Por gratidão, Chapecó faz festa para adversário colombiano em final

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Homenagens da cidade de Chapecó ao time do Alético Nacional da Colômbia {Divulgação]

Atlético Nacional teve homenagens antes do confronto contra a Chape pela Recopa

LUIZ COSENZO                                                                                                             DE SÃO PAULO

RAFAELA MENIN                                                                                                                             EM COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE SÃO PAULO EM CHAPECÓ

Nostalgia e tristeza“. Assim o técnico do Atlético Nacional, Reinaldo Rueda, definiu à Folha de São Paulo o sentimento que esperava encontrar em Chapecó para o jogo desta terça-feira (04.04), as 19H15, pela final da Recopa Sul-Americana, vencido pelo time brasileiro por 2 a 1.

Sobreviventes do voo trágico da Chape, no centro os jogadores, Jackson Follman e Alan Russel {Divulgação]
Sobreviventes do voo trágico da Chape, o jornalista Rafael Henzel, e os jogadores Jackson Follmann (com a perna amputada) e Alan Russell (o mais alto, com o microfone nas mãos). [Divulgação]
A tristeza esperada por Rueda, porém, foi transformada em gratidão aos colombianos pelos atos de carinho após a tragédia de novembro de 2016, que vitimou 71 pessoas, incluindo 19 jogadores e 24 membros da delegação do time catarinense na região de Medelín, na colômbia.

Rival em campo nesta terça pelo título da Recopa Sul-Americana, a equipe foi recebida com festa e homenagens em Santa Catarina.

A chegada do clube em Chapecó teve condecorações oficiais e carinho dos torcedores locais. A aeronave que transportou a delegação do Atlético Nacional e o prefeito de Medelín, Frederico Zuluaga aterrisou no aeroporto Serafin Enoss Bertaso, em Chapecó.

O avião foi recepcionado por um tradicional jato d’água.  Ao descer, os colombianos passaram por um corredor de bandeiras ao som da banda da Policia Militar e de boas-vindas de aproximadamente 100 pessoas.

Jogadores e funcionários do Atlético Nacional receberam medalhas, entregues por Rafael Henzel, jornalista sobrevivente do voo da LaMia, e pelo prefeito da cidade catarinense, Luciano Buligon.

O roteiro de homenagens teve sequencia na terça. A prefeitura de Chapecó decretou ponto facultativo Escolas, universidades e comércio fecharam as portas em razão da partida.

Antes e durante o confronto na Arena Condá, torcedores da equipe catarinense agradeceram aos colombianos

Eles organizaram uma concentração, as 14H00 da terça-feira na praça central da cidade. De lá, caminharam quatro quadras em direção à Arena Condá. Em seguida, as homenagens se concentraram dentro do estádio, em três momentos: antes, no intervalo e após a partida.

Um dia após o acidente, a torcida colombiana homenageia o time brasileiro. [Divulgação]
Um dia após o acidente, a torcida colombiana homenageia o time brasileiro. [Divulgação]
Um dia após o acidente, em novembro, o Atlético Nacional organizou uma cerimonia no estádio Atanásio Girardot no horário em que estava previsto o primeiro jogo da final da Copa sul-Americana. O local ficou lotado.

Para receber a partida o seu estádio com capacidade para 22 mil torcedores, o time catarinense precisou de uma autorização especial da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol). A regra da entidade veta finais em locais com menos de 40 mil lugares.

O técnico em Informática Eliandro Minski, garantiu presença na Arena às 18H00. A escola em que ele trabalha teria aulas à noite, mas decidiu suspende-las. Os alunos e colaboradores foram dispensados às 17H30 par acompanharem as homenagens e o jogo. “Aprendi a amar a Chapecoense desde criança por influencia de meu pai. Hoje, quando tem jogo e consigo ir, fica o sentimento de ausência. O jogo contra o Atlético foi uma mistura de sentimentos: saudades dos que se foram e gratidão por quem nos consolou e foi solidário. Mas com a bola rolando voltamos a sentir a emoção de torcer a cada minuto, a cada lance, cada chance de gol“, disse Eliandro.

O técnico da Chapecoense, Vagner Mancini, soube diferenciar o que é festa, solidariedade de um jogo de futebol “Os atletas estavam cientes do que precisavam fazer“, disse o técnico, contratado em dezembro para reestruturar o time.

Rueda também seguiu a mesma linha “Irmandade continua fora de campo, mas em campo foi um jogo com intensidade de final“”.

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