Dom Aquino/Morro do Tambor: Lembranças das ruas e famílias entre as décadas de 1960 a 1990

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CUIABÁ/MT – “Um rolé” pelas lembranças que guardo na minha memória relativas aos acontecimentos de fatos e do cotidiano da vida dos ainda poucos moradores do Morro do Tambor e vizinhanças entre segunda metade da década de 1960 e a primeira metade da década de 1980. Fatos e causos que vivi pessoalmente ou a mim relatados por parentes e amigos dos costumes e dos modo de viver das pessoas que compunham a comunidade de um dos mais antigo e tradicional dos bairros de Cuiabá.
Muito me admiro, quando alguém diz “Ah, não lembro de nada da minha infância”. Isso não é verdade. Ou a pessoa não esforça-se para lembrar ou simplesmente, não quer lembrar. É como a desculpa de muitos que fazem uso excessivo de bebidas alcoólica. Que fazem um monte de besteiras, bêbados e, depois diz que “não se lembra de nada”. Eu não acredito em afirmações desse tipo, de jeito nenhum. Eu quando jovem, desde os 15 anos até já depois dos 40 anos, bebia, e muito, principalmente cerveja. Mas tomava qualquer tipo de bebidas alcoólicas. Muitos fingem não lembrar-se do que fez enquanto bêbado por vergonha. Eu fiz muitas besteiras bêbado, mas nunca neguei nada. Sempre fui muito responsável na hora de prestar contas de meus erros. Simplesmente, assumia o que tinha feito e arcava com as consequências desses atos. Muita gente esquece sua infância porque foi pobre, passou necessidades, precisou da ajuda de outras pessoas. Outros, por ter cometido algo desabonador para a boa regra da conduta e tenta botar uma pedra em cima disso e simplesmente esquecer. Eu, não. Faço questão de lembrar-me de tudo e aproveito os meus erros cometidos anteriormente para fazê-los como exemplo do que não devo fazer atualmente. Não adianta querer esconder o passado, porque sempre terá alguém que se lembrará e o divulgará. Eu consigo lembrar-me de fatos de meus 4 ou 5 anos de idade, isso por volta dos anos de 1962 ou 1963, como por exemplo, que Eu gostava de ficar pelado e toda hora, mamãe ou minhas irmãs tinham que ficar me mandando vestir o calção [só começou ser chamado de short já no final da década de 1970] ou de meu primeiro dia de aula, aos 7 anos, em 1965, na época Grupo Escolar Maria Elisa Bocaiuva Correa da Costa, o Grupinho, que Eu queria pôr tudo ficar junto com minha irmã Aide que já era quatro anos adiantada nos estudos e chorei, chorei, até que me mandaram de volta para casa e, nesse dia fui brindado com uma surra de quatro ou cinco Espadas de São Jorge, dada por minha mãe. Essa escola que infelizmente está desativada, já fazem mais de 10 anos, também está sob ameaça de que o prédio que abrigou uma das mais tradicionais escola de Cuiabá seja demolido. Tenho memória privilegiada? Não! Sou um superdotado? Não! Sou um espanto? Não! Somente, nunca quis esconder o meu passado, aliás, tenho orgulho de que todos saibam como ele foi. A menos é claro, que a pessoa sofra de alguma doença que afete o cérebro, como Amnésia ou Mal de Alzheimer. Nosso Senhor JESUS CRISTO foi muito claro, quando disse aos homens que queriam apedrejar a mulher adultera: “Atire a primeira pedra, AQUELE que não tiver pecados.” Todos nós cometemos erros, diariamente. Alguns, aprendem com eles, já outros, gostam e, continuam a pratica-los. 
COMO ERA O MORRO DO TAMBOR CINQUENTA ANOS ANTES
Lembro-me de como naquele ano, 1965, quando saia todo os dias, às 7h00 para ir para a Escola Elisa Bocaiuva, que a Rua Doutor Miguel Melo era bem estreita, na verdade uma trilha por onde costumavam transitar pessoas, carroças e charretes. Tinha pouco moradores e sua extensão era apenas da rua Major Gama até a rua Cônego Pereira Mendes, rua que passa ao lado da escola e termina na rua Fenelon Muller no antigo bairro do Areal. Naquele ano de 1965, haviam somente as casas de seo Marcondes e dona Fia [pais de Zaildes, Edson Rato, Créscio e Selminha]; de seo Eurindo e dona Benedita [pais de Rita, que foi esposa de Didi da LICB que faleceu recentemente, vítima de Covid 19, Jacinto e Clarindo “Nenê Mazaropi”; de seo Américo e dona Ciria [pais de Guilherme, Wilson, Chiquinho e Luizinho “Chibite” que faleceu esta semana por Covid 19] e uma casa muito humilde, de apenas dois e três cômodos, feita de adobos [que não lembro de quem era] e já era a escola que fica um pouquinho acima do nível da rua Doutor Miguel Melo. Todas essas casas ficavam do lado direito da rua, no sentido rua Major Gama – Grupinho. Do lado esquerdo, do prédio onde funcionou a escola Elisa Bocaiuva, existe uma praça [muito simples, nem mesmo aparenta ser uma. Sendo apenas um círculo de mais ou menos cinco metros de largura, com três mastros e uma estátua que acho que simbolize o francês Hercule Florence que dá nome ao local. Lembro-me que ali no começo da década de 1970, quando aquele local servia de campinho para a gurizada da época, ao lado de onde Osvaldino Santos, o “Didi da L.I.C.B.”, ao casar-se com dona Rita, construiu sua casa, havia uma grande área desocupada, cheia de mato [de onde podia-se entrar e sair na rua Major Gama, atravessando pelo quintal de seo Mané Garrafeiro, um casal muito pobre, construiu ali um barraco, não lembro o nome deles, mas lembro que eles tinham dois filhos: um jovem de aproximadamente 16 ou 17 anos chamado Xité e um menino de 13 ou 14 anos que atendia por “Nizinho”. Do lado esquerdo da rua Miguel Melo, no mesmo sentido, havia somente a casa de seo Picuá, pai de Totolão, na esquina com a rua Cônego Pereira Mendes, descendo para a rua Fernando Ferrari. Somente no ano de 1978, com a implantação do Projeto Cura da Prefeitura de Cuiabá, foram abertos os acessos da rua Doutor Miguel Melo até a Travessa Severino Albuquerque e no sentido rua Major Gama à Caixa d’água até a avenida Dom Bosco, passando por uma parte da chácara do Coronel Correia, inclusive, derrubando duas casas que ele mantinha em aluguel e parte da própria residência dele [Coronel Correia]. E também os complementos das ruas Professor João Barbosa Fontes, trecho entre a rua São Cristóvão e a rua Fernando Ferrari e da rua Major Gama, trecho entre a rua Fernando Ferrari e rua Irmã Elvira Paris.
