Morro do Tambor/Dom Aquino – Lugares inesquecíveis: Ponte do Mandrulho e Ponte da Serpente

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As pontes que existiram nos antigos bairro Do Terceiro, Barcelos e no decorrer do Córrego Prainha

CUIABÁ/MT – No limiar do século XX [por volta da década de 1920], quando os moradores do Centro de Cuiabá [Centro Histórico] consideravam os bairros da margem esquerda do Ribeirão Prainha como apartados da Cidade, região central, os moradores dos bairros Barcellos, Ana Poupino e Couto Magalhães, inclusive pessoas de destaques como Guerrisse Barbieri & Cia Figueiredo, Rosa & Cia, major Firmo José Rodrigues e outros endereçaram ao senhor Intendente Geral do Município uma representação solicitando a construção de uma ponte sobre o córrego ou valo, que facilitasse a comunicação entre os bairros citados e o 2º Distrito [na época, bairro do Porto]. Veja abaixo, a [integra do documento enviado ao intendente Geral de Cuiabá.

Documento encaminhado por moradores solicitando construção de ponte na Rua Vasco da Gama, atual, Antonio Caetano Santana, no bairro Barcellos, hoje Dom Aquino. [publicado no jornal O Republica, Fruto de pesquisa do historiador Francisco das Chagas Rocha e Administrador do Grupo Cuiabá/MT de Antigamente, no Facebook]

Após concluída, dessa ponte nasceu uma lenda que veio a tornar essa obra bastante conhecida dos moradores cuiabanos, em particular dos moradores dos bairros que vieram a formar o atual bairro Dom Aquino, como Ponte da Serpente ou Ponte do Homem Morto. De acordo com a tradição oral de moradores mais antigos do bairro, os apelidos dados a essa ponte foi em função de um poço, muito fundo, que havia nas proximidades de  uma das cabeceiras dessa ponte. Essa ponte ficava localizada sobre o Córrego Prainha e unia a rua Antonio Caitano Santana com a Avenida XV de Novembro, onde por muitas décadas em um casarão funcionou o Abrigo dos Velhos.

Nesse poço, segundo os moradores mais antigos, teria vivido uma enorme cobra que teria pequenas patas e asas [mais ou menos como os Dragões das lendas chinesas] o que lhe permitia alcançar qualquer pessoa ou animal quando ela saia em busca de alimentos, que teria dado origem ao nome de Ponte da Serpente. E quanto ao nome Homem Morto, seria por causa de um homem que foi morto dentro do córrego Prainha e deixaram-no sentado em uma pedra na beira do leito do córrego, com os pés dentro d’água, como se estivesse descansando ou dormindo. Esse homem ficou ali naquele local e naquela posição por dois dias até que perceberam que o mesmo estava sem vida.

Outras pontes

Em Cuiabá, até em função de sua fundação e crescimento às margens do Córrego Prainha e do Rio Cuiabá, existem várias pontes algumas que ficaram bem conhecidas. Contando as três mais antigas [a ponte Júlio Muller no Porto, a Ponte Nova em Várzea Grande e a sobre o Rio Coxipó, que era de ferro e veio da França ou da Inglaterra] na Avenida Fernando Correa da Costa. Somente sobre o ribeirão Prainha, havia pelo menos 15 pontes até quando da canalização do córrego nas décadas de 1970 e 1980.

Ainda no extinto bairro Do Terceiro, havia uma ponte que ligava o bairro Ana Poupino ao Rio Cuiabá, passando por dentro do antigo bairro Do Terceiro. Essa ponte ficou famosa com o nome de Ponte da Malária. O nome pegou em função de um órgão publico [que não consegui identificar se estadual ou municipal] que combatia a doença conhecida como Malária. A sede do órgão ficava ao lado dessa ponte e exalava um forte cheiro do remédio que combatia essa doença. Se ainda existisse, ela estaria localizada nos fundos da sede da ACRIMAT, mais precisamente onde está instalada a antena de uma rádio da capital.

Mais especificamente sobre o córrego Prainha existia pelo menos 15 pontes. A menos de 500m das margens do rio Cuiabá na rua que atualmente chama-se Tufic Affi, havia uma ponte entre o lado esquerdo do Atacadão e o Açougue Vitória, em frente ao Shopping Popular existiu a Ponte do Mandrulho, Ponte do Matadouro ou Ponte do Viajante, que ligava o antigo bairro Do Terceiro ao bairro do Porto [na época Porto Geral]. Essa ponte foi construída na época do surgimento do antigo bairro Do Terceiro.

