Flamengo: O time de uma década [1978 – 1987]

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Maior ganhador de títulos no Rio de Janeiro (35) e também no Brasil (6), o rubro-negro da Gávea teve seu ápice entre os anos de 1978 e 1987

Clube de Regatas Flamengo, o “Urubu Papa-títulos”, maior ganhador de títulos no Estado do Rio de Janeiro, 35 vezes campeão carioca, sempre foi um time vencedor desde sua fundação em 17 de novembro de 1895 como clube de remo [camisa azul e dourado], só no começo do século 20 é que passou a disputar campeonatos de futebol com seu uniforme mudado para vermelho e preto. Mas o rubro-negro da Gávea atingiu seu ápice como melhor time de futebol do Brasil entre os anos de 1978 e 1987.

Time do Fluminense do ano de 1975, chamado de “A Maquina Tricolor”. [Revista Placar]

Como em 1975, o presidente do Fluminense Francisco Horta, deu uma de “louco” e saiu contratando jogadores cujos valores de seus passes eram verdadeiras fortunas em vários lugares do Brasil, sem se importar com as consequências financeiras de seu gesto, montando um time que a imprensa brasileira chamou de “Máquina Tricolor”, com jogadores como o zagueiro Pescuma da Portuguesa-SP; Marco Antonio, lateral esquerdo do Vasco da Gama, que fez parte da seleção brasileira que disputou as Copas do Mundo de 1970 e 1974; Zé Mário, médio volante do Flamengo; o meia armador Roberto Rivelino, maior ídolo da história do Corinthians-SP e um dos maiores jogadores do Brasil de todos os tempos; o centroavante “Búfalo” Gil, que disputou o Brasileirão pelo Comercial de Campo Grande em 1973, sendo o terceiro jogador a marcar mais gol no torneio naquele ano, foram 13 gols e o ponta esquerda Mario Sergio, carioca que começou no Flamengo, mas fez fama ao lado de Osni, ex-Santos, ambos jogando no meio de campo Vitória das Bahia.

A Máquina Tricolor venceu os campeonatos carioca dos anos de 1975 e 1976 e foi 3º e 4° colocado respectivamente nesses anos no Brasileirão. Esse gesto ousado do presidente tricolor, influenciou o presidente rubro-negro que no ano de 1977, também resolveu montar um time para ficar na história e quebrar a hegemonia tricolor. Então simplesmente, tirou do Internacional o meia armador Paulo Cesar Carpegianni, segundo melhor jogador do time gaucho. Falcão era sem duvida, o melhor do Inter. Mas quem conseguiu o feito não foi o rubro-negro. O campeão carioca daquele ano foi o Vasco da Gama, mas a partir de 1978 o time engrenou.

Clube de Regatas Flamengo Campeão Carioca de 1978/79. Embrião do Time dos sonhos.

Paulo Cesar Carpegianni veio a ser o embrião daquele que seria os anos dourados do Flamengo, sua década de Ouro. Além de Carpegianni, ainda em 1977, foram contratados o lateral direito Toninho Baiano do Fluminense; o zagueiro Nelson do Guarani de Campinas; o ponta direita Osni do Vitória da Bahia e o ponta esquerda Luiz Paulo do Campo Grande, do Rio de Janeiro, que à principio seria reserva, mas surpreendeu a todos, ganhando rapidamente a vaga de titular no time rubro-negro. E o Mengão repetiu o feito da Máquina Tricolor e foi campeão carioca em 1978 e 1979. Foi exatamente aí, nesse ano de 1978 que o Flamengo começou a sua “década de ouro”. Nesse ano, o Flamengo reforçou ainda mais seu elenco e aportaram na Gávea o goleiro Nielsen, do rival Fluminense; o lateral direito Ramirez da Seleção do Uruguai [que num jogo em 1977 no Maracanã em que houve uma briga generalizada, correu atrás de Rivelino até à boca de um dos tuneis de acesso aos vestiários]; os zagueiros Moisés, campeão paulista de 1977 com o Corinthians; Manguito, destaque do Olaria no Campeonato Carioca do ano anterior; o médio volante Alberto do Bahia e os atacantes Pedro Ornellas da Seleção do Paraguai e Eli Carlos, centro avante do Coretiba.