Assim como a década de 1970 foi o ponto de retomada do progresso do Brasil com a implantação pelo Governo Militar da época, do programa de ocupação da Amazônia Brasileira, ou seja, da Região Norte do país, que trouxe muita gente da Região Sul, e principalmente da Região Nordeste para Mato Grosso, o ano de 1978, foi um divisor de águas não só para o bairro Dom Aquino, como para toda a cidade de Cuiabá. O Projeto Cura, implantado pela Prefeitura de Cuiabá na gestão de Rodrigues Palma quando vários bairros foram contemplados com serviços de infraestrutura, em especial o tão sonhado, asfalto. Lembro que até 1977, todas as ruas do bairro Dom Aquino eram de chão de “terra batida”. A rua Major Gama era calçada com paralelepípedos entre a rua Comandante Costa e a avenida XV de Novembro. Havia dois tipos desses paralelepípedos. Um quadrado, com o qual foi calçada a Rua Nova [atual avenida Dom Aquino] e um redondo e maior, com o qual era calçada a avenida XV de Novembro. Subir o morro da rua Major Gama naquela época antes da pavimentação era um suplício para os moradores, especialmente, os idosos. O terreno era coberto por um pó de cor amarelada, muito parecido com leite em pó [que grudava na pele das pessoas e dava trabalho para tira-lo] proveniente da piçarra que cobria aquela parte do morro, além que era muito íngreme. Foi cortado quase que pela metade para a pavimentação da rua Major Gama. Muita gente já comeu leite em pó com açúcar quando criança e sabe que ele grupava no céu da boca e só conseguia engoli-lo junto com água. Esse pó que havia na rua Major Gama era desse tipo. Quando Eu e meus irmãos, carregávamos água para enchermos os tanque e tambores lá de casa buscando agua lá do poço de dona Maria, na esquina da rua Pimenta Bueno com a rua Major Gama e a água ia molhando os pés da gente e subíamos e descíamos o morro, quando terminávamos, parecia que estávamos usando botas, de tanto pó grudado nos pés.
Havia naquela época, dois poços ali nas proximidades. Esse de dona Maria, que ficava no antigo bairro do Barcelos e, outro no Morro do Tambor, no quintal de dona Toní, na rua Fernando Ferrari. Com dona Maria não havia problemas, ela permitia que todos se abastecessem de água ali naquele poço, desde que respeitassem o local. Sem bagunça e, principalmente, sem brigas. Agora, com dona Toní era um pouco complicado. Apesar de ser uma pessoa muito boa e estimada pelos vizinhos, ela era “uma mulher de fases”. No dia que dona Toní estava “de boua”, todo mundo pegava água sem problemas no poço dela. Agora, no dia em que ela amanhecia “de apá virado” não tinha boca. Ninguém tirava água no quintal dela. Havia também no quintal dela [dona Toní] próximo ao poço uma cancelinha [estreito portão de madeira, semelhante a uma porta] que dava para uma trilha que passava entre a casa de dona Toní e de outra vizinha e ia sair na rua das Flores [atual rua Irmã Elvira Paris]. Antes de ser aberto o complemento da rua Major Gama entre a rua Fernando Ferrari e a rua Irmã Elvira Paris, se não fosse por esse atalho, era cansativo e demorado para seguir em direção aos bairros do Areal, Aldeia e Campo Velho. Da mesma forma que era com o poço, dona Toni era com essa passagem. Se ela estivesse em um dia bom, a pessoa pedia para passar e ela imediatamente permitia, dizendo: “Pode passar meu filho ou minha filha”. Mas, se ela estivesse naqueles dias, nem pensar. Quando a gente pedia para passar, ela já vinha com tudo: “Não vai passar p*** nenhuma!” ou “Vai passar na Caixa do C***”. Não tinha boca, tinha que voltar mesmo e dar a volta, ou pela rua Fernando Ferrari indo até próximo da Caixa d’água para descer até à rua Irmã Elvira Paris ou ir pela rua Cônego Pereira Mendes e descer até à antiga Rua das Flores. Eu e outros meninos, quando queríamos ir até o campinho da Prosol e estávamos com preguiça de dar aquela volta enorme, ficávamos ali nas proximidades do poço, vigiando e, quando ela se entretinha nos afazeres domésticos a gente passa correndo agachadinho por trás de uma mureta baixa que havia num corredor de uma área do lado da casa, e ela não via a gente.
Naquela boa época, nas décadas de 1960 e 1970, principalmente, eram comum após as chuvas torrenciais que caiam naquele tempo no período chuvoso, após as chuvas, pessoas andarem agachadas com os olhos fixos nas valetas que se formavam chão das ruas por causa das correntezas que se formavam durante a chuva, procurando ouro. Algumas pessoas mais espertas e com os olhos mais aguçados, conseguiam algum dinheiro com essa pratica, vendendo o ouro achado nas ruas para os muitos Ourives que existiram em Cuiabá e no Morro do Tambor. Na rua São Cristóvão, entre as ruas Vitorino Miranda e Severino Albuquerque, morou um ourives muito conhecido em Cuiabá, Dazinho, ex goleiro do Campinas Esporte Clube.
AS RUAS DO MORRO DO TAMBOR E SEUS MORDORES
Primeiramente irei listar os moradores vizinhos de minha família entre os anos de 1965 e 1970. Nossa casa, cujo endereço é o mesmo até aos dias atuais, situa-se exatamente no pico do morro. Rua Major Gama, nº 115, poucos metros da rua Doutor Miguel Melo. Quando mudamo-nos para ali por volta do mês de maio de 1959, com a casa ainda inacabada, havia pouquíssimas famílias morando no local. Quando ali nos instalamos, já estavam lá: Na esquina da rua Major Gama com a rua São Cristóvão: Seo Ângelo e dona Laura, pais do conhecido Jamil Nascimento muito tempo em atividade no esporte profissional e amador de Cuiabá e avós do Vereador por Cuiabá Renivaldo Nascimento. Seo Benedito e dona Clara, pais de Osvaldino que até quando morou no Morro do Tambor era Sargento da Polícia Militar de Mato Grosso, Maria de Lurdes, Devair, Dito Teixeira e Cidmar. Seo Carmindo e dona Zilda, conhecida como dona “Nhanhá” pais de Nizinha, Neide, “Nonô”, Clarindo “Moage”, Carmindinho, José Luiz “Zé Jabuti” e Lucindo “Chindo”. Seo Manoel “Mané Garrafeiro” e dona Tereza “Nhá Tê”, pais de Ana e dona Madalena [irmã de Nhá Tê] e mãe de Bonifácio. Depois da casa de seo Mané Garrafeiro é a nossa casa. Num terreno onde havia o campinho do Morro do Tambor, antes da construção do campo morou a família de seo Francisco e dona Atanásia, pais de Chico, Arlindo e Guilherme e, depois da nossa casa tinha a casa de seo Leodório e dona Miguelina, pais de Dita, Sonia, Marli, Maria Alice, Sandra, Atma e Amilton. Em frente das casas de seo Mané Garrafeiro e de dona Miguelina ficava a chácara do Coronel Correia e ao lado havia três casa geminadas [“parede e meia”, como diziam os cuiabanos] que me parece eram de propriedade de dona Conceição que as alugavam [nesse local atualmente funciona um lava jato]. Moraram nessas casas, seo Ataíde e dona Mocinha, pais de Teté, Ataidinho e Celmo; seo Zé Dias e dona Erundina, pais de Eranil, Renil, Alonso, Zé Augusto e Faninho; e seo Hamilton e dona Tací. Dona Erundina, que morava de aluguel no Morro do Tambor, foi uma das contempladas com uma casa no Conjunto Habitacional Cidade Verde ou COHAB VELHA, na década de 1980 foi uma das fundadoras do bairro Pedregal. Quero deixar registrado que Arlindo e Guilherme. Alonso¹, Zé Augusto e Faninho foram meus primeiros amiguinhos na época de criança no bairro Morro do Tambor entre os anos 1966 e 1970 da década de 1960 do século passado. ¹Esse Alonso a quem me refiro, é o mesmo conhecido Alonso, Policial Civil, que mantém uma casa de recuperação de viciados em drogas ilícitas.
