Cerveja, estilo, filhas e saudade do pai: Douglas fala de tudo, menos futebol

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As pifadas como as da última quarta-feira não desvendam tudo o que Douglas tem para mostrar. O camisa 10 do Grêmio é um dos personagens do futebol brasileiro que guarda segredos. Pouca gente sabe, por exemplo, da saudade do pai, falecido há 14 anos, e o quanto dói não tê-lo para acompanhar todo o sucesso. Logo ele, incentivador nos momentos complicados. Ou da felicidade do meia com as filhas, a ponto de evitar as puxadas de orelha – deixa isso com a mãe, afinal, quase nunca está em casa.

Descontraído, o meia não se furta também de falar sobre a cervejinha, motivo de tantas brincadeiras nas redes sociais. Ele tem personalidade para admitir que gosta e, acima de tudo, bebe. Só que não da forma como se convencionou no imaginário popular. Somente em momentos esporádicos, como datas especiais com os parceiros.

Amante do frio, também fala de como iniciou a curtir tatuagens, em 2000, com um desenho “ridículo”. No CT Luiz Carvalho, local de trabalho – e, por consequência, de futebol -, Douglas aceitou falar de tudo, menos futebol, com o GloboEsporte.com após um papo sobre sua fase anterior de goleador. Confira:

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Carrossel-DOUGLAS-tudo-menos-futebol (Foto: infoesporte)Montagem: Infoesporte / GloboEsporte.com

Como é o Douglas pai? É mais disciplinador ou gosta da galhofa? 
Eu deixo à vontade, pode fazer besteira. Quem cobra mais é a mãe, já puxa mais a orelha. Até porque está mais no convívio. Eu acabo viajando muito. Quando está perto, é difícil brigar com filho. Às vezes, eu puxo a orelha, dou bronca, mas é meio difícil brigar, sabe. É complicado.

Coração é mais mole?
Não dá. Você fica muito tempo longe, aí vai chegar e brigar com a filha? Não dá. Às vezes, eu deixo elas fazerem um monte de cagada em casa e está tudo certo. Aí a mãe briga. Eu passo a mão na cabeça, e a mãe briga.

Vemos o Douglas boa gente, tranquilão. O que tira o Douglas do sério? 
Não sei, cara. Às vezes, explode por coisa pouca. Mas não tem alguma coisa específica, assim. Às vezes, estou mais estressado, fico puto por coisa pequena. Mas de fato, coisa específica, não tem alguma coisa que me tira do sério. Sou tranquilo.

O estilo das tatuagens começou quando? 
Fiz a primeira tatuagem em 2000. Quem fez foi um amigo meu, ele criou uma máquina, falou: “Porra, estou fazendo tatuagem, vamos lá fazer?”. A máquina era ridícula, o cara fez em casa o negócio. Olhei a foto e falei: “Quero essa”. E ele tentou fazer igual. Ficou ridículo, cara. Era para ser um tribal, ficou parecendo um dragão no final. Depois de um tempo, acho que uns 10 anos, apaguei. Fiz outra em cima. Mas aí comecei a fazer. Nada que tenha significado, sentido. Gosto do desenho e faço. Tipo a caveira, tatuagem que mais doeu, sofri muito. Quatro horas e meia. Na coxa e na perna não faço mais.

Montagem Douglas tatuagens tatuagem Grêmio (Foto: Montagem sobre fotos de Eduardo Moura e Divulgação)Tatuagens do meia (Foto: Montagem sobre fotos de Eduardo Moura e Divulgação)

Já que falamos de tatuagem, vamos falar de estilo. No ano passado, mudou o cabelo, deixou a barba, o grisalho mais aparente, como foi a decisão? 
O grisalho está cada vez mais branco, não tem para onde fugir. Muita gente ainda fala para pintar o cabelo, fica muito estranho. Parece velhos, senhores que pintam os cabelos de cores diferentes. O cabelo eu deixo. A barba é preta, é um contraste estranho, diferente. Muita gente acha que eu pinto a barba. Continuam achando. Não pinto. Está saindo alguns brancos e vou arrancando para não ficar tão feio.

Você se acha vaidoso?
Sou vaidoso. Não ao extremo, assim. O básico. Cabelo, barba. Não chega a ser metrossexual. O básico é importante. 

Douglas é mão aberta ou mão fechada?
Muito mão aberta, cara. Gasto demais, às vezes me empolgo e acabo gastando sem necessidade. Não preciso. Mas estou parando com isso, estou tentando. Gosto de boné, relógio, então tenho muitos.

