O FIM DO DUTRINHA, SERÁ O MESMO DOS CASARÕES HISTÓRICOS DO CENTRO ANTIGO

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Tal qual um paciente do SUS que agoniza no chão do corredor de algum Pronto Socorro de Mato Grosso, o estádio Presidente Dutra agoniza vitima do descaso de nossos governantes

O Estádio Presidente Eurico Gaspar Dutra foi o segundo estádio de Cuiabá. O primeiro foi o “Estádio do Comércio“, hoje nos fundos do Colégio Liceu Cuiabano. O “Estádio do Comércio” foi criado pelo desportista Manoel Soares de Campos (pai do ex-governador e ex-prefeito de Cuiabá Frederico Campos), que inaugurou a praça esportiva no dia 7 de setembro de 1936, na Praça General Mallet.

Campo do Colégio Estadual Liceu Cuiabano, que foi o primeiro estádio de futebol de Cuiabá-entre as décadas de 1920 e 1940. [Arquivo particular]
Campo do Colégio Estadual Liceu Cuiabano (antigo Campo do Comércio), que foi o primeiro estádio de futebol de Cuiabá – entre as décadas de 1920 e 1940. [Arquivo particular]
O Dutrinha foi construído só em 1952, com a construção das instalações do Colégio Liceu Cuiabano, em 1944, inviabilizou as disputas dos campeonatos ali realizados, pelas dificuldades que os desportistas encontravam em utilizar o Estádio do Comércio, que passava a fazer parte do Colégio Liceu, recebendo o apelido de ‘Estádio do Colégio Estadual‘. O impasse criado despertou nos desportistas o interesse da necessidade da construção de um novo estádio, que seria o Estádio Presidente Dutra.

O Dutrinha foi o principal palco do futebol mato-grossense até a inauguração do Verdão, em 1976. O Estádio Dutrinha é sem dúvida o local de maior identificação do Mixto Esporte Clube, que ali viveu grandes momentos de sua história. A característica mais marcante do “velho” Dutrinha é a proximidade da torcida com os jogadores em campo.

Estádio Governador José Fragelli, o Templo Máximo do futebol mato-grossense, responsavel pela 'época de ouro' do nosso futebol. [Pesquisa por imagem]
Estádio Governador José Fragelli, o Templo Máximo do futebol mato-grossense, responsavel pela ‘época de ouro’ do nosso futebol. [Foto: Pierre]
A doação do terreno onde se construiria o Dutrinha, entre as Rua Joaquim Murtinho – Praça Benjamin Constant, e Rua 13 de Junho, com uma área de 25.650m2, foi feita pela Prefeitura Municipal de Cuiabá, através do Prefeito Leonel Hugneney, à Federação Mato-grossense de Desportos – FMD (antigo nome da Federação Mato-grossense de Futebol – FMF), ao Dr. José Monteiro de Figueiredo, presidente da entidade, no dia 02 de fevereiro de 1950.

Para o jornalista Daubian (Jornal Estado de Mato Grosso 31/01/1952), “a iniciativa da construção do Estádio Presidente Dutra, deve-se aos abnegados desportistas Álvaro Miguéis, então presidente da FMD e Lenine de Campos Póvoas, que iniciaram a construção do muro do futuro “maracanã cuiabano“, denominação dada na época, face à recente construção do Estádio do Maracanã no Rio de Janeiro para a realização Copa do Mundo de 1950.”

Destaca ainda o jornalista que: “com a sucessão na FMD do presidente Álvaro Miguéis, pelo Dr. José Monteiro de Figueiredo, este consegue por intermédio do deputado federal de Mato Grosso, Dr. João Ponce de Arruda, junto ao General Eurico Gaspar Dutra, então Presidente da República na época, um recurso de Um Milhão de Cruzeiros para a conclusão das obras do referido estádio.” Afirma ainda que “em substituição ao Dr. José Monteiro de Figueiredo, na presidência da entidade, assume o Prof. Lenine de Campos Povoas, dando continuidade ao trabalho desenvolvido pelo seu antecessor, finalizando, portanto, as obras de construção do considerado na época o maior estádio de futebol do oeste brasileiro“.

Com relação a sua inauguração, existem relatos que o Presidente Dutra esteve em Cuiabá em 1952, para a inauguração do Estádio e constatando que o imóvel não fora construído conforme previsto no projeto, um Mini-Maracanã, recusou-se a inaugurá-lo, retornando imediatamente para o Rio de Janeiro, a capital brasileira.

O Estádio Presidente Dutra, agora pertencente a prefeitura de Cuiabá, foi declarado “Tombado como Patrimônio Histórico de Cuiabá-MT“, pela Lei Municipal 2.761 de 25/05/1990, de autoria do vereador Emanuel Pinheiro, atual prefeito, como forma de preservá-lo.

Pessoas com mais de 40 anos, certamente se lembram de alguns jogos que ficaram marcados na memória e nas lembranças de muitos torcedores que tinham por hábito, todo domingo à tarde sentar nas arquibancadas ou ficar de pé nas gerais, para torcer por seus times do corações.

Lance do jogo, Dom Bosco X Vasco da Gama, em 1971, no Dutrinha. [Pesquisa por imagem]
Lance do jogo, Dom Bosco X Vasco da Gama, em 1971, no Dutrinha. [Pesquisa por imagem]
Por exemplo, em maio de 1971, quando o Dom Bosco recebeu o Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, jogo vencido pelo time cruzmaltino, em que o time carioca entregou as faixas de campeões para o time alviceleste; em 1973, a goleada do Azulão da Colina Iluminada sobre o Mixto por 5 a 1, com três gols de Carlos ‘Macaco’ ou 1974, quando o Atlético Mineiro veio jogar no Dutrinha e goleou o Operário por 4 a 1.

Zé Polula, ponta direita do Operário; Vanderlei e Romeu, do Atlético Mineiro. [Pesquisa por imagem]
Zé Polula, ponta direita do Operário; Vanderlei e Romeu, do Atlético Mineiro. [Pesquisa por imagem]
Entre 2010 e 2014, o estádio virou o principal estádio da capital, já que o estádio Verdão foi demolido para a construção da Arena Pantanal para a Copa do Mundo FIFA de 2014. Os clubes da capital como o Mixto e Cuiabá jogaram no estádio pelo estadual e pelo nacional.

Em março de 2015 o Dutrinha foi fechado para uma reforma, deixando a Arena Pantanal como único estádio disponível. A conclusão das obras foi atrasada por falta de verbas e ainda estava pendente no ano seguinte. O estádio nunca passou por uma verdadeira reforma, são apenas reparos emergenciais e paliativos e os problemas sérios nunca foram resolvidos.

Com as fortes chuvas que caíram nos últimos dias, uma parte do muro do estádio caiu. Do lado do gol em que costumavam ficar as torcidas de Mixto e Dom Bosco. A sociedade cuiabana espera que o atual prefeito, Emanuel Pinheiro, que como vereador foi o responsável pela lei que transformou o estadio em Patrimônio Histórico de Cuiabá, olhe com mais carinho para essa praça esportiva que pode ser a salvação para o nosso futebol profissional, se for devidamente cuidado, pois hoje, nossos clubes só tem prejuízo se jogar na Arena Pantanal.

Veja abaixo imagens do estado atual do Dutrinha:

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