E o futebol profissional de Cuiabá hein!? Sorte que temos o Cuiabá E. C., salvando a pátria.

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Os times de Cuiabá, com exceção ao Cuiabá Esporte Clube, e o Operário de Várzea Grande simplesmente se acabaram, o futebol amador está bem melhor já faz bastante tempo

CUIABÁ/MT – Com um time praticamente semi profissional, o Clube Esportivo Dom Bosco eliminou o vice campeão estadual de 2019, o Clube Esportivo Operário Várzea-grandense; nas Oitavas de Final, o Poconé Esporte Clube, nas Quartas de Final e está a um passo de conseguir o “milagre” de eliminar também o União de Rondonópolis, que fez campanha igual à do Operário no mesmo grupo do Chicote da Fronteira ou Nova Mutum, que estão jogando a outra partida da semifinal.

Time do Dom Bosco que atuou no Maracanã,, no ano de 1970. [DIVULGAÇÃO]

Usado e abusado por aventureiros e depois abandonado à própria sorte, foi ao fundo do poço de onde foi resgatado por um grupo de torcedores, a ALECO, o time da Colina Iluminado vem tentando de todas as formas voltar ao lugar de onde jamais deveria ter saído. O primeiro time de Cuiabá a jogar no estádio Mario Filho o Maracanã, no Rio de Janeiro, que foi o maior estádio do mundo por décadas e não foi um jogo qualquer, foi um jogo contra o São Cristóvão de Futebol e Regatas, na época a quinta força do futebol carioca. Um jogo da Seleção Brasileira contra a Seleção do Paraguai, válido pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 1970, com mais de 100 mil pessoas no Maracanã.

O Dom Bosco campeão Cuiabano de 1971, tinha um timaço com começava com o goleiro Saldanha “Marrecão“, cuja transferência do Operário-VG para o Azulão da Colina Iluminada é folclórica. Conta-se que no ano anterior, 1970, dirigentes do Dom Bosco praticamente “sequestraram” Saldanha na concentração do Rolo Compressor e o levaram para a sede do Dom Bosco no bairro Bandeirantes, onde foi levado para assinar contrato e onde ficou por cerca de seis anos. O timaço alvi celeste era formado por: Saldanha; Luís Carlos, Saborosa, Miro e Darcy Avelino; Adalberto e Franklin; J. Alves, Jorge Cruz, Carlos “Filho de Leônidas” e Joílton.

Time do Dom Bosco, que disputou o Torneio Integração Presidente Médici, em 1973. [DIVULGAÇÃO]

Em 1973, o Leão da Colina foi terceiro colocado no Torneio Integração Presidente Médici. Esse torneio foi vencido pelo Mixto Esporte Clube e teve a participação dos times de Campo Grande jogando pela primeira vez em Cuiabá após a profissionalização dos times do sul do Estado acontecida em 1972. Para esse torneio o Dom Bosco contratou do Santos Futebol Clube, o lateral esquerdo Rildo, titular da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1966 e o meia amador Marinho, recém saído do time juvenil e indicado simplesmente por Pelé. Ainda no final desse ano o Azulão trouxe do Flamengo do Rio de Janeiro, o craque Fidélis que ficou no clube por uma década.

De 1974 a 1976, o futebol esteve muito abaixo do aceitável, apesar de que muitos e bons jogadores terem sidos contratados. Como por exemplo, o goleiro Moacir e o 4º zagueiro Paulo Cezar, do Campo Grande; o zagueiro central Serjão do Bangu; Adeílton, centroavante do América; Ernani, ponta direita do Olaria, todos do Rio de Janeiro. Também, o zagueiro Zé Luiz Muñoz, da Ponte Preta, de Campinas/SP.  Em ano de 1976, foi quando o melhor presidente da história do Dom Bosco começou a montar os times que iriam ficar nos anos seguintes conhecidos como “Ciclo de Ouro” do futebol do Clube Esportivo Dom Bosco. Foram contratados os goleiros Sanchez, do Campo Grande do Rio de Janeiro e Luís Roberto do Paulista, de Jundiaí, São Paulo. Galli, lateral direito da Ponte Preta, de Campinas/SP; o zagueiro Ed, do Guarani de Campinas/SP; o médio volante Joel Zanata, do Vitória da Bahia; Magela, meia armador do Operário-VG; os centroavantes Zé Júlio, do Vitória/BA e Djalma, do Paulista de Jundiaí/SP.

O time do Dom Bosco que ficou conhecido como ACADEMIA DE FUTEBOL [Revista Placar, ano de 1977]

1977, foi o ano de glória de Azulão da Colina Iluminada. O Doutor Joaquim de Assis, resolveu meter a mão no bolso sem dó, e nem piedade. O Dom Bosco venceu o Mixto e o Operário-VG numa seletiva para ser o representante de Cuiabá no Campeonato Brasileiro ao lado do Operário Futebol Clube, da cidade de Campo Grande, que nesse ano fez a melhor campanha de um time de Mato Grosso no Campeonato Brasileiro, terminando a competição no terceiro lugar na classificação geral. Nenhum torcedor cuiabano, seja de qual time for, Mixto, Operário-VG ou Palmeiras esquecem aquele timaço montado por Joaquim de Assis, na primeira participação do time da Colina Iluminada no Campeonato Brasileiro.