Assim como a década de 1970 foi o ponto de retomada do progresso do Brasil com a implantação pelo Governo Militar da época, do programa de ocupação da Amazônia Brasileira, ou seja, da Região Norte do país, que trouxe muita gente da Região Sul, e principalmente da Região Nordeste para Mato Grosso, o ano de 1978, foi um divisor de águas não só para o bairro Dom Aquino, como para toda a cidade de Cuiabá. O Projeto Cura, implantado pela Prefeitura de Cuiabá na gestão de Rodrigues Palma quando vários bairros foram contemplados com serviços de infraestrutura, em especial o tão sonhado, asfalto. Lembro que até 1977, todas as ruas do bairro Dom Aquino eram de chão de “terra batida”. A rua Major Gama era calçada com paralelepípedos entre a rua Comandante Costa e a avenida XV de Novembro. Havia dois tipos desses paralelepípedos. Um quadrado, com o qual foi calçada a Rua Nova [atual avenida Dom Aquino] e um redondo e maior, com o qual era calçada a avenida XV de Novembro. Subir o morro da rua Major Gama naquela época antes da pavimentação era um suplício para os moradores, especialmente, os idosos. O terreno era coberto por um pó de cor amarelada, muito parecido com leite em pó [que grudava na pele das pessoas e dava trabalho para tira-lo] proveniente da piçarra que cobria aquela parte do morro, além que era muito íngreme. Foi cortado quase que pela metade para a pavimentação da rua Major Gama. Muita gente, quando criança comeu leite em pó com açúcar e sabe que ele grupava no céu da boca e a gente só conseguia engoli-lo junto com água. Esse pó que havia na subida do morro na rua Major Gama era semelhante ao leite em pó, principalmente quando em contato com a água, ficava terrivelmente grudado na pele. Quando Eu e meus irmãos, carregávamos água para enchermos os tanque e tambores lá de casa buscando agua do poço de dona Maria, na esquina da rua Pimenta Bueno com a rua Major Gama e a água ia molhando os pés da gente e subíamos e descíamos o morro, quando terminávamos, parecia que estávamos usando botas, de tanto pó grudado nos pés.
Havia naquela época, dois poços ali nas proximidades. Esse de dona Maria, que ficava no antigo bairro do Barcelos e, outro no Morro do Tambor, no quintal de dona Toní, na rua Fernando Ferrari. Com dona Maria não havia problemas, ela permitia que todos se abastecessem de água ali naquele poço, desde que respeitassem o local. Sem bagunça e, principalmente, sem brigas. Agora, com dona Toní era um pouco complicado. Apesar de ser uma pessoa muito boa e estimada pelos vizinhos, ela era “uma mulher de fases”. No dia que dona Toní estava “de boua”, todo mundo pegava água sem problemas no poço dela. Agora, no dia em que ela amanhecia “de apá virado” não tinha boca. Ninguém tirava água no quintal dela. Havia também no quintal dela [dona Toní] próximo ao poço uma cancelinha [estreito portão de madeira, semelhante a uma porta] que dava para uma trilha que passava entre a casa de dona Toní e de outra vizinha e ia sair na rua das Flores [atual rua Irmã Elvira Paris]. Antes de ser aberto o complemento da rua Major Gama entre a rua Fernando Ferrari e a rua Irmã Elvira Paris, se não fosse por esse atalho, era cansativo e demorado para seguir em direção aos bairros do Areal, Aldeia e Campo Velho. Da mesma forma que era com o poço, dona Toni era com essa passagem. Se ela estivesse em um dia bom, a pessoa pedia para passar e ela imediatamente permitia, dizendo: “Pode passar meu filho ou minha filha”. Mas, se ela estivesse naqueles dias, nem pensar. Quando a gente pedia para passar, ela já vinha com tudo: “Não vai passar p*** nenhuma!” ou “Vai passar na caixa do c***”. Não tinha boca, tinha que voltar mesmo e dar a volta, ou pela rua Fernando Ferrari indo até próximo da Caixa d’água ou pela rua Cônego Pereira Mendes. Mas Eu e outros meninos, ficávamos ali nas proximidades do poço, vigiando e, quando ela se entretinha nos afazeres domésticos a gente passa correndo agachadinho por trás de uma mureta baixa que havia num corredor do lado da casa e ela não via a gente.
Naquela boa época, nas décadas de 1960 e 1970, principalmente, eram comum após as chuvas torrenciais que caiam naquele tempo no período chuvoso, após as chuvas, pessoas andarem agachadas com os olhos fixos nas valetas que se formavam chão das ruas por causa das correntezas que se formavam durante a chuva, procurando ouro. Algumas pessoas mais espertas e com os olhos mais aguçados, conseguiam algum dinheiro com essa pratica, vendendo o ouro achado nas ruas para os muitos Ourives que existiram em Cuiabá e no Morro do Tambor. Na rua São Cristóvão, entre as ruas Vitorino Miranda e Severino Albuquerque, morou um “ourives” muito conhecido em Cuiabá, Dazinho, ex goleiro do Campinas Esporte Clube, clube de futebol fundado no antigo bairro do Barcelos, que disputou vários campeonatos cuiabano de futebol profissional.
A RUA MAJOR GAMA
Nesse período acima citado não havia muitas famílias morando no local. Lembro que entre a avenida XV de Novembro e a antiga Rua da Prainha atual Avenida Tenente Coronel Duarte morava, do lado direito da Rua Major Gama, a família de “Dito Burrico”, lembrando que antes da casa dessa família havia um terreno baldio e, depois dela havia mais duas casas, sendo que a última que atualmente fica na esquina, era um lote muito grande, onde desde a década de 1970 funciona uma oficina mecânica. Do outro lado da rua nesse mesmo treco [onde atualmente existe o prédio do Banco Bradesco não havia casas. E do outro lado do córrego Prainha do mesmo lado também havia uma casa onde até recentemente funcionou uma Papelaria que pertencia ao ex jogador de futebol Renato “Três dedos”, ao lado atualmente no local é realizado um salão onde são realizados bailões para o pessoal da Terceira Idade, e que foi residência de dona Pomba [que me parece era a mãe do ex goleiro do Operário de Várzea Grande, Edmilson “Piranha”, em seguida a casa da família de Rogério Oliveira, conhecido treinador de clubes profissionais e amadores do futebol cuiabano. A casa de seo Valdemar [Sargento aposentado da PMMT que era musico, tocava Trombone de Vara na Banda da Polícia Militar, que era pai de Geni [colega de trabalho no antigo Dermat] e Ataíde, chamado desde menino de “Ataidinho” e por fim, na esquina com a Rua Pimenta Bueno havia a casa de dona Maria do Poço, mãe de Felipe, Severino, Groza e Zé Conceição “Zé Lobi”.
