CLUBES DESCONHECEM PLANO DA CAIXA PARA APOSTAS VIA INTERNET

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GOVERNO MICHEL TEMER PRETENDE CRIAR UMA EMPRESA QUE SERIA PRIVATIZADA E EXPLORARIA ESSE TIPO DE JOGO

Clubes da Série A ouvidos pelo jornal Folha de São Paulo afirmaram desconhecer o movimento do governo Temer para regulamentação das apostas na internet um dos planos do Planalto para reduzir os rombos nas contas públicas.

Dirigentes de Palmeiras, São Paulo, Flamengo, Cruzeiro e Grêmio disseram que não foram consultados sobre a criação de uma estatal para explorar apostas esportivas. A ideia do governo é privatizar essa empresa e arrecadar R$ 4 bilhões com a operação.

A regulamentação das apostas on line é um pedido antigo dos clubes e chegou a ser incluído no Profut, a lei de refinanciamanto de dividas das equipes aprovadas em 2015. O artigo 30 do Projeto de Lei, que previa que a caixa atuasse neste setor, porém, foi vetada pela presidente Dilma Rousseff, quando sancionou a versão final do texto em agosto de 2015.

Segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas hoje é possível fazer apostas envolvendo equipes brasileiras em 400 sites. Em pelo menos 50 desses em português.

Apesar de as apostas serem proibidas em lotéricas ou em sites registrados no país, a falta de fiscalização para crimes na internet e a hospedagem das apostas no exterior são brechas para a prática.

Como essas páginas estão registradas em países europeus ou do caribe onde o mercado é legalizado, elas escapam da proibição. A versão em português dos sites é apenas uma interface voltada ao público brasileiro de uma casa de apostas que está fora do país.

Segundo o professor da Fundação Getúlio Vargas Pedro Trengrouse, o mercado de apostas on line de esporte movimenta cerca de R$ 2 milhões ao ano no Brasil.                “Ignoramos esse mercado completamente. O pior é que não monitoramos, o que nos impede de conseguir evitar casos de manipulação de resultados”, afirma.

Hoje há um projeto de lei para ser votado no senado sobre apostas, de autoria do senador Ciro Nogueira (PP-PI).

EXEMPLO EUROPEU

Na maioria dos países da Europa, as apostas esportivas on line são legalizadas e monitoradas por agencias reguladoras. No  caso da Inglaterra, os clubes ganham royalties da empresas de apostas.

Na Espanha e na Itália não há essa remuneração direta obrigatória, mas as empresas patrocinam as equipes. A Bwin, por exemplo, já patrocinou Real Madrid e Milan.

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Juventus, time italiano rebaixo de divisão e que que perdeu dois títulos, por envolvimento com a máfia das apostas.
A legalização, porém, não impediu a atuação de máfias que atuam na combinação de resultados. Em 2006, por exemplo, a Juventus, da Itália, foi rebaixada por envolvimento em esquema que envolvia entrega de jogos e a armação na escolha de árbitros.              “A legalização não impede a combinação de resultados, mas facilita o monitoramento. A União Europeia de Futebol Associados(UEFA) já faz isso. Quando há um movimento estranho de apostas, acende-se um alerta e o caso é investigado. Isso hoje seria impossível no Brasil”, diz o advogado Bichara Abidão Neto.

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