Relembrando o Torneio Integração Presidente Médici – 1973, Mixto CAMPEÃO

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Torneio Integração Presidente Médici (MT) – 1973

Foi um torneio promovido pela Federação Mato-grossense de Desportos/FMD [só em 1982 a nomenclatura dessa entidade passaria a ser: Federação Mato-grossense de Futebol/FMF]. Disputado no primeiro semestre desse ano em turno único, a competição iniciou-se no dia 14 de janeiro de 1973 e encerrou-se no dia 06 de maio de 1973. Essa competição foi a primeira disputada pelos times da cidade de Campo Grande [Esporte Clube Comercial, Operário Futebol Clube e Sociedade Esportiva Industriaria] como equipes profissionais de futebol. A profissionalização do futebol em Cuiabá ocorreu no ano de 1967 e em Campo Grande o profissionalismo chegou somente no ano de 1972.

Era comum nas décadas de 1970 e 1980, os times do interior do Brasil importarem jogadores [contratos curtos de três a seis meses] dos grandes centros, como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, já em final de carreira ou sem espaço nos times da elite do futebol nacional, para disputarem torneios ou quadrangulares e até mesmo somente para uma, duas ou três partidas, dependendo do interesses de ambas as partes.

O Clube Esportivo Dom Bosco, por exemplo, fez um contrato de apenas quatro meses com o lateral esquerdo Rildo, ex-Botafogo/RJ e Santos/SP e titular da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1966 e no mês de abril daquele ano ao findar esse contrato, Rildo não quis renovar com o Azulão da Colina porque recebeu proposta para disputar o Campeonato Brasileiro pelo CEUB e assinou com o time da Capital Federal. Também o zagueiro central Paulo Cezar do Campo Grande/RJ e o centroavante Carlinhos, do Olaria/RJ, foram contratados para esse torneio.

C. E. Operário de Várzea Grande, bi-campeão Cuiabano em 1972/1973 e que disputou o Torneio Integração Presidente Médici em 1973 [Todos os direitos reservados]

O Clube Esportivo Operário Várzea-grandense, que tinha um ótimo time, campeão do Campeonato Cuiabano de 1972 e 1973, não contratou para esse torneio e terminou a competição em quarto lugar. O Palmeiras Esporte Clube, como de praxe, disputou com um time muito modesto formado por veteranos do futebol de Cuiabá em final de carreira, como o lateral direito Celso Paraguaio, o quarto zagueiro Alair, o lateral esquerdo Vitamina, o meio de campo Orlando Apoitia e o atacante Isaac, o “craque Café” e jovens que estavam iniciando sua carreira no futebol mato-grossense.

O Mixto Esporte Clube, que foi campeão desse torneio, preferiu jogar com mesmo time que disputou o Campeonato Cuiabano de 1972 [muitos da imprensa dizem: Campeonato Mato-grossense, mas como, se o campeonato era disputado somente por times de Cuiabá?]. O “Tigrão da Vargas” só contratou dois reforços [o goleiro Joel “Preto Velho”, o lateral direito Paulo Roberto e o quarto zagueiro Japonês, todos do interior de Goiás] para a partida contra o Operário de Campo Grande, pois se vencesse [e venceu, 2 a 1] garantiria a liderança do torneio.

Time do Operário-CG que disputou o Torneio Integração Presidente Médici em 1973, publicado na revista Placar [Acervo de Joacir e do site clubenews].

Em compensação, os times de Campo Grande [maior e mais rica cidade de Mato Grosso na época] não economizaram nas contratações. Comercial e principalmente, o Operário montaram times com o intuito de vencerem o Torneio Integração. O Operário Carvalho, goleiro da Portuguesa Santista/SP; contratou Sidney, goleiro e Luis Carlos, zagueiro do Corinthians/SP; Xisca, lateral direito, do Cianorte/PR; Maciel, lateral esquerdo do São Bento/SP; Golê, médio volante do Comercial/SP e Roberto Bacuri, meia armador da Portuguesa de Desportos/SP; Tuta, ponta direita, do Marília/SP; Célio, centroavante do Vasco da Gama/RJ e Pio, ponta esquerda, do Palmeiras/SP.

