FUTEBOL DE ANTIGAMENTE: GRANDES TIMES MONTADOS NAS DÉCADAS DE 1960 E 1970

54

Do Dutrinha ao Verdão, o futebol era uma paixão!

Quem, como Eu, acompanhou o futebol e Mato Grosso nas décadas de 1960 e 1970, lembrar-se-a com certeza, dos grandes esquadrões montados pelos dirigentes dos times de Cuiabá, Várzea Grande, Campo Grande e Rondonópolis.

Antes, na década de 1950, Mixto com cinco títulos e o Atlético Mato-grossense com quatro, tiveram a hegemonia do futebol cuiabano e na década de 1960, o Operário de Várzea Grande foi o maior vencedor.

Nos anos a década de 1970, o primeiro titulo do Campeonato Cuiabano foi ganho pelo Dom Bosco, em 1971. O Operário Várzea-grandense ganhou os títulos de 1972 e 1973. Aí, em 1974, os times de Campo Grande, que se profissionalizaram somente no ano anterior, 1972, entraram na disputa e o Campeonato passou a ser Mato-grossense, pois além dos times do sul do Estado, também o Ubiratan de Dourados e o União de Rondonópolis disputaram o certame.

Operário Futebol Clube que ficou em 3° lugar no Brasileirão de 1977 e venceu os campeonatos Mato-grossenses de 1974, 1976, 1977 e 1978.  [Crédito: Sergio Santos_Acervo: site clubenews]

O Operário Futebol Clube, time mais popular de Campo Grande que era a maior e mais rica cidade do Estado naquela época, com apoio do comércio local e dos barões do agro-negócio, montou times muito fortes e levou para a “Cidade Morena” os títulos de Campeão Mato-grossense de 1974, 1976, 1977 e 1978. Além de que, em 1975, o campeão foi o Esporte Clube Comercial, também da cidade de Campo Grande. O Mixto Esporte Clube, da Capital Cuiabá, após a efetiva divisão do Estado em 1979 e a consequente saída dos times de Campo Grande da disputa, ficou com os títulos de 1979 e 1980.

Clube Esportivo Operário Várzea-grandense, bicampeão do Campeonato Cuiabano nos anos de 1972 e 1973.  [Crédito: Sergio Santos_Acervo: site clubenews]

Mas voltando ao tema do qual o título da matéria faz referência, o Clube Esportivo Operário Várzea-grandense que na década de 1960 foi bicampeão nos anos de 1967 e 1968, com um time onde destacavam-se o goleiro Elzio Saldanha, os zagueiros Gonçalo e Ciro, o meio de campo Poxoréo e a famosa dupla de atacantes Jaburu e Gebara, nos anos de 1972 e 1973 repetiu o feito do bicampeonato com um senhor time de futebol, onde destacavam-se o goleiro Carlos, o zagueiro Gaguinho, o Suingue e os atacantes Bife e Cecílio.

Palmeiras Esporte Clube, time montado por Délio de Oliveira e Juan Rolan que ficou em 3° lugar no Campeonato Mato-grossense de 1974.  [Crédito: Sergio Santos_Acervo: site clubenews]

No ano de 1974, quem brilhou foi o time do Palmeiras montado por Délio de Oliveira e o misto de treinador e empresário paraguaio Juan Rolan que foram ao interior de Goiás e de São Paulo e trouxeram mais de um time inteiro, sensação do campeonato daquele ano, mas que infelizmente, terminou em terceiro lugar. Um time com dois excepcionais goleiros: Dárcio e Barbosa, um zagueiro que entrou para a história do futebol de Mato Grosso, Nelson Roberto Vasques [falecido, recentemente], um meio de campo que serviria a qualquer time grande do Brasil formado por Luiz Afonso, Humberto e Laércio e um ataque com dois centroavante muito bons, Clóvis e Luiz Paulo Caxambú e o ponta esquerda Darcibel, que tinha um estilo de jogo muito semelhante ao de Pelego, que foi titular do Do Bosco por vários anos.

Time do União Esporte Clube de Rondonópolis/MT, que foi vice-campeão mato-grossense em 1975. [Crédito: Sergio Santos_Acervo: site clubenews]

No ano seguinte, 1975, a grande surpresa foi o time do União de Rondonópolis montado por Genésio do Carmo, com o goleiro Saldanha, emprestado pelo Dom Bosco; o lateral esquerdo Lira e o centroavante Gilson Lira, dispensados pelo Operário-VG; o meia armador Ruiter e ponta direita Pelezinho, que estavam no Mixto e os atacantes Celso e Ernani, dispensados pelo Dom Bosco. Esse time foi vice-campeão mato-grossense nesse ano.

