Morro do Tambor/Dom Aquino: Pessoas que são sempre lembradas: Os bad Boys Groza e Criolo

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Pessoas do Morro do Tambor/Dom Aquino que estarão sempre nas lembranças de quem vive ou viveu no bairro
Nos anos da década de 1970, o Morro do Tambor teve muitos moradores que ficaram nas nossas lembranças até aos dias atuais. Caso dos verdureiros seo Nilo “Boi” e Joaquim “Tchero”, os charreteiros Mauricinho e Pau Oco, o marceneiro Zé Pinguela, Martha que por mais de 10 anos desfilou na Ala das Baianas da Escola Pega no Meu Coração e vários outros.
Vamos relembrar uma dupla que também não sai da lembrança de ninguém que mora ou morou no Morro do Tambor: Groza e Críolo, os quais conheci pessoalmente. Groza era irmão de Severino que foi por vários anos jogador do Mixto Esporte Clube e também chegou a ser jogador profissional, atuou no Campinas Esporte Clube já extinto cuja passagem pelo nosso futebol profissional foi de 1967 à 1971, tempo que durou a carreira de Groza.
Ao contrário de Severino que com o fim Campinas foi para Mixto e ainda ingressou na Policia Militar de Mato Grosso, Groza entregou-se ao vício da bebida alcoólica e passou a viver exclusivamente de pescaria. Até o final dos anos 80 o rio Cuiabá era limpo e tinha muito peixe, isso é comprovado por meio de milhares de fotos e videos que vemos na internet.
Que eu saiba, Groza foi assassinado ainda nos 90 na beira do rio Cuiabá em um de seus dias de pescaria, com uma de suas próprias facas que costuma carregar. Ele andava com uma sacola de compras com seus apetrechos de pesca e umas seis facas [do tipo peixeira], de vários tamanhos com as quais ele costumava brincar com as pessoas abrindo a sacola, mostrando as facas e perguntando: “Com qual você quer morrer?”.
No começo do deste ano, conversando com o senhor Marcondes, Nhôgo, que foi goleiro do time do Campinas na mesma época em que Groza e Severino atuaram lá, bem como Gercilene Rodrigues Arruda e Silva garantem que Groza estaria vivo e morando aqui em Cuiabá em um lugar chamado de Beco do I.A.P.I., em companhia de Renilda, filha de dona Jorgina e seo Sigarino. Sinceramente não lembro onde fica ou ficava esse lugar.
Groza morava na Rua Major Gama [sentido Centro-bairro] na esquina com a Rua Pimenta Bueno e no quintal da casa dele tinha um poço onde o pessoal do Morro do Tambor descia para pegar água, já naqueles tempos ainda não havia água encanada.
A família de Groza era de boleiros. Além de Severino tinha também Zé Conceição que jogava muito. Não me recordo se foi profissional, mas jogou um bom tempo na Ponte Preta do Morro do Tambor, time amador.
Já Criolo morava na Rua Fernando Ferrari e quase na esquina com a Rua Major Gama, poucos metros adiante. Também era escravo do vício do álcool e pescava o suficiente para vender e manter seus vícios, pois também fumava. Morava com sua irmã e Abel “Dedé” e uma mocinha que não recordo o nome. Por volta de nove, nove e meia da manhã, todos os dias eles iam para o Porto pescar. Ou Groza subia o Morro e passava na casa de Criolo ou Criolo descia e passava na casa de Groza. Era a rotina deles. Eu me encontrava com eles quase todos os dias de manhã ou no bar de seo Osvaldo no Morro ou no Ferrinho na Rua Pimenta Bueno, molhando a palavra antes de pegar no batente.
A respeito de “Abelzinho” como Criolo o chamava, Carmindo B. Salgado “Mindo” lembrou que: “O pai dele, eu não conheci [eu também nunca ouvi falar nada sobre o pai de Dedé]. Mas a mãe dele, convivi com ela, ele [Abel] tinha uma irmã. No momento, eu esqueci os nomes da mãe e irmã dele. Vou informar e depois passo para você. E criolo era tio dele, ‘O pescador’. Eles morava ao lado da casa de seo Amarílio, que era feita de tábua. Eu e Dedé vendia jornais e jogava bola juntos. Dedé era um excelente jogador de futebol-pelada“.
Pois é moçada, um pouquinho dos personagens que povoaram o osso querido MORRO DO TAMBOR que a gente sente saudades ao lembrar!!!
Fotos: 1ª) Bar de seo Osvaldo, onde Criolo e Groza costumavam molhar a palavra; 2ª) Mindo que foi colega de trabalho de Dedé, sobrinho de Criolo; 3ª) Rua Fernando Ferrari próximo à casa de Criolo. [Acervo de Joacir H. de Amorim]
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