Família de Christiane Augusta de Araújo Correa, morou na Rua Fernando Ferrari, Morro do Tambor, até meados da década de 1980

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CUIABÁMT – A família dessa menina, Christiane Augusta de Araújo Correa, que perdeu a vida de forma precoce e hedionda, moraram no antigo bairro Morro do Tambor entre as décadas de 1960 e 1980 [mudaram-se, me parece no ano de 1986], no final da rua Fernando Ferrari quase na esquina com a avenida Dom Bosco.

Seo Mansueto e dona Conceição, pais da menina Christiane Augusta, eram muito amigos de meus pais, seo Joaquim e dona Agripina. Principalmente, dona Conceição, que gostava, muito, de minha mãe. Ela considerava minha mãe, como se fosse a mãe dela. Não lembro, se ela tinha ou não mãe, na época em que morou lá no Morro do Tambor, mas, lembro que ela fazia seguidas visitas para minha mãe e ficava bons período de horas conversando com minha mãe.

Eu, particularmente, conheci todos os integrantes da família de Christiane. Além do casal Mansueto e dona Conceição, havia João que casou-se com Morgana, cujos pais, ainda moram na Rua das Flores [atual Rua Irmã Elvira Paris], Junior e Christiane. A morte de Christiane, desencadeou a morte do resto dos membros da família. O primeiro a sucumbir foi o senhor Mansueto, que não conseguiu assimilar tão duro golpe. Também, pudera! Sua filha mais nova, seu xodó, ter a vida ceifada da forma mais cruel e covarde que se possa imaginar, prestes a graduar-se em Odontologia e pior ainda, ver impotente que o principal suspeito de ter cometido o crime hediondo contra sua filha, ficaria impune. Na sequência, dona Conceição não suportou a perda do esposo, pouco tempo após a perda de sua filha amada. Junior, talvez por ser jovem ainda, conseguiu conviver com a tragédia por mais tempo, porém, como era bastante carinhoso e muito próximo de sua irmã caçula, também acabou seguindo o mesmo destino de seus pais.

Do final da década de 1970 a meados da década de 1980, entre 1978 e 1987, todos os domingos várias famílias do Morro do Tambor, tinham a satisfação de poder irem passar os domingos tomando banho do rio Coxipó do Ouro e comendo churrasco nas margens desse rio. Os saudosos, pai e filho, Irio e Ildo Rei de Hungria, eram funcionários do antigo Dermat e trabalhavam no Setor de Tráfego do órgão estadual e tinham bastante amizade com donos ou com chefes de empresas de transporte intermunicipal e interestadual. Com isso, conseguiam ônibus para que várias famílias do Morro do Tambor pudessem ter esses momentos de lazer. A família dessa menina, Christiane, era uma das que participavam desses passeios. João seria adolescente na faixa dos 13 a 14 anos, Junior, era um menino gordinho de uns 10 ou 12 anos e Christiane, teria menos que 10 anos nessa época. Era muito magrinha, mas muito simpática e de uma educação, exemplar.

Do cotidiano da família, lembro que seo Mansueto trabalhava em uma loja de autopeças [não lembro o nome do local] na Avenida Dom Bosco logo após a esquina com a Rua Barão de Melgaço. Já na época da tragédia acontecida com Christiane, ele já era empresário nesse ramo de venda de peças de carros. Lembro que Mansueto era proprietário de um automóvel da marca Ford, Rural Willys, nas cores branca e azul. Branca na parte de cima, e azul na parte de baixo [dos vidros para baixo].

Sobre a morte de Christiane, foi divulgado pela imprensa que o corpo foi encontrado estuprada e morta no dia 9 de dezembro de 1992, num matagal nos fundos da Escola Estadual José Barnabé de Mesquita, no bairro Cidade Alta. O corpo foi encontrado quase em frente da casa do ex-namorado dela. Os feirantes Ed Carlos da Silva Eregipe e Eduardo Alvino “Orelhinha” foram presos acusados de serem os autores da morte da menina, coisa que a família sempre contestou. Orelhinha foi encontrado morto no bairro do Porto, em um dia do ano de 2018.

[Texto: Joacir Hermes de Amorim – Imagem: Francisco das Chagas Rocha]

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