Morro do Tambor/Dom Aquino – Pessoas que são sempre lembradas: Onildo Cruz [João Bobo]

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Histórias de “espertezas” de funcionários do DERMAT ouvidas e vividas por quase 40 anos lotado nesse órgão da Administração  Publica Estadual

CUIABÁ – Onildo Cruz, mais conhecido pelo apelido de João Bobo, morador desde quando era solteiro do bairro Morro do Tambor, que a partir de 1973 [por força do Decreto Lei Municipal 1.315/1973] passou a denominar-se DOM AQUINO, foi casado com dona Isabel e tinha, se não me falha a memória, três filhos. Lembro-me que sua filha mais velha trabalhou também no DERMAT, na Seção de Protocolo. Seu nome, me parece, era Onilza. João Bobo foi uma das figuras mais conhecida do bairro, principalmente por ser servidor do antigo Departamento de Estradas de Rodagem de Mato Grosso/DERMAT e por dirigir uma carreta enorme, coisa rara nos anos da década de 1960 e 1970.

Identificação na fachada da antiga sede CER-MT na Rua Major Gama.  [Foto: Joacir H. de Amorim]

Admitido em 07.04.1958 como motorista pela mais antiga ainda Comissão de Estradas de Rodagem/CER-MT que alguns anos mais tarde viria a se chamar DERMAT, e que atualmente é a Secretaria de Infraestrutura Estado de Mato Grosso/SINFRA-MT, logo qualificou-se para para dirigir carretas e desse modo viajava muito, por todo interior de Mato Grosso que nessa época possui 14 Residências Rodoviárias, as REROS.

João Bobo“, um apelido que ganhou justamente por ser muito esperto, foi uma figura folclórica entre seus colegas. Todos tinham uma estorinha sobre ele para contar, principalmente os motoristas. Mas era uma pessoas muito querida e popular dentro do órgão. Na verdade, as estórias sobre ele não podem ser contadas publicamente por serem do tipo, piadas de Boccage ou do comediante Costinha.

O ano era 1983, 0 local o SEMEC [Serviço de Equipamento Mecânicos] a oficina do DERMAT por volta de 10H30. João Bobo saia tranquilamente do galpão indo funcionava o Almoxarifado, de onde havia retirado um conjunto de juntas de motor de caminhão, umas três de latas de óleo lubrificante de motor e mais alguns itens e levava tudo nos braços em direção ao portão de entrada e saída de funcionários, já que seu carro, um possante Ford Corcel verde, fabricado na década de 1970 estava estacionado.

Quando chegou em frente ao escritório da administração do SEMEC, deu de cara com o Engenheiro Gonçalo da Penha, Coordenador do local que já conhecendo a fama de esperto de João Bobo, perguntou-lhe: “João, onde é que você vai com tudo isso aí?”, e ele calmamente respondeu: “É para o meu carro [a carreta]”. Cadê a requisição? [cópia que era dada ao motorista, tipo um recibo do que retirava da oficina]. “Os meninos vão fazer mais tarde“, disse João Bobo à Gonçalo. Este, não se deu por satisfeito e disse: “João, leva tudo de volta, pega a requisição e leva para eu ver“…”Sim, senhor!“, disse ele, que simplesmente deu a volta ao prédio do escritório e saiu pelo portão de entrada e saída de veículos. Essa passagem, Eu presenciei. Entrei para o DERMAT quando sua sede ainda era na Rua Major Gama [a entrada], com a saída para a Avenida da Prainha. Em março de 1981 mudamos para as instalações lá no bairro Carumbé.

Dona Margarida de Jesus, que conheceu Onildo pessoalmente.    [Foto: Joacir H de Amorim]

Conforme depoimento de dona Margarida, irmã de Joana Jesus dos Reis [fundadora da CASA DA MÃE JOANA], João Bobo quando recém casado, morou na casa da mãe dela na mesma Rua São Cristóvão, onde adquiriu um lote e construiu sua casa e que sua mãe nunca quis cobrar-lhe aluguel, mas que ele prometeu e cumpriu que assim que terminasse sua obra a recompensaria por estar ajudando-o. Ela disse ainda, que toda sua família tinha muita estimação por ele, que era uma ótima pessoa, muito trabalhador e sempre pronto a ajudar a quem precisasse.

Por 30 anos, entre as décadas de 1960 e 1980, tudo nas repartições públicas, tanto nas federais, como nas estaduais e municipais, tudo era muito à vontade, tudo era farto, mas um dia misturaram o serviço público com politica partidária e as coisas viraram essa vergonha que assistimos nos dias de hoje diariamente. Nesses anos, nenhum servidor viajava sem o dinheiro das diárias nos bolsos, depois da mistura acima citada, o servidor não só viaja sem receber diárias, como tem que custear do próprio bolso suas despesas com locomoções à serviço.

Nessa época boa, em que se fazia muitas viagens, contava-se que para ir de Cuiabá à Cáceres, João Bobo saia de Cuiabá com todos os pneus da carreta zerinhos e quando voltava, eles estavam totalmente carecas [isso, levando-se em conta, que naquele tempo as estradas não eram pavimentadas]. Também era costume, os motoristas carregarem tambores de 200 litros cheios com combustível de reserva, ele carregava sempre cinco desses tambores e saia com os tanque da carreta, também cheios e ainda não eram suficientes para ir e voltar.

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