MORRO DO TAMBOR/DOM AQUINO: PODRÓ, XEXÉO E ALISEU…OS DONOS DO BRASIL.

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CUIABÁ – Nos anos da década de 1970, a Rua Major Gama terminava na Rua Fernando Ferrari. Chegando naquele “T”, se a pessoa tivesse a intenção de chegar na continuação da rua à partir da Rua das Flores [atualmente Rua Irmã Elvira Paris] tinha que virar à esquerda e caminhar até o final da Avenida Dom Bosco pegar a Rua das Flores até o ponto onde continuava a rua Major Gama no sentido Areal, Aldeia e Campo Velho ou virar à direita, caminhar até à rua Cônego Pereira Mendes, virar à esquerda e na Rua das Flores [na esquina ficava o bar de seo Cací] e ma mesma forma caminhar até o ponto onde prosseguia a rua Major Gama.
Era preciso fazer essas voltas porque entre as ruas Fernando Ferrari e Irmã Elvira Paris havia casas. A abertura da rua para contornar esse problema só aconteceu em 1979, quando as ruas bairro foram pavimentadas. Nesse treco moravam umas três família, mas quem mandava mesmo ali era dona Toni. Havia um caminho com uma cancelinha que passava ao lado da casa dela. Quando ela estava de bom humor todo mundo que precisasse passava de boa, mas quando ela não estava de bom humor, não passava ninguém e alguém tentasse passar sem sua autorização entrava na vassourada. Também no terreno de dona Toni havia um poço, e pegar água lá também era da mesma forma que a travessia.
Ali, naquela esquina onde na época terminava a Rua Major Gama, que era só cascalho e após as chuvas que caiam com frequência naquela época formavam pequenas valetas na beira da rua onde tanto adultos com crianças procuravam ouro, do lado esquerdo ficava a casa de dona Conceição e do lado direito era a casa de seo Amarílio [que atualmente é o Armazém Brasília] ao lado ficava a casa de dona Vigí, mãe de Fifio, autor das alcunhas do trio do título da postagem, quando proferiu a frase: “O Brasil de Podró, de Xexéo e de Aliseu“.
Podró” cujo nome de batismo era Laércio, filho mais velho de dona Maria Luzia que morava próximo da Escola Maria Eliza Bocaiuva Correa da Costa, o Grupinho, jovem e forte até uma certo período de sua vida viveu normalmente, trabalhando, mas foi vencido pelo vício em bebida alcoólica, da qual fazia uso desde muito cedo. Jovem ainda, abandonou tudo e passou a viver em função de seu vicio, até que um dia foi levado por seo Helio Ramalho para um sitio de sua propriedade na localidade de Bocaina e após ficar lá uns tempos, um final de semana ao chegar no local encontrou Laércio morto, sentado em uma cadeira de fio.
Xexéo ou Augusto, morava em uma casa nesse terreno que dividia a Rua Major Gama. Xexéo também começou muito cedo no vício da bebida alcoolica, não me recordo os nomes dos pais dele, mas lembro-me que ele tinha um irmão chamado Edmílson com apelido de “Mitcho”. O pior é que Xexéo além do vício em álcool, adquiriu também o vício em maconha. No começo dos anos 70, havia dias em que ele ficava fora de si em quebrava coisas em casa, estragava alimentos, a policia era chamada e isso causava espanto geral nos moradores que não eram acostumados com acontecimentos dessa natureza. Não faço ideia de quando ocorreu, mas Xexéo faleceu já faz bastante tempo. Era um talento para jogar futebol. Se tivesse tido uma formação diferente tinha tudo para ser um dos maiores jogadores da história de nosso futebol. Seu domínio e controle de bola eram fantásticos, talvez um jogador famoso que possa nos dar uma ideia de como Augusto era jogando bola, posso compara-lo tranquilamente com GERALDO, aquele meia armador do Flamengo que morreu aos 22 anos, quando fez uma operação de amígdalas e seu corpo reagiu à anestesia.
WalterCaolho” ou Aliseu, como sentenciou Fifio, era uma pessoa muito divertida e extrovertida, exímio colocador de apelidos, mas que também desde cedo entregou-se ao vício da bebida alcoolica. Muito alegre, era querido pelos moradores do Morro do Tambor. Filho de uma senhora que era evangélica, mas tinha um gênio muito ruim e de seo Lírio que era servidor estadual lotado no DERMAT. Walter foi funcionário da CEMAT acho que por uns vinte anos e a última vez que nos encontramos foi no Centro de Cuiabá em frente à agencia dos Correios, ainda nos anos 90, conversamos por uns 20 ou 25 minutos, pois estávamos esperando ônibus e nunca mais eu o vi. Walter também já faleceu faz tempo.
Fotos: Quadra da escola Eliza Bocaiuva onde joguei bola muitas vezes com Podró, Xexéo e Aliseu [inclusive a casa que Laércio morava ficava bem em frente a essa quadra] e a Rua Fernando Ferrari próximo das casas onde Xexéo e Walter “Caolho” moravam. [Acervo de Joacir H. Amorim].
Quadra da escola Eliza Bocaiuva onde joguei bola muitas vezes com Podró, Xexéo e Aliseu (a casa em que Laércio morava é aquela azul, atrás da trave).   [Foto: Joacir H. de Amorim].
Bar de seo Lito, um dos pontos de encontro preferido do trio: Podró, Xexéo e Aliseu.[Foto: Joacir H. de Amorim]
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