O Comercial também esbanjou nas contratações. Contratou, inclusive, fez contratações internacionais. Do Paraguai, vieram o goleiro Higino Gamarra e o quarto zagueiro Jorge Carrara; do Rio de Janeiro, contrataram o meio de campo titular do São Cristóvão: Gonçalves e Ivo Sodré; o experiente ponta direita Copeu, com passagens por Palmeiras/SP e Sport Recife/PE e o centroavante Gil, que dois anos depois, seria contratado pelo Fluminense/RJ e chegaria a ser titular da Seleção do Brasil, onde ganhou da imprensa o apelido de “Búfalo Gil“, no Torneio da Independência dos Estados Unidos em 1976. Dos times do sul do Estado, a Sociedade Esportiva Industriaria, tal qual o Plameiras, de Cuiabá, disputou com um time modesto, de seu time titular, destacavam-se a jovem dupla de meio de campo, Paulo Cesar e Zé Coco, porque ainda engatinha até mesmo como time de futebol, já que havia sido fundada em 31 de janeiro de 1971, apenas dois anos antes da participação no torneio.

Abaixo, um resumão do que foram os jogos desse importante torneio realizado em Cuiabá no começo da década de 1970, que teve repercussão nacional:

Equipes Participantes:

Clube Esportivo Dom Bosco (Cuiabá)
Clube Esportivo Operário Várzea-grandense (Várzea Grande)
Esporte Clube Comercial (Campo Grande)
Mixto Esporte Clube (Cuiabá)
Operário Futebol Clube (Campo Grande)
Palmeiras Esporte Clube (Cuiabá)
Sociedade Esportiva Industriaria (Campo Grande)

Turno Único

14.01.1973 – Comercial 1×0 Industriária                                                                 Jogo de abertura da competição, a Federação Mato-grossense de Desportos/FMD, talvez querendo agradar aos campo-grandenses, marcou a realização da primeira partida para a cidade de Campo Grande.

Lance do jogo Comercial x SEI pelo Torneio Integração de 1973, no estadio Morenão. [Publicado na revista Placar, acervo de Joacir e do site clubenews].

21.01.1973 – Operário/VG 2×2 Palmeiras                                                                 Primeira partida do torneio realizada no estádio Presidente Dutra, o Dutrinha, onde a modesta equipe do Palmeiras surpreendeu o Rolo Compressor da Cidade Industrial, conseguindo empatar a partida.

28.01.1973 – Mixto 2×1 Industriaria                                                                         Local: Estadio Presidente Dutra; Juiz: Carlos Costa(RJ); Renda: CR$ 29.807,00; Gols: Pelézinho 3, Valdomiro (SEI) 22 e Filinto 33, 2° tempo.                                                    Mixto: Zé Rondonópolis; Felizardo, Gato, Carlos Martins e Luziano Adão; Glauco e Cunha; Pelezinho, Wilson “Fedegoso”, Filinto e Ruiter.                                                             SEI: Atanásio; Sabará, Américo, Bigode e Betinho; Ceará e Paulo Cesar (Zé Coco); Souza, Gaucho, Pagão e Dirceu (Zé Polula). Estreia do Mixto no torneio do qual terminaria como campeão, que acabou numa suada vitória, contra um time modesto e inexperiente. Porém, dessa partida em diante o time alvi-negro iria engrenar-se, atingindo seu ápice na última partida contra o Operário, de Campo Grande, o qual venceu por 2 a 1.