Do outro lado da Rua Pimenta Bueno, a partir da Rua Professor João Barbosa de Farias caminhando no sentido à Rua José Bonifácio, na Várzea Anna Poupino, do lado esquerdo, logo após o quintal da dona Maria do Poço, havia um lote vazio, em seguida havia uma casa grande e bonita que serviu de “republica” para jogadores do Clube Esportivo Dom Bosco em meados da década de 1970; ao lado era a casa de seo Ataíde “Barbeiro”; ai a casa da família do Pai de Santo Zé Augusto [que ficou famoso, pelo “Caso Tijucal”]; aí havia mais umas cinco casas e vinha a casa do mecânico do antigo Dermat Manoel Leite Gonçalves, mais conhecido como “Mané coco de aço”, que foi vendida para o Grupo de Supermercado Modelo e no local foi construído uma parte do estacionamento. Fazendo caminho inverso, do lado direito, morava seo Marcelo, pai de Jéquinha [atualmente a casa fica em frente ao portão de saída do estacionamento do atual Hiper Mercado COMPER, da Prainha. Seo Marcelo fazia colchões de palhas, muito usados naquela época, que vendia e entregava em domicilio com uma charrete que possuía. Jéquinha era um anão, que costumava dar carreiras na gurizada que ia buscar água no poço de dona Maria. Eu mesmo levei vária carreiras dele. A gente não sabia que ele já era adulto, até porque a mãe dele vestia-o como uma criança. Até que certo dia resolvi peitar Jéquinha e ele afinou. Modéstia, a parte, Eu mesmo quando garoto ainda, na faixa dos 11 ou 12 anos já tinha físico bem desenvolvido. Na época dessa faixa etária, havia ali na esquina da ruas Major Gama com a São Cristóvão, em frente à casa dos pais de Jamil Nascimento, um campinho, menor que o Campinho do Morro do Tambor, que havia ao lado da casa dos meus pais. E esse campinho era coberto com a mesma poeira grudenta e de cor amarelada que cobria a rua Major Gama na subida do Morro do Tambor. Eu passava muito tempo ali “batendo uma bolinha com a gurizada da época” e como gostava de pegar no gol, chegava em casa todo amarelo de pó e, minha mãe me mandava tomar banho e Eu não tomava o banho corretamente [só jogava a água e não passava o sabonete, ficando um monte de manchas de poeira pelo corpo] e apanhava de minha mãe. Nossa vizinha, dona Maria Rosa, que era como uma filha para minha mãe, quando ouvia mamãe me mandar tomar banho [o banho era na beira do tanque com uma vasilha pequena para derramar água sobre o corpo], nossos quintais eram separados apenas por uma cerca de arame farpado, ela ia e ajudava-me tomar banho da maneira correta. Lembro que ela sempre falava de meu porte físico já naquela idade e pedia para Eu mostrar o “muque” [Que é a gente contrair o braço, fazendo força para que o músculo do ante braço se destaque].
Um outro elogio sobre meu porte físico que consigo lembrar-me ainda hoje, saiu da boca de Fifío. Estávamos jogando futebol no Campinho do Morro do Tambor e num determinado lance, Eu e Tchô Branco começamos a discutir e Ele me chamou “pra porrada”. Aí, Fifío disse a ele: “Cê tá loco, cara!? “, “Cê vai brigar com Neneca. Ai hó, poco forte!”, disse batendo a mão no meu peito. Naquela época, 1974, o time do América de Minas Gerais montou um ótimo time no Campeonato Brasileiro e fez bonito. Tinha Luiz Carlos Beleza, Pedro Omar, Juca Show, Cândido e Edson. O goleiro era Neneca, um negão forte, de 1,80m de altura. Havia nessa época em Cuiabá, um boxista que atendia pela alcunha de Carrasco, maior rival do Máscara Negra, que residia na antiga Rua das Flores e que tinha muita vontade de iniciar-me nessa carreira, justamente por causa do meu porte físico e não escolher cara ou tamanho de adversários, mas minha família não permitiu, pois naquela época, achava-se o Box um esporte muito violento.
Continuando em direção à Várzea Anna Poupino, do mesmo lado esquerdo, cerca de 200 metros após a esquina com a Rua Major Gama havia a casa de seo Hélio Barbeiro, pai de Tito, um menino que foi meu colega de aulas no Asilo Santa Rita. Depois da casa de seo Hélio havia a Chácara de seo Firmo [local onde foi construído o prédio da Faculdade Afirmativo, atualmente desativado] e da Família do Major Eldo Sá Correia. Depois havia, me parece mais duas casas e na esquina com a rua Vitorino Monteiro ficava a casa da família de seo Dimas [um senhor que viveu, me parece, até aos 107 anos], pai de dona Hermínia, esposa de Cândido de Almeida Lino, que moravam nessa mesma rua, na esquina com a Rua Alirio de Figueiredo. Em frente da casa da família de seo Dimas, do outro lado da rua Pimenta Bueno, havia o bulitcho de dona Bugrinha. Seguindo em frente, do lado direito da rua, morava a família do saudoso professor Rogério, que jogou no Dom Bosco e no Palmeirinhas e ao lado era a casa e padaria do seo Sebastião “Cacau”, que fazia o melhor pão da história do bairro Dom Aquino e também a família de meu colega do antigo Dermat José Damásio, o “Zé Chiclete”. Do lado esquerdo, nesse mesmo trecho moravam dona Sinhá, avó de Bacuri, Marinho “Silimbu” e Valmir “Bocótinha”. Me parece que Paulo “Ximburé”, também morou nesse parte do bairro Barcelos e tinha também as casas de Mané “Mosquinha” que foi motorista do Dermat e a casa na esquina com a rua Professor Silva Pontes, onde atualmente mora o conhecido ex-jogador, Groza.
Após essa rua que na época do antigo bairro Barcelos era chamada de Beco do I.A.P.I. Beco, porque era somente entre a rua da Prainha [atual avenida Tenente Coronel Duarte à rua Pimenta Bueno; e I.A.P.I, talvez seja porque esse órgão do Governo Federal, atualmente denominado I.N.S.S, possa ter funcionado em algum imóvel desse beco], o complemento até a rua Irmã Elvira Paris, só foi aberto em 1978, com a implantação do Projeto Cura, existem uma sequência de casas construídas há bem mais do que setenta anos, na segunda ou terceira casa, moram desde 1974, Sebastião Moraes, o famoso “Ferrinho” e na esquina com a rua José Bonifácio, morava a família de seo Manéquinho Charreteiro. Do outro lado da rua em frente da casa de Ferrinho, moram a família de Seo Tito Fotógrafo e dona Adenir, pais de Marcio “Cabeção” e Chinho ou Adilson “Discoteca” ex jogador do Dom Bosco. Mais ao lado existe uma casa onde morava a família de meu amigo e colega da Guarda Mirim Zoel Arruda, que foi servidor do 9º BECnst, por quase 50 anos, aposentou-se em 2019, em frente à Praça da Pedra [local de compra e venda de carros usados, há o sobrado construído no lugar onde havia um casarão que na década de 1960 abrigou o Grupo Escolar Januário Rondon, que ao mudar-se para a avenida XV de Novembro, cedeu o imóvel para ser quartel da Guarda Mirim. E finalmente, na esquina da rua Pimenta Bueno com a avenida Carmindo de Campos, morava a família de Juarez, um conhecido Guarda Mirim [na verdade, ouvi dizer, faz muito tempo que ele era Guarda Mirim, apenas um informante da Polícia que se dizia “Detetive”]. Nesse local, ele tocou um bar muito frequentado por bastante tempo [se não me engano, ainda em atividade, não sei se ainda pertence a ele ou a alguém da família]. Informações recebida em 2019, davam conta de que Juarez ainda era vivo e estaria residindo no bairro Morada da Serra.