A Ponte do Mandrulho na época da enchente de 1974. No detalhe, a referida ponte. [Foto postado na página no Facebook, Cuiabá/MT de Antigamente]

Logo depois essa ponte [Ponte do Mandrulho], havia uma ponte que ficava nos fundos do quartel do 1º Batalhão de Polícia Militar e foi construída no ano de 1962,  e ligava a Avenida Carmindo de Campos no bairro Várzea Ana Poupino à Avenida Senador Metelo no bairro do Porto. Do lado direito dessa ponte, funcionou por muito tempo a famosa boate TABOQUINHA.

Ponte nos fundos do quartel da Policia Militar, ainda em construção no ano de 1962. [Foto postado na página no Facebook, Cuiabá/MT de Antigamente]

Um pouco mais à frente da ponte na Avenida Senador Metelo, foi construída na Rua Antonio Caetano Santana, a famosa Ponte da Serpente ou Ponte do Homem Morto, cuja origem desses nomes já foi explicado no começo desta matéria. Na esquina da Rua Antonio Caetano Santana com a Avenida XV de Novembro em um casarão muito antigo funcionou o Abrigo dos Velhos.

Ponte sobre o canal da Prainha na Rua Antonio Caetano Santana, em 20-07-1962. [Foto postado na página no Facebook, Cuiabá/MT de Antigamente]

Logo adiante, na Rua Major Gama, também havia uma outra ponte, construída no começo da década de 1970, que facilitava o acesso dos moradores dos bairros Morro do Tambor e Barcelos, principalmente para o estádio Presidente Dutra e de bairros como Cidade Alta, Cohab Nova e Finca faca.

No final da Rua do Pescador ou Rua Nova, atual Rua Dom Aquino, ligando-a à Avenida XV de Novembro, nos fundos do Colégio dos Padres [Colégio Salesiano São Gonçalo] construída na mesma época em que foi construída a ponte na rua Major Gama.

Um pouco mais adiante, na Avenida Dom Bosco, na parte da frente do Colégio Salesiano São Gonçalo também havia outra ponte. Nessa ponte, aconteceu um fato inusitado comigo. Naquela época, por volta do ano de 1973, passando dos 14 para os 15 anos, eu ia praticamente todos os dias ao Mercado Municipal, na Avenida Generoso Ponce, comprar carne para minha mãe. Num desses dias, eu descia a Avenida Dom Bosco e ia atravessar a ponte para pegar a Rua 13 de Junho.

Avenida da Prainha, 1971. Nessa foto aparecem as ponte na onde quase fui atropelado por uma charrete, as duas pontes em frente à Praça Ipiranga, a que havia no final da Rua Travessa João Dias e ainda as duas no começo na Avenida Getúlio Vargas. [Foto postado na página no Facebook, Cuiabá/MT de Antigamente]

Naquela época, ali nas proximidades do Colégio dos Padres havia muitas residências, um leiteiro atendia uma senhora, quando passou um caminhão boiadeiro e deu um buzinaço [naquela época, buzina corneta era novidade], o cavalo do Charreteiro assustou-se e saiu em disparada e por incrível que pareça entrou na ponte e veio para cima de mim, que estava no meio da ponte.

Essa ponte era coberta de um cascalhinho miúdo, Eu, de chinelo havaianas, tentei correr e caí. A charrete veio direto em minha direção, graças à Deus consegui rolar para o lado e escapei de ser atropelado. Todo ralado, fui socorrido por algumas pessoas, inclusive, uma senhora acompanhou-me até minha casa. A cestinha de vime e o dinheiro que levava na mãos, até hoje não sei que fim levaram.

A linda rotatória com duas pontes que existiu em frente à Praça Ipiranga [foto publicada no Grupo de Facebook, Cuiabá/MT de Antigamente]

Na altura da Praça Ipiranga, havia uma rotatória com duas pontes que ficavam na Avenida Generoso Ponce e o começo da Avenida General Mello.

Também no final da Travessa João Dias, havia uma ponte, construída antes da abertura do acesso da Avenida Getúlio Vargas até o córrego Prainha. Onde foram construídas duas pontes idênticas às construídas na rotatória da Praça Ipiranga.

Nas três fotos abaixo, imagens das pontes que havia próximo à Igreja de Nossa Senhora e de São Benedito [Imagens do Arquivo Público Nacional]

Após a abertura do acesso da Avenida Getúlio Vargas até à Avenida Tenente Coronel Duarte, a Prainha, foi construída uma rotatória idêntica à que havia em frente à Praça Ipiranga com duas pontes.

E finalmente no final da Rua Voluntários da Pátria, em frente ao famoso Hotel Bahia, também havia uma ponte. E praticamente ao lado da Igreja de Senhor dos Passos havia a ponte de Seo Xande, que décadas depois demolida para dar lugar à rotatória idêntica à construída no começo da Avenida Getúlio Vargas. Não podemos esquecer das tradicionais pontes de João Gomes e a mais tradicional de todas, a Ponte da Confusão.                                                                                                    Abaixo, imagens das pontes da Confusão, de João Gomes e de seo Xande:                                                                                                             

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