Flamengo-CAMPEÃO BRASILEIRO-1980 [Revista esportiva Placar]

O ano de 1980 foi um marco, um divisor de águas, na história do Flamengo. Com um time recheado de jogadores formados na Gávea, nada menos que cinco “prata da casa” entraram como titulares no jogo final do Campeonato Brasileiro contra o Atlético-MG: Junior, Andrade, Adílio, Zico e Julio Cesar “Uri Geller”, o entortador de zagueiros. No ano seguinte, 1981, do time campeão da Taça Libertadores e Mundial Interclubes, sete foram formados na Gávea: Leandro, Mozer, Junior, Andrade, Adílio, Tita e Zico. Já nos anos de 1982 e 1983, o Flamengo voltou a ganhar o titulo brasileiro com a maioria dos titulares de seu time formados na Gávea: Leandro, Antunes, Figueiredo, Junior, Andrade, Adílio, Zico, Élder, Julio Cesar e Ademar. Do time titular, apenas Raul, Marinho, Baltazar e Robertinho não eram crias do rubro-negro carioca. Em 1982, após uma contusão séria, o jogador Paulo Cesar Carpegianni encerrou a carreira e assumiu como técnico do Flamengo até o final da temporada. O time titular que jogou a ultima partida que valeu o bicampeonato brasileiro em 1983 foi: Raul; Leandro, Marinho, Figueiredo e Junior; Andrade, Adílio e Élder; Baltazar (Robertinho), Zico e Julio Cesar (Ademar). O técnico foi Carlinhos [ex-jogador do Flamengo nos anos da década de 1940].

Clube de Regatas Flamengo “O time dos sonhos” bi-campeão Brasileiro de 1982 e 1983 [Revista esportiva Placar]

Os anos de 1984, 1985 e 1986, o Flamengo viu Fluminense, Coretiba e São Paulo levantarem a taça de Campeão Brasileiro. Terminou a competição em 5°, 9° e 11°, respectivamente, nesses anos. Em 1987, foi disputado um torneio com o nome de Copa União. Dividida em dois grupos de 16 times cada. O Módulo Verde era uma espécie de 1ª Divisão [com os times da elite do pais] e o Módulo Amarelo [uma espécie de 2ª Divisão]. O Regulamento da Competição determinava que os dois primeiros colocados do Módulo Verde deveriam enfrentar os dois primeiros colocados do Módulo Amarelo numa espécie de semifinal e dali saíram os dois finalistas. Flamengo e Internacional os dois melhores do Módulo Verde se recusaram a jogar contra Sport e Guarani, os dois melhores do Módulo Amarelo. Não houve acordo com entre Flamengo, Inter e a CBF, que então determinou a Sport e Guarani disputassem o título de Campeão Brasileiro de 1987. Deu Sport. A Confederação Brasileira de Futebol declarou o Sport Clube Recife CAMPEÃO BRASILEIRO daquele ano. O Flamengo não se conformou com a decisão da CBF e entrou com ação na justiça comum, que só no ano de 2017 [após 30 anos], confirmou a decisão da CBF e a Taça das Bolinhas repousa atualmente na sala de troféus do Leão da Ilha do Retiro, em Recife.

Time do Flamengo, penta-campeão brasileiro, 1992, comandado por Junior, com 38 anos de idade [Revista esportiva Placar]

O Flamengo já não era mais o time dos sonhos, como em 1981, mas comandado pelo trio Leandro, Andrade e Zico [que havia retornado da Itália] ainda era um timaço. Em 1992, sob a regência do “Maestro” Junior [remanescente do time dos sonhos de 1981, que também retornou ao Brasil, após várias temporadas na Itália] já com 38 anos e de Zinho, que atravessava excelente fase, o rubro-negro surpreendeu e venceu seu quarto Brasileirão [se bem que a grande mídia nacional – 80% flamenguista, credita na conta do Flamengo, o titulo de 1987] repetindo a final do Campeonato carioca onde voltou a sagrar-se campeão em cima do Botafogo, um freguês de muitos anos. O Clube de Regatas Flamengo ainda conquistou os titulo nos anos de 2009 e 2019, perfazendo um total de seis títulos brasileiros em 50 anos de história da maior competição nacional.

Flamengo, hexa-campeão brasileiro, 2919. Não jogou nem 10% do que jogava o time dos sonhos de 1981. [Revista esportiva Placar]

OUTROS TÍTULOS:

Copas do Brasil: 1990, 2006 e 2013.

Campeonatos Cariocas: 1914/15; 1920/21; 1925; 1927; 1939; 1942/43/44; 1953/54/55; 1963; 1965; 1972; 1974; 1978/79/79; 1981; 1986; 1991; 1996; 1999/2000/2001; 2004; 2007/08/09; 2011; 2014; 2017 e 2019.

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