Já na esquina, em frente da casa de dona Maria do Poço, havia um bulictho, que depois passou a ser armazém. Aí, iniciando a subida do morro, havia o imóvel onde funcionou na década de 1970 e 1980, o açougue de seo Ponciano, uma família da qual não recordo os nomes dos proprietários dessa casa, a casa da família de meu amigo até aos dias atuais, Toninho, a casa da família de seo Pinheiro [um senhor que mexia com aposentadoria, acho que era servidor do I.N.P.S, naquela época], a família de Zé Precata, a casa do irmão de Zé Precata e um imóvel que ainda existe na esquina com a rua Alirio de Figueiredo, em frente à Mercearia Imperial [ainda em atividade, porém, com nome diferente]. Após a rua Alirio de Figueiredo, do mesmo lado esquerdo subindo o morro havia uma casa onde no final da década de 1960 morou o casal Seo Zé Japonês e dona Carminda². Eles tinham uma filha chamada Doninha, que se casou com um velho rico [me parece que era fazendeiro], um rapaz chamado Juarez e um menino que na época tinha a mesma idade que eu e chamava-se Ronaldo. Ele tinha apelido de “dona Cegonha”. Naquele tempo fazia muito sucesso uma marchinha de carnaval que dizia: “quem vai querer, dona Cegonha tem boneca pra vender?”, Ronaldo vivia cantando essa música e acho que foram pessoas da própria família dele que lhe batizaram com essa alcunha. ²Exatamente nesse local, atualmente, funciona o Bar do Jarbas, que é de propriedade de netos do casal Seo Ângelo e Dona Laura. E depois dessa casa vinha a própria residência desse casal, que me parece tiveram 18 filhos. Não cheguei a conhecer todos, mas conheci a maioria. Lembro de Seo Zezinho, Seo Jardes, Seo Jazinho, Jaci, Laura, Jamil “Bode”, João “Cu duro”, Antonio “Barranco”, Ângelo “Cuíca”, Hamilton “Pipoca” e Ademir “Dema ou Bardall”, mas ficou bastante conhecido como Pardal, no meio esportivo onde milita há muito tempo. Interessante, que há 40, 50 anos atrás quase todo mundo tinha apelidos. Jamil, era pelo cavanhaque que ele usa desde de jovem, como já fazem mais de dois anos que não o vejo, não sei se ainda está usando. João, ganhou o apelido porque certo dia estava ele e mais alguns irmãos pintando a parede da casa, quando um dos degraus quebrou e ele caiu de bunda no chão. Como tinha uns guris que viram a cena e começaram a rir, ele disse: “Não doeu!!!” e aí alguém sacou o apelido. Antônio, foi por causa da localidade onde ele nasceu: Barranco Alto, comunidade ribeirinha. Ângelo e Hamilton, não lembro e Bardal foi porque no começo da década de 1970, havia um comercial de um óleo lubrificante chamado BARDALL e na lata em que vinha o óleo havia a caricatura de um homem parecido com aqueles espiões dos filmes daquela época. Numa época de frio, Ademir apareceu lá no campinho do Morro do Tambor, com uma japona de frio do Exército e um chapéu semelhante à aqueles dos espiões. Alguém notou a semelhança com o personagem da lata de óleo lubrificante e o apelido pegou. Para falar de toda a família de seo Ângelo e dona Laura, precisaria de um capitulo a parte. São muitos membros e muitas histórias. Mas vamos fazer isso oportunamente.
Subindo o morro, a partir da Rua Pimenta Bueno, agora do lado direito, apenas na esquina havia uma casa que era residência e também bulitcho de outra mulher também chamada Maria que no final da década de 1970 também foi um bar. Daí, dessa casa até a esquina da Rua Major Gama com a rua Alirio de Figueiredo só iriam construir imóveis apenas na década de 1980. O jogador Serginho, Sergio Roberto Basso, na época de dos astros da Academia de futebol do Dom Bosco e, professor de Educação Física formado pela Universidade Federal de Mato Grosso, construiu uma casa muito boa quase na metade da subida do morro e um pouco mais acima, construíram o prédio onde funcionou por muitos anos a Mercearia Imperial, que atualmente funciona com outro nome. Na rua Alirio de Figueiredo, seguindo à esquerda no sentido avenida Dom Bosco havia a casa de Ciro “Louco”, outro que trabalhou a vida inteira no Dermat, a casa de seo Noróe, pai de Vadinho, Tantin e Zé Carlos [esses dois últimos, policiais civis]. A casa do Coronel PM Leite. Daí, da casa do Coronel Leite até a avenida Dom Bosco havia muitas casas, porém não conheci e nem me lembro de todos os moradores. Nesse mesmo sentido, do lado direito, depois da casa onde está o atual Bar do Jarbas, era a casa de seo Jardes, que me parece era o pai do Vereador Renivaldo Nascimento, em seguida a casa onde moram familiares de meu amigo até aos dias atuais, Marcio Silva e de seus irmãos Duzé e Tininho. Marcio tinha umas irmãs, que infelizmente, no momento, não lembro os nomes. Eram filhos de seo Domingos [infelizmente, também não lembro o nome da mãe de Márcio], Depois vinha a casa de seo Armindo Pardal, pai de Zezé, Marcio e Marcia. Isso até 1984, quando me casei e mudei para Várzea Grande, porém, acho que houve mais filhos de seo Armindo. Também não conheci e nem me lembro do resto dos moradores desse ponto ai da casa de seo Armindo Pardal até à avenida Dom Bosco. Na verdade, lembro-me, apenas da família do Coronel Campos Filho [que foi meu colega de escola no Asilo Santa Rita], que moravam numa casa já próximo à avenida Dom Bosco. Desse mesmo lado, entre a rua Alirio de Figueiredo e a rua São Cristóvão, só no final da década de 1970 é que construíram um imóvel bem na esquina da rua São Cristóvão com a rua Major Gama, onde havia um campinho de futebol e no começo da década de 1980 outro na esquina da rua Major Gama com a rua Alirio de Figueiredo.
Na mesma rua Alirio de Figueiredo, agora no sentido Várzea Anna Poupino, do lado esquerdo dessa rua havia várias casas. A primeira ficava cerca de 50 metros da esquina com a rua Major Gama e foi a casa que onde deu origem à fundação da casa de apoio aos portadores do vírus HIV, Casa da Mãe Joana. Essa casa existe até hoje e está em perfeitas condições. Não sei porque, mas desde aqueles tempos na década de 1980, até aos dias atuais, essa casa sempre teve longos períodos de abandonos. Não sei quem eram naquela época ou quem são os proprietários dessa casa atualmente, mas sei a história da menina Conceição “Xun-xun”. Ao lado dessa casa havia uma enorme vala. Eu acredito que fosse um córrego que secou com o passar dos séculos. Esse valetão nascia nos fundos do quintal de seo Mané Garrafeiro, nas proximidades do prédio da escola Maria Elisa Bocaiuva Correa da Costa e vinha descendo em direção à rua Pimenta Bueno no antigo bairro do Barcelos cortando os quintais de várias casas, como a de seo Onildo Cruz, popular “Preto” para moradores do Morro do Tambor e “João Bobo” para os colegas do antigo Dermat [outro que também trabalhou a vida toda no Dermat], do casal seo Antonio e dona Benedita, pais de Sonia, Sheyla, Solange, Suzy e Sulamyrtes e pelo terreno onde havia um campinho já mencionado anteriormente nesta matéria.
