Morro do Tambor/Dom Aquino: Saudades de uma época em que “apelidos” serviam apenas para diferenciar pessoas homônimas

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CUIABÁ PRESS – No século passado, a partir da década de 1950 [nasci no ano de 1958], até o final década do século XX [2000], os apelidos¹ eram muito comuns e tinham como finalidade diferenciar pessoas com nomes iguais. Infelizmente, novo século, XXI, chegou trazendo o avanço das ideias e ideais alinhados com o modo de agir e de pensar de grupos, de pessoas e principalmente de partidos políticos à esquerda, ao comunismo, que estão simplesmente destruindo a fé, as tradições a moral e os bons costumes.

E muito pior do que tudo isso, querendo enfiar “goela abaixo” de uma população demais de 200 milhões de pessoas, onde muito mais do que a maioria cultivam a fé cristã, a tradição, a moral e os bons costumes desde a época do descobrimento do Brasil a legalização do uso de drogas ilícitas, do aborto e a ideologia de gêneros.

Temos aqui em Cuiabá, exemplos de pessoas que se eternizaram em função de apelidos, como por exemplo, Maria Taquara, Mãe Bonifácia, Jejé, Antonio Peteté ou Zé Bolo-flô, Tuffica, Maria perna grossa, Maria Preta que não se importavam em ser chamados dessa forma [pelo menos os que cheguei a conhecer pessoalmente, Jejé, Peteté e Zé Bolo-flô]. Havia ainda os que não gostavam, como, Cobra Fumano, General Saco, Macaco, Víbora, Pau-oco e Tchá Onça.

No antigo bairro Morro do Tambor, atual bairro Dom Aquino, onde vivi minha infância, adolescência e parte da juventude [me casei em dezembro de 1984, aos 26 anos e me mudei do bairro], era mais do que normal as pessoas ter apelidos. Estes serviam para diferenciar pessoas com nomes iguais ou para ressaltar um defeito ou uma ação que caracterizava a pessoa, como por exemplo, Galo Cego [filho de seo Eraldo] ou Ni Galo manco. Um tinha problema em um dos olhos e outro em um braço e em uma perna. 

Alguns não suportavam e outros não ligavam para as “alcunhas”. Martha não gostava que a chamassem por sapinho, arvoredo ou então se a gente dissesse “Martha pariu três gatos”. Batú, irmão de Martha, odiava quando alguém dizia: Solta o galo! Tinha uma senhora, que não me recordo o nome que a gente chamava de “bosta”. A gente chegava perto dela e dizia “Puta merda, pisei na bosta”, podia sair marcando 1000, senão levava pedradas. Galo cego e Ni Galo manco, não gostavam de ser chamados assim. Pito acesso, seo Mané “porco”, Zé Pinguela  ou Nhonho “macaco”.

Já Zé garrucha, Dito “morte”, Hélio “cabeção”, Peró pão doce, Peró goiabinha, Sombra, Dito pinga, Dito sujeira, Dito cai-calça, Mário papa-ovo, Búfalo, Lourdes “bunda de elástico”, Sebastião preto, Chico cachorra, João “cu duro”, Guilherme “cu de concreto”, Tetê Capeta, Crioulo, Groza, não importavam com os apelidos.

Os apelidos diferenciavam as pessoas com nomes iguais, por exemplo: José ⇒ Zeca, Zequinha, Zeca “Bife” ou Juca, Juca pezinho. José Luiz ⇒ Zé lampinha, Zé Colmeia, Zé Jabuti, Zé garrucha, Vitor ⇒ Vitinho sete bundas, Maria ⇒ Maria do poço, Maria beicinho, Maria galinha.

E havia também pessoas com apelidos que se tornaram notórias por ser “fora da lei”, Lampião e Maria bonita, Corisco e Dadá, o Bandido da luz vermelha, Madame Satã, Mão branca [que pode ter sido mais de uma pessoa ou até mesmo um grupo de pessoas], Chico picadinho, Mineirinho, Dito Garrote. Infelizmente, nos dias atuais é uma frescura, um mi-mi-mi nojento…

¹ APELIDO: Denominação dada à alguém devido a uma particularidade ou defeito; alcunha, cognome; e também nome de família, sobrenome.

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