual a Ponte Preta só pagou Cr$ 50 mil Cruzeiros, está jogando muito melhor que Flecha, que custou 30 vezes mais ao Guarani.                                                                                Na verdade, Lúcio Alves Pompeo de Campos, uma figura praticamente anônima há algumas semanas, é a grande revelação e, sem dúvida, o mais perigoso e eficiente ponta direita do Estado [São Paulo] no momento.                                         A Ponte Petra o contratou no ano passado (1975), por indicação de um conhecido de Zé Duarte, que obteve a confirmação das qualidades do jogador através de um irmão do árbitro Oscar Scolfaro, residente em Cuiabá, Mato Grosso, onde Lúcio defendia o Dom Bosco.”

Lúcio atuou pela Ponte Preta entre 1975 e 1980. Lucio atingiu o auge de seu futebol entre temporadas de 1977 e 1980 quando foi vice-campeão paulista em 1977, 1979 e 1980, quando a Ponte Preta montou o maior melhor time de sua história, cuja base foi formada em 1976: Carlos; Jair, Oscar, Polosi e Odirlei; Vanderley Paiva, Marco Aurélio e Dica; Lúcio, Rui Rei e Tuta. No ano seguinte, 1981, transferiu-se para o Palmeiras. Em 1982, Lúcio Bala retornou ao futebol de Campinas para defender o Guarani Futebol Clube, que um ano depois da Ponte Preta contratar Lucio, pagou ao América do Rio de Janeiro, Cr$ 1.500.000,00 pelo passe do ponta direita Flecha. Lúcio ficou no Bugre até 1983, quando seguiu para o Clube de Regatas Flamengo.
No ano de 1985, o Rubro Negro carioca trocou o ponta direita Lúcio Bala pelo então promissor lateral-direito Jorginho [que seria tetracampeão do mundo em 1994, pelo Brasil], com o próprio América carioca, para ocupar o lugar que foi de ídolo americano Flecha. Depois da passagem pelo América carioca, Lúcio Bala ainda vestiu as camisas do Coritiba, Comercial de Ribeirão Preto-SP (1986/87), Asa de Arapiraca, Alagoas (1988) e por fim a do Mixto Esporte Clube de Cuiabá-MT (1989), onde encerrou a carreira.
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