Após essa vala, havia as casas de seo Henrique e dona Fia, pais de Henriquinho, Eronides, Edevaldo “Xaxo Vigário” e Hélio “Bostinha”. Depois havia mas duas casas, a casa de seo Ângelo “Azeitona”, a casa onde atualmente mora Antonio “Totolão” ex goleiro da Ponte Preta do Morro do Tambor e mais uma casa já na esquina com a rua Vitorino Miranda. No começo da década de 1980, quando começaram a aparecer os primeiros casos de AIDS no Brasil, acho que ano de 1982 ou 1983, uma menina apelidada de Xun-xun, filha do casal seo Antônio “Pinto Preto” e dona Maria, que era uma adolescente rebelde, começou a ficar doente e descobriu que ela era portadora do vírus HIV. Na verdade ela acompanhou amigas e começou a frequentar o bairro do Porto que foi onde foi contaminada. O pai que era um homem rude e insensível que inclusive judiava muito das duas filhas que tinha, além dessa menina, tinham uma mocinha acho que já beirando os 18 anos, chamada Nilza. O pai, ao saber do caso, não quis nem conversa e expulsou a Xun-xun de casa. A menina já debilitada e desamparada, passou a morar na área dessa casa abandonada que havia nessa rua. Certo dia, dona Joana Jesus dos Reis, que morava na rua São Cristóvão ao passar pelo local e deparar com a cena da menina abandonada, conversou com ela e sentiu que precisava ajuda-la de alguma forma. Conseguiu roupas e alimentos e saiu em busca de tratamento para ela. Só que três ou quatro dias depois disso, dona Joana não conseguia mais aceitar a ideia daquela menina dormindo ali na área daquela casa sozinha e levou-a para sua própria casa e a adotou como filha, já que o pai não a aceitava em cassa. Depois disso, ela conheceu um rapaz, enfermeiro na Santa Casa com o mesmo problema e também o acolheu em casa. Então outras pessoas nas mesmas condições começaram a procura-la e foi aí, que ela fundou a CASA DA MÃE JOANA, essa mesma instituição que a gente conhece atualmente, porém da mulher que abraçou uma das maiores causas humanitária da história de Cuiabá, e da qual a grande mídia da capital nunca lembra, que faleceu sem nunca ter recebido uma homenagem sequer dos poderes públicos, que homenageiam fazedoras de bolo de arroz, benzedeiras, rezadeiras, cantoras, etc. Nessa rua, no mesmo sentido, porém do lado direito praticamente não havia casa nenhuma, com exceção da residência de Cândido de Almeida Lino, primeiro morador do bairro Dom Aquino a eleger-se vereador por Cuiabá. No mais, havia somente os fundos das casas de seo Firmo, do Major Eldo e da família Cintra. Subindo o morro pela rua Vitorino Miranda, naquele tempo do lado direito da dessa rua, se bem me lembro moravam apenas as famílias de seo Zé Luís, filho de seo Candí e de Chico “Cachorra” conhecido funcionário da Prefeitura de Cuiabá.
Continuando a subida da Rua Major Gama em direção ao topo do morro, chegamos à Rua São Cristóvão, quase no topo do Morro do Tambor. Virando para a esquerda, em direção à Rua Comendador Henrique, do lado esquerdo dessa rua, depois da casa da família de Jamil Nascimento, moravam Seo Zezinho, irmão de Jamil, que era casado com dona Dirce e pais de Toinho, Dídi, Edilson “Tição”, Mazinho e Simone [mas me parece que havia mais filhos]. Depois era o quintal da casa de seo Domingos, pai do meu amigo Marcio, que tinha a frente virada para a rua Alirio de Figueiredo; em seguida havia uma casa da qual não lembro qual família morava; a casa onde morava Collins, chamado de Tutinho, que mudou-se para São Paulo para trabalhar como modelo; a casa da família de Chico; outra casa da qual não lembro qual família morava e ai tinha um terreno muito grande, onde morava a família de meu amigo [que faleceu jovem ainda] João Coenga, que também foi meu colega de Serviço Militar, Nilo³, Helena [a morena mais bonita que já morou no antigo bairro Morro do Tambor], Antônio “Cu de boi”, Nilo [acho que havia mais integrantes nessa família, mas não lembro os nomes, nem dos pais deles]. Não lembro os nomes dos pais deles. ³[Nilo adorava encher o saco de seo Zé Pinguela. Era só o velho passar e ele o chamava pelo apelido. Certo dia, seo Zé o advertiu que quando o pegasse, iria arrepender-se. Certo dia, Nilo estava descuidado na beira do campinho em frente da casa de Jamil e não percebeu que seo Zé Pinguela vinha subindo com seu enorme carrinho de mão de madeira. Quando percebeu, seo Zé já o tinha pego pelo braço e ficou sem ação, aí seo Zé perguntou: “Quem que é Zé Pinguela?”. Sem jeito, Nilo respondeu: “Não é ninguém!”. Mentira, você vive me apelidando e deu dois “cascudos” [quando a pessoa fecha a mão como se fosse dar um soco e deixa o dedo médio mais saliente] na cabeça de Nilo, que saíram até lágrimas nos olhos dele, mas, com vergonha ele não chorou. Aí, seo Zé Pinguela o advertiu mais uma vez que se ele o apelidasse de novo iria ser pior quando o pegasse. Porém, mal se viu livre das mãos de seo Zé Pinguela, ele saiu correndo e gritando: É Zé Pinguela mesmo… É Zé Pinguela mesmo”].
Foi nesse terreno onde morou meu amigo João Coenga e me parece também o terreno ao lado, onde foi construído o Edifício Kaiaby [na esquina da Rua São Cristóvão com a Rua João Barbosa de Faria]. Seguindo em frente, após a Rua João Barbosa de Faria, em direção à Rua Comendador Henrique havia a casa de seo Martinho, famoso “tirador de rezas” não só no antigo bairro Morro do Tambor, como em toda Cuiabá, Seo Albertino e dona Maria. Seo Albertino, que era oriundo da comunidade ribeirinha de Bocaina e já é falecido, teve um açougue na esquina da rua São Cristóvão com a Rua Comendador Henrique. Em seguida há a casa onde morou o casal Seo Crispim e dona Sinhá, que era parteira e benzedeira [ajudou centenas de pessoas com suas rezas e seu oficio, uma benção de Deus, a ajudar mulheres darem à luz filhos. Tiveram nove filhos, cinco homens: João, Sebastião, Zelito, Antônio “Tonhão” e Eduardo Fidélis “Kidô” e quatro mulheres: Dora, Suzana [que foi minha colega de sala no Grupo Escolar Januário Rondon, em 1969 ou 1970], Jacy e Flor [que muito gentilmente, colaborou comigo na elaboração desta matéria]. O casal foram pioneiros naquela parte do Morro do Tambor e seu Crispim tinha a particularidade de que ele não usava sapatos, nem chiles nunca e para nada. E logo ao lado era a residência do casal Sabino Araújo e dona Dalva. Sabino foi funcionário do antigo Dermat e teve um armazém de porte médio para grande que atendia todo o bairro do Morro do Tambor e redondezas, com a prática a venda “anotada em caderneta” que eram saldadas quando o freguês recebesse seu salário. Tinham se não me engano três filhos: Juju e acho que duas moças a caçula chama-se Sandra. Em seguida eram as casas de Seo Zé de Aquino e dona Galdina, pais de Ari, Rosilene, Pipi, o policial civil Magalhães que faleceu anteontem. Tinha mais filhos, que não me lembro os nomes. Aí era a casa do Sargento do Exército Walter Fidélis, que era conhecido como “Seo Dóda” que tocava na Banda do 16º BC e era casado com dona Creuza. O casal tiveram seis filhos: Valdiria, proprietária da Escolinha She-Ra e He Man localizada na esquina da rua Alirio de Figueiredo com a rua João Barbosa de Farias, Valmiria e Valquíria e os filhos Valdir “Fidélis”, Valdison “Dico” e Valdivino. Em seguida vinham as casas de Seo Lourenço e dona Miri, pais dos policiais Vanderlei, Lervando, Lifatima, Dete, Sargento Zito, Dito e Sargento Lourenço “Chinho”; de Seo Constantino Calazans e dona Nadir, pais de Wilson “Bozó”, Wille Márcio, Wilce