Do time de 1976, somente Fidélis [que era o astro do time juvenil do Flamengo bicampeão carioca juvenil de 1972/1973, mesmo com Zico e Geraldo no time] e Pelego prata da casa que foi titular do time por uma década permaneceram no elenco. Joaquim de Assis e Diretoria trouxeram o goleiro Miguel, titular da Portuguesa de Desportos por vários anos; Tuca, lateral direito e Adilson David centroavante, ambos do Santos Futebol Clube; Polaco, zagueiro central, ex-Mixto e Juventus da capital paulista; Cesar, que no Azulão incorporou o Julião no nome por causa do lateral esquerdo Cesar que também incorporou o Neves no nome e veio do Rio Verde, do Estado de Goiás; o lateral esquerdo Grimaldi [que era o maior ídolo do time do Brasília, do Distrito Federal e sequer conseguiu ser titular do Leão da Colina], o ponta direita Gonçalves, que veio como contrapeso na contratação de Grimaldi, tornou-se um dos maiores ídolos da história da história do futebol de Mato Grosso e o lateral direito Serginho, do Paulista, de Jundiaí/SP; Diogo, lateral esquerdo do Comercial de Campo Grande e o médio volante Paulo Roberto, do Flamengo/RJ. O timaço que ganhou do imprensa a alcunha de ACADEMIA DE FUTEBOL ALVICELESTE, era formado por: Miguel; Tuca, Cesar Julião, Polaco e Diogo; Paulo Roberto, Barga e Fidélis; Gonçalves, Adilson e Pelego.

Apesar de ser um timaço, esse time não foi bem no Brasileirão e terminou a Fase de Classificação em último lugar, mas a escalação ficou gravada na memória dos torcedores mato-grossenses. Para o ano seguinte, 1978, quase um novo time foi formado. Vieram, os goleiros Wilson, do Santos Futebol Clube e Mão de Onça, do Ubiratan da cidade de Dourados [hoje, parte do Estado de Mato Grosso do Sul]; os laterais esquerdo Ferreira, do Paulista, da cidade de Jundiaí/SP e Zé Maria, do Fluminense, do Rio de Janeiro; os médios volante Roberto Dias, do São Paulo Futebol Clube e que foi titular da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1966 e Guega [Campeão Paulista com a Internacional da cidade de Limeira, São Paulo, em 1986, jogando com o nome de Juarez] e o ponta esquerda Zé LuizGalinho“, do XV de Novembro de Piracicaba, São Paulo. O time base era formado por: Wilson; Tuca, Cesar Julião, Zé Luiz e Serginho; Roberto Dias, Barga e Fidélis; Gonçalves, Adilson e Zé Luiz.

O time de 1979, que fechou o ciclo de ouro do Azulão da Colina. [DIVULGAÇÃO]

Fechando o Ciclo de Ouro do Dom Bosco na história do futebol mato-grossense, o time do Dom Bosco, totalmente modificado em relação ao time de 1978, ganharam vaga no time o goleiro Mão de Onça e o lateral esquerdo Amauri. Foram contratados os zagueiros Nelson Vasquez do Mixto e Ed, ex-Guarani/SP que já estava no Azulão desde 1976; o médio volante Walter, que acrescentou o Paulista ao nome porque já havia o zagueiro Cesar Julião no time; o ponta direita Babá, do Santos Futebol Clube e o ponta esquerda Jorge Nei, do Flamengo/RJ. o time base no ano de 1979, no Campeonato Brasileiro foi: Mão de Onça; Tuca, Nelson, Ed e Amauri; Walter Paulista, Barga e Fidélis; Babá, Adilson e Jorge Nei. Para o Campeonato Estadual, o time mudou bastante. Foram contratados o zagueiro Jorge Macedo que fez dupla histórica com Nelson Vasquez no Mixto; os meios de campos Vasconcelos, do Madureira e Zequinha, do Olaria, ambos do Rio de Janeiro. O zagueiro Cobrinha e o ponta esquerda Escurinho, subiram do time juvenil para o time profissional. Escurinho, inclusive, Escurinho, foi contratado pelo Flamengo do Rio de Janeiro e depois atuou por vários times no interior do Brasil.

A partir do ano 2000, o time do Dom Bosco foi muito usado em beneficio próprio e para fins políticos por muitos oportunistas que jogaram não só o time como, o clube, na sarjeta. Nos últimos dez anos, torcedores apaixonados do Leão da Colina, sob o pseudônimo ALECO, está tirando o time do fundo do poço, conquistando inclusive, a Copa Governador de 2015.

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