Excelente Carlos Alberto Silva sofreu com fama de simplório

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Carlos Alberto Silva, ex-técnico da seleção que faleceu dia 20;01 [Paulo Pinto/Agencia AE]

Treinador foi o primeiro a convocar Romário, Dunga e Raí para a seleção

O ex-técnico de futebol Carlos Alberto Silva morreu na manhã de sexta-feira (20.01) aos 77 anos em sua casa em Belo Horizonte.

Nascido na capital mineira, Carlos Alberto Silva foi técnico da seleção brasileira entre 1987 e 1988. Foi quem convocou pela primeira vez Romário, Dunga, Taffarel e Raí.

Guarani Futebol Clube - 1978, Campeão Brasileiro treinado por Carlos Alberto Silva. [Edição de Campeões-Revista Placar]
Guarani Futebol Clube – 1978, Campeão Brasileiro treinado por Carlos Alberto Silva. [Edição de Campeões-Revista Placar]
Foi ele também quem lançou Ronaldo Nazário, no Cruzeiro, e Careca, no Guarani, onde conquistou o título de 1978. Até hoje, junto com o Santos, o Guarani é o único clube sediado fora de uma capital a levantar o principal troféu do país.

Não foi jogador profissional de futebol e tornou-se um dos sete homens a dirigir os quatro grandes clubes de São Paulo em sua carreira. Além de Carlos Alberto Silva, apenas Rubens Minelli, Aymoré Moreira, Nelsinho Baptista, Emerson Leão, Osvaldo Brandão e Oswaldo de Oliveira tiveram esse privilegio.

Trabalhou na Europa, e foi lá bicampeão português como treinador do Futebol Clube do Porto.

A Maquina São-paulina treinada por Carlos Alberto Silva em 1980. [Acervo Tricolor]
A Maquina São-paulina treinada por Carlos Alberto Silva em 1980. [Acervo Tricolor]
Com tudo isso, sempre foi visto como um técnico simplório. Em 1980, o São Paulo tirou-o do Guarani para dirigir uma equipe apelidada de ‘Máquina‘ pelas contratações de jogadores de seleção como Renato, Oscar, Marinho Chagas e Mário Sérgio, que se juntavam a Valdir Perez, Getúlio, Dario Pereyra, Zé Sérgio e Serginho ‘Chulapa‘.

Pelo tricolor, foi campeão paulista e vice brasileiro, mas era chamado nos corredores do Morumbi de “piloto de Teco-Teco, contratado para dirigir um Boeing“.

Por isso, foi demitido logo após a derrota para o Grêmio na decisão do Campeonato Brasileiro. Ganhou o título mineiro de 1981 pelo Atlético, e o pernambucano de 1982, pelo Santa Cruz.

SELEÇÃO

Em 1987, assumiu a seleção na sequencia da saída de Telê Santana, depois da Copa do Mundo de 1990, no México.

Era um período negro da história da CBF. Otávio Pinto Guimarães era o presidente e Nabi Abi Chedid o homem forte do departamento.

Na eleição, Nabi era o candidato a presidência, Otávio a vice. Mas como poderia haver empate com Medrado Dias e o primeiro critério elegeria o mais idoso, Nabi inverteu a chapa com certeza de que Otávio morreria durante o mandato – ele tinha câncer de estomago. Otávio resistiu até o fim do seu período.

Nabi tentou contratar Cilinho, do São Paulo. O treinador recusou a oferta. Carlos Alberto foi o escolhido como técnico por uma diretoria confusa. Ganhou o Torneio Pré-Olímpico, fez sucesso em excursão à Europa, em que promoveu as estreias de Romário, Raí e Dunga, chegou à Medalha de Prata em Seul-1988 e estava prestes a ser mantido no cargo, mesmo com a troca de comando da CBF.

O candidato eleito em 1989, Ricardo Teixeira, decidiu seguir o conselho do presidente da Federação Mineira, Elmer Guilherme, e mante-lo no cargo. Até saber que Carlos Alberto fizera criticas pesadas ao processo eleitoral da CBF em entrevista a uma rádio carioca.

No mesmo ano, de volta ao São Paulo, ganhou o título Paulista e foi, de novo, vice-campeão brasileiro. No Guarani, em 1994, outra vez levou o clube à semifinal do Brasileiro, desta vez, com um ataque jovem formado por Luizão e Amoroso.

Carlos Alberto Silva nunca foi piloto de Boeing, porque preferiu ser um excelente técnico de futebol.

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