e Wilza. Seo Calazans já faleceu. Seo Joaquim e dona Pomba que faziam fogueira de São João. Retornando pela mesma rua Comendador Henrique, do lado direito em direção ao Edifício Kaiaby, em frente da casa de seo Dóda morava o mecânico Caio Jorge casado com dona Osvaldina, pais de Caio Junior, Cléber e Claudia [seo Caio faleceu cerca de um mês] e o casal seo Baiano e dona Corina, que moravam onde passou a continuação da rua João Barbosa de Farias. Continuando, existe ainda a casa onde mora a família de Caxé e dona Nieta, esposa de Vandir, conhecido feirante de Cuiabá. Ao lado, morava a família de meu amigo Everaldo [me parece que ele já não está mais entre nós], em seguida morava Pedrão, e ao lado, havia três casas que pertenciam ao casal Seo Domingos e dona Perciliana, pais de Benedito Adão “Xilí” e “Nhá Có”, que morava em uma e alugava outra duas. Pedrão era irmão de dona Perciliana. Pedrão, me parece, tinha problemas mentais e de vez em quando, ficava “atacado”. Lembro que certa vez, vinha com meus pais, Joaquim e Agripina, de uma visita à casa de minha madrinha Margarida que morava na avenida Coronel Escolástico, ao lado da Caieira Nossa Senhora da Guia, por volta de 19h00 ou 19h30, ao chegarmos próximo da casa de Pedrão, ele estava tendo um desses “surtos” e armado com um machado, atacava as pessoas que estivessem passando pela rua. Lembro, que tivemos que voltar e dar a volta pela avenida Dom Bosco, subir e descer, passando pela Caixa d’água para poder pegar a rua Fernando Ferrari e chegar à rua Major Gama, até nossa casa. Depois tinha a venda de Seo Antônio [não lembro com certeza, se esse o nome mesmo] pai de Carlos, aí morava Baiano que tinha um “Tombeira” [caminhão basculante] com quem meu irmão Zeca trabalhou depois que saiu do Dermat. Depois vinham as três casas onde moraram Seo Izaul, Zé Pinguela e Seo Gona. Me parece que foi no lugar da casa onde morou Seo Gona, que Seo Aroldo “Leiteiro” construiu a casa dele, fazendo divisa com o terreno de Seo Dito e dona Clara, seus sogros. Aroldo casado com dona Maria de Lurdes, tiveram os filhos: Eliane, Rico “Badaró”, Laurindo, Admilsom [que, infelizmente, tornou-se conhecido traficante em Cuiabá, morto em confronto com a polícia], parece-me que tinha mais um filho, não tenho certeza. No sentido contrário, descendo a Rua São Cristóvão em direção à Várzea Anna Poupino, do lado esquerdo da rua havia as casas do casal Seo Carmindo e dona Zilda “Nhanhá”; a casa do casal “Preto” e dona Izabel; do casal seo Antônio e dona Benedita; a casa onde moravam os pais de Martha⁴ e Batú e na entrada do Beco do Grupinho moravam a família de dona Joaninha, fundadora da Casa da Mãe Joana e dona Margarida e do outro lado, morava seo Valderico.
⁴Marta Martins dos Santos, filha de Francisco Martins dos Santos e Maria do Rosário Santos Pinto, foi mãe de Gonçalina [que desde os cinco anos foi adotada e levada para morar em Brasília], Lucelena [que após casar-se, mudou para a cidade de Boa Vista, em Rondônia] e Rosino “Castelo” que foi criado desde muito novinho por seu tio Batú. Marta nasceu no ano de 1940 e faleceu no ano de 2013, aos 73 anos. Marta era muito alegre, sua ‘marca registrada’ era o largo sorriso antes de dizer qualquer palavra. Desfilou por mais de uma década na Escola de Samba Pega no Meu coração de Benedito Pacheco, morador na Várzea Anna Poupino, rua José Bonifácio.]
O BECO DO GRUPINHO
Na residência onde morava Seo Valderico, funcionava um bulitcho [ai onde morava seo Valderico era um conjunto de três casas que pertenciam ao senhor José Boamorte, que segundo estórias contadas há muito tempo, ele teria ficado rico ao encontrar um ENTERRO. Enterro, seria uma quantia em dinheiro ou em joias, que alguém de posse escondia, enterrando em algum lugar e morria sem desenterra-lo. Depois aparecia em sonhos para alguém de quem gostasse e contava onde estaria esse “tesouro” guardado. Se a pessoa tivesse coragem e fosse até ao lugar e resgatasse o prêmio, ficava bem de vida, porém, se alguém que não fosse o escolhido, de alguma forma ficasse sabendo desse segredo e tentasse pega-lo, coisas horríveis aconteciam. No Beco do Grupinho, moravam depois da casa de seo Valderico, as famílias do casal seo Baiano e dona Clori, pais de Rui Barbosa, Pitú, Rutinha, Rubinho “João Paletó” e Nadir; seo Euclides e dona Matilde, pais do apresentador de TV João Oliveira; de dona Izabel [mãe de Vando]; a família de seo Ataíde e dona Mocinha, pais de Teté, Ataidinho e Celmo e na esquina, em frente à Escola Maria Elisa Bocaiuva, morava a família de seo Sebastião “Preto”, pai de Roque “Brabo” e Juquinha. Roque ainda mora no local atualmente.
Seguindo adiante, depois das casas de seo Zé Boamorte havia mais três casa. A terceira, ficava na esquina com a Rua Severino de Albuquerque e era grande e bonita, onde morou o ex jogador Dazinho, que por muito tempo exerceu a profissão de Ourives. Lembro que mais adiante, na esquina com a Travessa João Batista Pontes morava a família de seo Pinheiro, pai de William, o “Tico” e outros filhos que não lembro os nomes. Do outro lado da rua, no mesmo sentido, morava em frente à casa onde morou Dazinho, o saudoso Demézio Magalhães, fundador e mantenedor do Goiás Esporte Clube, importante time do futebol amador cuiabano.
Já no final da Rua Major Gama, no cruzamento com a Rua Fernando Ferrari, antes de 1978 quando foi aberto o acesso que deu continuação à rua Major Gama até à Rua Irmã Elvira Paris, virando para a esquerda em direção à Caixa d’água, do lado esquerdo dessa rua, na esquina morava dona Conceição, havia uma casa da qual não lembro o nome dos proprietários; a do casal Bento Benevides e Carmita, pais de Jorge, meu amigo até atualmente [tem outros filhos, que não lembro os nomes]; em seguida havia a família de seo Manoel Duarte, pai de Brasília [havia outras filhas, que no momento não lembro os nomes] viúva de seo Osvaldo, que era proprietário do bar de Osvaldo na rua Major Gama e que depois virou o Armazém Brasília; em seguida havia uma leve curva que foi onde veio a terminar o acesso da Rua João Barbosa de Farias e nesse local moravam duas famílias: a do casal seo Nilo boi e dona Rosa, pais de Mario boi e Luzia e seo Morais, um velho muito ruim que tinha três filhos que ele maltratava demais: o mais velho não lembro o nome, Antônio “Macaco de bunda vermelha” e Sabino “Coco de garrote”. Depois vinha mais umas quatro casas, depois a da família de Mingo e Zé Carlos, aí era a casa da família de Hermes “Serralheiro”, acho que mais uma ou duas casas, ai era a casa de seo Aroldo, depois de umas dez casas morava a família de seo Bertoso. Fazendo o caminho de volta em direção à Rua Major Gama, agora do lado direito, ao lado da Caixa d’água mora a família de meu amigo e colega do Exército, Avanil. Um pouco mais abaixo morava a família de “Leiteiro”, mais ou menos em frente à casa de seo Aroldo, morava a família de Ginho “Babão”. Daí até à casa ao Armazém de seo Ernesto que morava em frente à casa de seo Mané Duarte, não lembro quem eram os moradores, mas tinha pelo menos seis casa nesse espaço. E ainda tinha as casas das famílias de Pêco, Tobó e Diní e Tata [que eram filhos de seo Nhonhô Macaco] e tinha uma casa onde morou meus tios Cesar e Edite, pais de Fatima, Fábio, Sinú e mais um ou dois primos que não lembro os nomes. Essa casa, juntamente com a casa de dona Toní foram demolidas para a construção do acesso até à rua Irmã Elvira Paris.
