Futebol Cuiabano de Antigamente: Clube Atlético Recreativo Cuiabano/C.R.A.C.

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CUIABÁ/MT – Time do futebol amador de Cuiabá, fundado no ano de 1973, pelo saudoso Dézinho, morador do tradicional bairro Cidade Alta, atual Cidade Verde, foi um dos principais times de Cuiabá nas décadas de 1970, 1980 3 1990.

As cores do time do C.R.A.C, eram o vermelho, o preto e o branco, semelhantes ao do time do São Paulo. O uniforme principal era camisa branca, com detalhes vermelho e preto, calções pretos nas mangas e na gola e meiões brancos. Havia um segundo uniforme tricolor com listras verticais vermelho e preto, os calções nesse caso, preto e meias brancas.

Esse time nasceu muito forte, já que na região da Cidade Alta havia uma quantidade muito grande de bons jogadores e o C.R.A.C., poucos anos após sua fundação ganhou seu primeiro título de Campeão Cuiabano de Juvenis, no ano de 1976, apenas três anos já mostrava a que veio no futebol amador O irmão de Dézinho, Arlindo, um meia esquerda muito bom, sempre foi titular do time.

No time que levantou o troféu em 1976, era realmente muito forte. Um bom time com um bom goleiro, diz a regra. O goleiro do C.R.A.C, era Aurelino, que se tornaria um dos astros do futsal cuiabano na década de 1980 e 1990, jogando pelo time do UIRAPURU, da UFMT. O zagueiro central Targo, fez testes na Portuguesa de Desportos de São Paulo. Quase todo o meio de campo formado por Toninho, Arlindo, Nélio Ramos e Arildo e todo o ataque onde jogavam Hideraldo e Edson, com exceções a Arlindo e Jaime foram contratados pelo Mixto após a conquista de 1976.

Ao perder seu melhores jogadores para o time profissional do Mixto, Dézinho descobriu que sobrara apenas sua maior joia, a pérola NÉLIO RAMOS, talvez o maior meia esquerda revelado no futebol amador cuiabano, que infelizmente, nos deixou muito precocemente. Do C.R.A.C, Nélio foi para o Operário de Várzea Grande onde era um dos principais nomes do elenco profissional nas temporadas de 1978 e 1979.

Eu [Joacir] joguei algumas partidas pelo C.R.A.C, nesse ano de 1976. Poucas partidas, cinco ou seis talvez, mas suficientes para que eu possa dizer que joguei naquele timaço campeão cuiabano. Há duas lembranças que guardo até aos dias atuais dessa minha passagem pelo C.R.A.C. A primeira lembrança é do meu primeiro treino no time, lá na Alameda Julio Muller e a segunda lembrança é de um jogo amistoso contra o Atlético Mato-grossense no Dutrinha.

Um vizinho meu lá no Morro do Tambor, atual bairro Dom Aquino, Márcio “Pé de Adobo”, jogava no C.R.A.C, e falou de mim para Dézinho, que pediu a ele que me levasse no próximo treino para fazer um teste. Então na tarde do sábado seguinte fui com Márcio e às 15h00 mané, imagina a lua que estava fazendo, mas jovem sabe como é né. Treinei com os reservas e perdemos só por 1 a 0 e peguei muito muito. Terminado o treino Dezinho chegou para mim e disse que tinha gostado de me ver jogar e que no outro sábado eu levasse duas fotos 3×4 em minha Certidão de Nascimento para ele.

Lembro que Aurelino e Fiorenza [que até 2018 era presidente da Associação dos servidores do Banco do Brasil] brincou com Aurelino dizendo para ele: “Hi, Aurê, perdeu a vaga. Daqui pra frente, banco”. Aurelino apenas sorriu. A outra lembrança foi de um jogo amistoso contra o Atlético Mato-grossense de Manoelito, um domingo de manhã no Dutrinha. Naquela época, ainda nem tinha prestado o Serviço Militar Obrigatório, mas já tinha a mania de amanhecer na rua. No sábado anterior a esse jogo cheguei em casa já com o dia clareando e até “bobo”. Tinha bebido a noite inteira e pedi para minha mãe me chamar às 09h00, pois o jogo era às 10h00 e como eu morava na Rua Major Gamam no Morro do Tambor dava para chegar lá tranquilamente.

Mamãe não me chamou, por sorte acordei 09h40, tomei um banho rápido e sai no pique lá para o Dutrinha, cheguei e o jogo já tinha começado. Mas no intervalo, Dézinho mandou que eu me aquecesse para entrar no segundo tempo. Estávamos ganhando por 2 a 0 e em 20 minutos o Atlético virou para 3 a 2 e dois gols que tomei eram perfeitamente defensáveis. Um primo meu, Luiz Salvador, cracaço de bola. Um meia esquerda muito bom jogava no Atlético e estava dando um baile no nosso meio de campo e com a virada a turma esquentou a cabeça e começou bater na moçada de Manoelito. Empatamos o jogo no finalzinho na marra, à base da paulada, principalmente no meu primo que estava acabando com o jogo. Quando empatamos, Manoelito aos prantos foi para cima de Dézinho, reclamando que ele não fazia nada, vendo nosso time bater no dele. Disse que nunca mais jogaria contra o C.R.A.C. Lembranças maravilhosas das quais a gente nunca se esquece.

No final do ano de 1976, procurei Dézinho para pegar minha Certidão de Nascimento para alistar-me no Exército, mas ele ficou e enrolando, não entregava o documento. Foi preciso meu irmão mais velho, Sargento do 16° BC na época, ir comigo até à casa dele para ele poder entregar o documento. Dézinho, além de Fundador desse tradicional time amador, descobridor de talentos como Aurelino, Targo, Toninho, Arildo, Hideraldo e Edson e, principalmente de Nélio Ramos, também foi Árbitro e Bandeirinha da Federação Mato-grossense de Futebol. Não sei até quando o time do C.R.A.C esteve ativo, só sei que tenho muitas boas lembranças do time, dos colegas e de Dézinho. TEMPOS BONS QUE NÃO VOLTAM MAIS!!!

Time Infanto Juvenil ou Dente de Leite do C.R.A.C, o treinador Dézinho [fundador do time] é o único adulto na foto. [Foto de Benedito Fernandes]
Nessa formação do Mixto de 1980, estão Arildo [2° em pé] e Hideraldo [penúltimo agachado], formados no C.R.A.C. [Foto de Marcinho]
Hideraldo, entre Marcinho e Toninho Campos, jogando pelo Mixto em 1980. [Foto de Marcinho, ex-jogador do Mixto]
Também do ano de 1980, uma formação do Mixto com Hideraldo de centroavante, entre Udélson e Pastoril. [Foto de Marcinho]

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