Mato Grosso já teve três representantes de uma vez só, na elite do Campeonato Brasileiro

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No ano em que efetivamente o Estado foi divido, Dom Bosco, Mixto e Operário-VG jogava na Série A do Campeonato Nacional

CUIABÁ/MT – A boa campanha que o Cuiabá Esporte Clube desenvolve nas oito primeiras rodadas da Série B do Brasileirão 2020, faz o torcedor indagar-se: Será que Mato Grosso voltará a ter um time na elite do futebol nacional? Os mais ‘experientes’ irão lembrar-se: Mato Grosso já teve três clubes disputando a Série Especial do Campeonato Brasileiro,  eram eles Dom Bosco, Mixto e Operário-VG, numa época onde todos os Estados tinham representantes na principal competição do futebol brasileiro.

E a exatos 41 anos, em 7 de setembro de 1979 o Leão da Colina, que chegou a ser chamado de ‘Academia de Futebol’, enfrentou o time do Ceará, no estádio Governador José Fragelli, o Verdão, pelo Brasileirão num jogo de sete gols. O time cearense venceu por 5 a 2, com gols de Geraldino (2), Ivanir (2) e Edmar. Barga marcou os dois gols do time da Colina Iluminada.

O Dom Bosco tinha uma verdadeira seleção [na verdade, entre 1976 e 1979, o Dom Bosco montou times inesquecíveis], a começar pelo goleiro Mão de Onça, um dos melhores do pais; a defesa composta pelos laterais Tuca e Amaury [um garoto revelado na categoria juvenil, na época ainda não haviam criado a nomenclatura: times de base] e a dupla de zaga formada por Nelson Vasquez e Ed Montrezol. Um meio de campo de grande criação, mas também forte no desarme [com destaque para Fidélis, um excelente meia armador, mas que também ajudava e muito o médio volante na marcação] composto por Walter Paulista, Barga e Fidélis e um ataque que metia medo em qualquer time do Brasil: Gonçalves, Adilson Davi e Jorge Nei. Só pelo Dom Bosco, Barga disputou 45 jogos, marcando 9 gols em três temporadas (de 1977 a 1979). Atualmente, aos 69 anos, mora com a esposa celeste, na cidade de Santos-SP, onde o ídolo Dom-bosquino nasceu.

Comparando as escalações das equipes da época, percebe-se que poucos atletas locais tinham espaço no time principal. No Dom Bosco, Mão de Onça que era sul-mato-grossense, construiu uma carreira de sucesso em solo cuiabano e, Amaury, atualmente servidor público estadual, lotado no MT-Prev, eram as exceções. Já o time nordestino era uma espécie de ‘filial’ do Botafogo do Rio de Janeiro.                                                                “Foi uma partida em que entramos em campo com muita confiança, o Ceará tinha vários jogadores do Botafogo e perdemos muitos gols. O placar da partida não refletiu o que foi a realidade do jogo, tanto que nos classificamos nessa fase“, relembrou o ex-jogador, hoje com 60 anos. Amaury ressalta que atuava desde os 15 anos na categoria juvenil do Dom Bosco, e era uma raridade chegar ao time profissional, numa época em que a maioria dos atletas era contratada em outros Estados.                              “O Roberto Pinto me levou para o profissional, e o Orlando Peçanha – campeão mundial pela seleção brasileira na copa de 1958 – me colocou no time. Tive essa honra de atuar ao lado de grandes jogadores que guardo na memória até hoje“, disse, emocionado o hoje avo de dois netos.

A partida levou ao Verdão, 10 mil pessoas, que na época costumava receber até 40 mil torcedores nos clássicos locais, com renda de Cr$ 378.650,00 [trezentos e setenta e oito mil, seiscentos e cinquenta mil cruzeiros] – cerca de R$ 150.000 em moeda atual.

No mesmo mês do ano de 1979 o Operário-VG venceu o Brasília por 3 a 0, com gols de Mosca, Ernani e Ramón; e o Mixto goleou o Guará (também de Brasília) por 3 a 0, com dois gols de Bife e um de Gonçalves.

Em pé: Amaury, Mão de Onça, Fidélis, Tuca, Cobrinha e Berto. Agachados: Vasconcelos, Adilson (Chinho), Jaci, Barga e Escurinho. [Acervo do ex-jogador Amaury_site clubenews.com.br]

Se na década de 1970, era muito difícil para um atleta de Cuiabá, ascender ao time principal dos nossos times, a década de 1980 foi pródiga na revelação de craques ‘de tchapa e cruz’. A foto de uma das formações do Dom Bosco do começo dos anos da década de 1980, com três jogadores jogadores oriundos do bairro Dom Aquino; Cobrinha, Adilson e Escurinho, mostra que a mentalidade havia mudado.

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