Descendo a rua Major Gama e virando à direita na rua Fernando Ferrari, naquela época de final da década de 1960, começo da década de 1970 em direção ao bairro Várzea Anna Poupino, do lado direito da rua moravam: na esquina com a rua Major Gama, Seo Amarílio, onde atualmente existe o Armazém Brasília [que foi o Bar de Osvaldo na rua Major Gama onde atualmente existe um lava-jato]; a família de Crioulo e Abel “Dedé”; Seo Efigênio e dona Vigí, pais de Fifío; Sub Tenente PM Pinheiro, pai de “Divinão” [que mora no bairro da Manga, em Várzea Grande] e Devaltino. Tinha mais filhos, não lembro quantos e nem os nomes; a família do locutor e apresentador do famoso programa da Rádio Cultura de Cuiabá, CULTURA A DONA DA NOITE, Jorcy José; a família do finado Clovis Lesco, meu colega de Dermat por mais de vinte e cinco anos e ex jogador de futebol que foi titular no jogo entre Dom Bosco e São Cristóvão, no estádio do Maracanã em, 1969, quando era considerado o maior estádio de futebol do mundo; a família de Seo Dito e dona Amada, que comandava a Ala Feminina da torcida da Ponte Preta do Morro do Tambor e na esquina com a Rua Cônego Pereira Mendes, existe a casa onde morou o casal Joãozito e Enedina, pais de Elói “Satanás”. Seguindo em frente, havia a casa da enfermeira Alaíde, mãe de Maria Aparecida que foi minha colega de classe na Escola Professor a Tereza Lobo em 1981; de Seo Alirio, pai de Zé Lampinha, mais umas cinco ou seis casas, o campinho batizado de “Chapuletão” por Valter “Caolho” e na esquina com a rua José Bonifácio, o Cabaré de Timóteo. No mesmo sentido dessa rua, do lado esquerdo, havia a casa de seo Lício, pai do Sargento PM Devá e Valter, depois uma sequência de umas dez casas, onde morou Kibon, Nicomedes, “Nico”, o advogado Rosalvo [a esposa dele ainda mora no mesmo local]; seo Antônio que foi funcionário da Cemat, pai de Edson “Bala”, Néia e Vanildes e na esquina há a casa de Baiano, onde funciona um ferro-velho. Seguindo, após a rua Cônego Pereira Mendes há a casa onde mora a família do professor Elindes, Pedro “Saia” e Zé Pereira; o bar de seo Ciro, a casa de seo Isaías, pai de minha saudosa colega do Dermat Wilma e do meu amigo Wises, depois vinha a casa da famílias de meus amigos Virgílio, Paulo “Pau de Filipe”, Amaral “Pelezinho” parentes de meu colega Isaque, ex jogador do Palmeiras e colega do antigo Dermat.
O GRUPO ESCOLAR MARIA ELISA BOCAIUVA CORREA DA COSTA/ESCOLA ESTADUAL DE 1º GRAU MARIA ELISA BOCAIUVA CORREA DA COSTA
Inaugurada no ano de 1962 como Grupo Escolar e elevada à categoria de Escola Estadual na década de 1970, foi referência na qualidade de ensino entre as décadas de 1960 e 1980. Em setembro de 2003, o governador Blairo Maggi, atendendo a uma solicitação do prefeito de Cuiabá Roberto França, cedeu as instalações da Escola Estadual Maria Eliza Bocaiúva, para que ali funcionasse a Universidade Popular Comunitária/UPC. “Assim que o prefeito nos ligou solicitando a cessão do prédio, levantamos o que estava sendo planejado para ele, levamos ao conhecimento do governador e decidimos que era mais importante levar conhecimento à população, capacitando-a”, disse Ana Carla Muniz, Secretaria de Estado de Educação, na época.
 
Em 2008, na gestão de Wilson Pereira dos Santos, como prefeito de Cuiabá, através da Lei nº 5.118 de 01 de julho de 2008, passou a funcionar nas dependências de escola Eliza Bocaiuva, a Creche Municipal São José Operário.
Osvaldino Santos, “Didi” que morou ao lado da escola desde o começo da década de 1970 e sempre foi um cuidador zeloso pela instituição de ensino [se não fosse por Didi, esse prédio já estaria no chão há muito tempo] contou que na época em que funcionou a biblioteca nas dependências da escola, quando chovia, ele [Didi] abrigava as pessoas em sua residência e ia juntamente com outro morador, Luiz Carlos da Silva, “Bujão”, mudar os livros de lugar para que não molhassem.
Ele, também lembrou que sua falecida esposa, Sr.ª. Rita Maria de Lima Santos, nos anos de 1969 e 1970, deu aulas na escola Eliza Bocaiuva, na alfabetização de adultos, pelo extinto programa Movimento Brasileiro de Alfabetização ”MOBRAL” e que o Sr.º. Jeová era o coordenador desse programa na referida escola. Também disse que era morador do bairro Araés e, que foi convidado por Jamil Nascimento para jogar no time da Ponte Preta do Morro do Tambor e então conheceu Rita Maria. Namoraram de 1969 a 1975, quando se casaram e que desde então mora ao lado da Escola Eliza Bocaiuva. Didi perdeu a guerra contra o Covid 19 e nos deixou no começo deste ano, vítima do vírus.
Didi disse ainda que Carlos Brito quando foi Secretário Municipal de Educação, esteve no local e prometeu para os moradores que a escola seria completamente reformada e que, recentemente o prefeito Mauro Mendes também esteve no local e prometeu a reforma da escola.
O mais simpático e conhecido dos bairros de Cuiabá, conta com toda infraestrutura necessária. Conta com três escolas (duas ativas e uma inativa). A Escola Municipal Professora Tereza Lobo (trabalha com alunos do Infantil e do 1º Ciclo, com faixa etária de 5 a 8 anos de idade. Na escola, os alunos aprendem de maneira lúdica a história dos negros africanos, do Brasil e de Mato Grosso) as estaduais Escola Estadual Santos Dumont “Polivalente” (escola de 1º e 2º Graus, voltada ao ensino técnico) e a Escola Estadual Maria Eliza Bocaiuva (da reportagem acima) e o SESC ESCOLA, que foi inaugurado em 1988 com o nome de Moysés Nadaf, localizada na rua Cônego Pereira Mendes, 228. A sede da Ronda Ostensiva Tático Móvel/ROTAM da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso, que está instalada no prédio da antiga PROSOL e, dois minis estádios: o da PROSOL (antigo Campo da Prosol) inaugurado no começo de 2012 e o Complexo Esportivo do Manoel Soares de Campos, o Ginásio Dom Aquino, cujas obras de recuperação foram entregues no mês de abril de 2015. E o mini estádio Professor Antônio Francisco Pereira Filho, o antigo campo da Prosol, na Rua Major Gama, bairro Dom Aquino.
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