04.02.1973 – Dom Bosco 0×1 Operário/CG                                                             Jogo de estreia do Azulão da Colina no Torneio Integração e um fato lamentável aconteceu logo no começo do segundo tempo. Numa disputa de mola, maldosa, covarde e desnecessária, o médio volante Zé Mauro [que havia substituído Golê] com uma cotovelada, quebrou o nariz do lateral esquerdo Rildo, que precisou ser substituído e não jogou as duas partidas seguintes. O curioso, é que o árbitro do partida [naquela época, dizia-se: juiz] não deu nem cartão amarelo para o agressor.

Prognósticos da Seção Bolão da revista esportiva Placar sobre o jogo: Dom Bosco X Operário/CG, do Torneio Integração Presidente Médici , que também foi válido pela Loteria Esportiva [Todos os direitos reservados]

11.02.1973 – Comercial/CG 0x2 Operário/VG e Industriária 5×0 Palmeiras       Local: Estádio Pedro Pedrossian (Preliminar de Comercial X Operário-/VG); Juiz: Alan Chaves Raquel;                                                                                                      Industriaria: Américo; Sabará, Américo, Bigode e Betinho; Paulo Cesar e Zé Coco; Souza (Gaucho), Pagão, Dirceu e Zé Polula.                                                                            Palmeiras: Saldanha; Celso Paraguaio, Wilson Bozó, Gonçalo e Aladim; Orlando Apoitia e Admir Moreyra; Lúcio, Carlos, Isaac e Pelego.                                                          Rodada dupla no estádio Pedro Pedrossian, o Morenão. O Chicote da Fronteira foi ao sul do Estado e não tomou conhecimento do time da casa, vencendo bem a partida. O  Palmeiras, mesmo cheio de jogadores experientes, tomaram um vareio do inexperiente time da Industriaria.

Time da Sociedade Esportiva Industriária que disputou o Torneio Integração Presidente Médici em 1973, pulicado pela revista Placar [Acervo de Joacir e do site clubenews].

18.02.1973 – Mixto 1×0 Palmeiras                                                                          Depois de ser goleado em Campo Grande, o Periquito do Porto [porque do Porto? O Palmeiras nunca teve sede no bairro do Porto] endureceu e só perdeu por 1 a 0 para o forte time do Mixto, no Dutrinha.

25.02.1973 – Dom Bosco 2×1 Operário/VG                                                              E o Leão da Colina Iluminada, não ligou para a fama de rolo Compressor do Chicote da Fronteira e venceu bem o clássico local.

10.03.1973 – Operário/CG 0x0 Comercial                                                                 No clássico da Cidade Morena, tudo igual. Muita luta, gols perdidos e principalmente, muita pancada de ambos os lados e nada de gols.

18.03.1973 – Dom Bosco 1×1 Palmeiras                                                                    E o Palmeirinhas de Délio de Oliveira mostrava que era uma pedra no sapato dos times de Cuiabá. Após empatar com o Operário/VG, perder só por 1 a 0 para o Mixto, o time alvi-verde arrancou um empate do Dom Bosco. Ponto que fez falta ao Dom Bosco na contagem final de pontos ganhos.

25.03.1973 – Mixto 2×1 Comercial e Operário/CG 2×1 Industriária                       No estádio Presidente Dutra, o Mixto venceu até com certa tranquilidade ao Comercial de Campo Grande e no Morenão, em Campo Grande, o Operário/CG passou apertado pela Sociedade Esportiva Industriaria.

01.04.1973 – Operário(CG) 7×2 Palmeiras e Dom Bosco 3×0 Comercial              O Palmeiras Esporte Clube, que toda vida endureceu com os times da Capital, quando jogava com os times de Campo Grande só perdia por goleada. Foi goleado pela Industriaria na quarta rodada por 5 a 0 e pior ainda, foi a derrota para o Operário/CG, mesmo que o jogo tenha sido em Campo Grande: 7 a 2. No estádio Presidente Dutra, o Dom Bosco goleou o Comercial/CG até com certa facilidade. J. Alves, Celso e Waltinho, marcaram os gols do time cuiabano, que jogou com: Saldanha; Luis Carlos, Paulo Cezar, Miro e Rildo; Adalberto e Marinho (Waltinho); J. Alves, Jorge Cruz, Celso e Joílton.

