Desvio de R$ 151 milhões no Sistema S no Rio de Janeiro

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Esquema desvia R$ 151 milhões e atingi o Tribunal de Contas da União/TCU

Do Estadão Conteúdo

A Força-Tarefa Lava Jato no Rio de Janeiro deflagrou na segunda feira, 8, a Operação E$quema S para reunir provas sobre um suposto esquema que teria desviado pelo menos R$ 151 milhões do Sistema S fluminense (Senai, Sesc, Senac e Fecomércio/RJ), entre 2012 e 2018, através de contratos fictícios com escritórios de advocacia renomados no meio político.

Além da etapa ofensiva, com cumprimento de 51 mandados de busca e apreensão, o Ministério Publico Federal ofereceu denuncia contra 26 pessoas pelos crimes de tráfico de influência, exploração de prestígio, peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.A denuncia foi aceita pelo juiz Marcelo Bretas, da Sétima Vara Federal Criminal no Rio de Janeiro, que colocou o grupo no banco dos réus.

Os detalhes da investigação estão reunidos em um relatório de 510 páginas elaborado pela Lava Jato. De acordo com a Força-Tarefa, as ‘vantagens indevidas’ teriam sido pagas a escritórios de advocacia influentes e com transito em tribunais superiores para brindar o empresário Orlando Diniz, hoje colaborados da justiça do Rio de Janeiro mesmo após irregularidades encontradas pelo Conselho Fiscal do SESC envolvendo sua gestão. Como a Fecomércio é responsável pelo gerenciamento de entidades do Sistema S, que recebem recursos federais, Diniz passou a correr risco de afastamento.

A suspeita de lobby dos advogados, que atuariam em troca de pagamentos milionários disfarçados nos contratos de fachada teria atuado junto ao atual presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Ministro Humberto Martins, ao seu sucessor Cesar Asfor Rocha, e ao Ministro Aroldo Cedraz do TCU, para garantir a não punição e a permanência de Orlando Diniz no cargo.

Nos três casos, os filhos dos ministros, todos advogados e denunciados, teriam sido beneficiados em contratações pela Federação do Comércio do Rio. Os contratos com o escritório de Eduardo Martins envolveriam R$ 83 milhões, enquanto o de Caio Rocha teria recebido R$ 2,6 milhões e Tiago Cedraz pagamento na ordem de R$ 13 milhões.

ADVOGADOS SÃO ALVOS DA OPERAÇÃO

O ‘Agenciamento’ de Martins teria ficado a cargo do advogado Cristiano Zanin, defensor do ex-presidente Lula, e a negociação com Rocha e Cedraz teria sido viabilizada pelo ex-governador Sergio Cabral e por sua mulher Adriana Anselmo.

A investigação apurou que a ex-primeira dama do Rio chegou a se encontrar pessoalmente com o Ministro Cesar Asfor Rocha em novembro de 2015, ocasião em que, segundo a Lava Jato, se buscava decisão favorável no STJ.

A denuncia teve origem na delação premiada do próprio Otávio Diniz. Segundo a Lava Jato, quebras de sigilo fiscal, bancário, telefônico e telemático confirmaram as informações prestadas pelo colaborador. Ainda de acordo com a Força-Tarefa, a operação deflagrada no dia 8 busca reunir elementos que podem ensejar em desdobramentos sobre o caso.

Em nota, o advogado Zanin disse que “A iniciativa do senhor Bretas de autorizar a invasão de minha casa e de meu escritório de advocacia a pedido da Lava Jato somente pode ser entendida como mais uma tentativa de intimidação do Estado Brasileiro pelo meu trabalho como advogado“.

 

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