O modesto time do Mixto que venceu a seletiva contra a seleção montado pelo Operário-VG em 1976. Não foi esse mesmo time da foto, mas a maioria desses jogadores estavam naquela noite em que o Tigre da Vargas fez 3 a 2 no Chicote da Fronteira, onde Tuta em apenas 10 minutos em campo deu a vitória ao Mixto. [Crédito: Sergio Santos_Acervo do site Clubenews]

O Mixto Esporte Clube, também montou um super time em 1976 para a disputa do Campeonato Brasileiro. Os goleiros Edson e Ubirajara; os laterais direito Luis Carlos Beleza e Toninho; os zagueiros Nelson Vasquez e Polaco; os laterais esquerdo Luiz Augusto e Diogo; os médios volantes Lourival e Lopes; os meais armadores Marquinhos e Zé Luiz e os atacantes Pelezinho, Ernani e Traira, que foram contratados para o Estadual e para o Brasileirão. Um time que quase chegou à semifinal do Brasileirão daquele ano, só não conseguiu por causa do pênalti que Pastoril não converteu contra o Vasco em pleno São Januário, que daria o empate necessário para a classificação do time cuiabano.

O famoso time do Dom Bosco, versão do ano de 1978, que ganhou o apelido de Academia de Futebol. [Crédito: revista Placar_Acervo do site clubenews]
O famoso time do Dom Bosco, versão do ano de 1978, que ganhou o apelido de Academia de Futebol. [Crédito: revista Placar_Acervo do site clubenews]
O famoso time do Dom Bosco, versão do ano de 1979, que ganhou o apelido de Academia de Futebol. [Crédito: revista Placar_Acervo do site clubenews]

Aborrecido com as campanhas decepcionantes que o Dom Bosco havia feito nas temporadas de 1975 e 1976, apesar de muitas contratações, até certo ponto caras, o presidente Joaquim de Assis e seu Diretor de Esportes resolveram montar um time realmente de primeira categoria. Então a cada dia do começo do ano de 1977, chegava por aqui um jogador muito conhecido contratado pelo Dom Bosco. Para o Campeonato Estadual vieram os goleiros Sanchez, do Campo Grande do Rio de Janeiro e Luiz Roberto do Paulista, de Jundiaí-SP; os laterais direito Tuca, do Santos-SP e Serginho, do Paulista de Jundiaí-SP; o zagueiro Cesar Julião, ex-América de Minas Gerais. zagueiro Aílton Silva, que estava no Santos de São Paulo Para o Campeonato Brasileiro, vieram o goleiro Miguel, ex-Portuguesa de Desportos-SP; o lateral esquerdo Zé Maria do Fluminense do Rio de Janeiro; o médio volante Paulo Roberto, do Flamengo do Rio de Janeiro; o meia armador Barga, do Colorado,de Curitiba; o ponta direita Babá e o centravante Adilson, ambos do Santos de São Paulo e ainda o ponta esquerda Veiga, que era do Juventus de São Paulo.

No ano seguinte, 1978, alguns jogadores saíram e outros chegaram, casos do goleiro Wilson Quiqueto e do zagueiro Altivo, ex-Bahia-BA; o médio volante Roberto Dias, ex-São Paulo e Seleção Brasileira; o meio de campo Denner do Colorado-PR e o ponta esquerda Zé Luiz Fernandes, que era do XV de Novembro de Piracicaba-SP. Já em 1979, a fase não era muito boa, muitas despesas, o time não ganhava nada, então foram poucas as novidades: o zagueiro Nelson Vasquez, ex-Mixto que estava no Juventus-SP; o médio volante Walter Paulista que era do Paulista de Jundiaí-SP e o ponta esquerda Jorge Nei, que era do Flamengo do Rio de Janeiro. Mesmo não tendo ganho título algum, por causa de seu jogo vistoso, cadenciado, de muitos toques de bola e lançamentos longos para os atacantes e grandes jogadores, o time, especialmente o de 1977, ganhou da imprensa local o apelido de “ACADÊMIA DE FUTEBOL“.

Este time do Operário-VG é de 1975, mas quase o mesmo que perdeu para o Mixto na noite de Tuta. Nessa foto estão faltando o zagueiro Polaco, o lateral Lázaro, os meios de campo Môsca e Wilsinho e o centroavante Tadeu Macrini.    [Crédito: Revista Placar_Acervo do site clubenews]

Esses times acima citados, todos, Eu na minha modesta e humilde opinião considero esses times tal qual a Seleção Brasileira de 1982. Foram times fantásticos que não ganharam títulos mas ficaram na história e nos corações das suas torcidas.

Comentários Facebook