04.04.1973 – Comercial 4×1 Palmeiras                                                                     O encardido Palmeirinhas, que conseguiu tirar pontos de Operário/VG e Dom Bosco, fez a alegria dos times de Campo Grande. Foi goleado por todos eles.

08.04.1973 – Operário(VG) 2×1 Industriária                                                           No estádio presidente Eurico Gaspar Dutra, em Cuiabá, jogo tenso, difícil, mas o Operário de Várzea Grande conseguiu passar pela Industriaria.

Prognósticos da Seção Bolão da revista esportiva Placar sobre o jogo: Operário/VG X SEI, do Torneio Integração Presidente Médici , que também foi válido pela Loteria Esportiva [Todos os direitos reservados]

15.04.1973 – Dom Bosco 2×0 Mixto                                                                           No Clássico “Vovo de Cuiabá“, deu Dom Bosco. Mesmo tendo vencido o futuro campeão do torneio, para o time mais antigo de Cuiabá em atividade, o ponto perdido para o Palmeiras fez falta na contagem final e o Dom Bosco ficou apenas na terceira colocação.

22.04.1973 – Mixto 2×1 Operário(CG)                                                                      Local: estadio Presidente Dutra; Juiz: José Mário Vinhas(SP); Renda: Cr$ 38.630,00; Gols: Ruiter 11, Renê 34 e Elson (Ope/CG) 44, 2° tempo.                                                Mixto: Joel; Paulo Roberto, Felizardo, Japonês e Jaburu; Rômulo e Ruiter; Renê, Filinto, Nato e Cardosinho.                                                                                              Operário-CG: Carvalho; Cisca, Beto Túlio e Maciel; Zé Mauro (Toninho) e Roberto Bacuri; Tuta, Pinho, Elson e Luis Carlos.                                                                                    No primeiro confronto entre os principais alvi-negro do Estado, à partir da profissionalização dos times de Campo Grande em 1972, o “Tigre  da Vargas” depenou o “Galo Carijó“. Cuiabá venceu Campo Grande. Jogo parelho, o Mixto contou um pouco com “a sorte“, mas venceu o jogo.

29.04.1973 – Dom Bosco 3×1 Industriária                                                               O experiente time do Dom Bosco venceu com facilidade ao inexperiente time campo-grandense. A Industriaria venceu somente ao Palmeiras e perdeu todos os seus outros jogos.
01.05.1973 – Operário(VG) 1×2 Operário(CG)                                                            No clássico dos Operários, venceu o de Campo Grande. Apesar de ter jogado no estádio Presidente Dutra e ter contado com o apoio das torcidas do Mixto e do Dom Bosco, o Tricolor da Fronteira não conseguiu vencer seu homônimo.

06.05.1973 – Mixto 2×1 Operário(VG)                                                                      Abatido pela derrota sofrida para o Operário de Campo Grande, na rodada anterior e já sem nenhuma chance de ser ao menos vice-campeão do torneio, o Operário-VG voltou a perder e pelo mesmo placar da última derrota.

Classificação Times J V E D Gp Gc Gp
Mixto 06 05 00 01 09 06 10
Operário/CG 06 04 01 01 13 06 09
Dom Bosco 06 04 01 01 11 04 09
Operário/VG 06 02 01 03 09 09 05
Comercial/CG 06 02 01 03 06 08 05
Industriaria 06 01 00 05 09 10 02
Palmeiras 06 00 02 04 06 20 02

 

Campeão – Mixto Esporte Clube (Cuiabá – MT)

Fonte: Arquivos de Sérgio Santos; revista esportiva Placar e Wikipédia

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