Sou vaidoso. Não ao extremo, assim. O básico. Cabelo, barba. Não chega a ser metrossexual. O básico é importante.
Douglas

É coleção? 
Coleção. Fui para a casa da minha mãe outro dia e levei bonés para os meus irmãos. Estava com muitos e não usava. Tipo centenas, assim.

Onde o Douglas vai ser o Douglas de antigamente? Tem algum lugar específico? 
Vou a Criciúma. Na verdade, é Forquilhinha. Uma cidade que pertencia a Criciúma, mas se emancipou há alguns anos. E minha mãe mora lá até hoje. Meus irmãos moram lá com ela. Tenho mais quatro irmãos. Fico um tempo lá, geralmente passamos Natal e Ano Novo junto com eles (familiares), ou vamos antes. Sempre dou uma passada. Aqui (em Porto Alegre) fica muito mais fácil ir. Quando tenho folga, sempre vou.

A amizade com o Marcelo Oliveira, que podemos ver nas redes sociais (veja o vídeo acima) começou como? 
Conheci o Marcelo no tempo de Corinthians, ele sempre foi desse jeito. Era molecão, tinha 21 anos. Quando eu estava lá, ele estava em um processo de recuperação no joelho. Um ano, um ano e meio parado. Peguei o final da lesão dele, praticamente. Por mais que a gente tenha separado depois, por ter jogado em clubes diferentes, sempre quando se encontrou teve essa amizade. Agora aproximou mais ainda, pelo fato de estar junto, concentramos juntos, as famílias são amigas. Insuportáveis um e outro. 

 

Você tem experiências na Turquia e em Dubai. Como foi morar nesses países?
Na Turquia, em 2005, minha esposa na época estava grávida de sete meses. Fiquei praticamente três meses sozinho. No começo, é difícil. Não falava inglês, turco, francês, não falava nada. Fiquei uma semana sozinho, até chegar o intérprete e outro brasileiro. Mas depois foi de boa, consegui me virar tranquilo. Em Dubai, a comissão era brasileira, tinha fisioterapeuta, jogador que estava lá há sete anos, ficou tudo mais fácil. Me ajudaram muito. Nesse lado, não passei tanto perrengue. Aí você se vira também, arranha o inglês. Horrível!

Mudando de assunto. Falam muito da relação do Douglas com a cerveja. Como o Douglas chama cerveja? Breja, cerva, ceva? 
Aqui vocês falam ceva, né? Eu falo cerveja. “Vamos tomar uma cerveja, tomar um chope?”.

E o que prefere: cerveja ou café (Douglas tomava café durante a entrevista)? 
Cada um em momentos diferentes. Amo café. Tomo uma garrafa de café por dia, se deixar. E gosto de cerveja também. Mas para deixar bem claro: não bebo todo dia. Porque os caras acham realmente que eu bebo todo dia. Que eu acordo e escovo os dentes com cerveja. Isso é mentira. Bebo no momento certo, até porque a idade não permite beber todo dia, senão não consegue mais treinar e jogar. Então, escolho um dia para beber com os amigos.

Se não fosse jogador, o que seria? 
Não sei, não faço ideia, cara (risos).

Os caras acham realmente que eu bebo todo dia. Que eu acordo e escovo os dentes com cerveja. Isso é mentira. Bebo no momento certo, até porque a idade não permite beber todo dia.
Douglas

Você é ativo nas redes sociais. O que prefere: Snapchat, Instagram, Twitter? 
Acompanho os três. Não tenho respondido muito no Twitter, mas recebo muita coisa. Não tem como responder todo mundo. Muita gente pede para gravar vídeo para fulano de tal. Se gravar para um, vou passar um dia só gravando vídeos, aí não dá.

De onde veio o Douglas, como cresceu, como foi tua adolescência?
Foi bem tranquila, como era a adolescência de antigamente. Não tinha a tecnologia toda. Passava a maior parte do tempo jogando bola, que era o que eu gostava de fazer. De vez em quando, fazia uma arte ou outra por aí. Brincava no meio do carvão, que a cidade que a minha mãe mora tem minas de carvão. Rodava aquele lugar todo. Mas foi muito boa, aproveitei bastante.

E estudava? 
Estudar, não. Era terrível. Reprovei umas duas vezes, parei na sétima série. Nunca gostei, sempre tive uma briga com meu pai por isso. Insistia, brigava comigo, falava para ir estudar. Eu não ia, acabava matando aula. Estudei até a sétima e larguei, desisti. 

Uma saudade do Douglas?
Tenho saudade do meu
falecido pai. Faleceu há 14 anos. Me ajudou muito no começo e acabou não
acompanhando a minha carreira. Uma saudade eterna. Eu tinha 20 anos, ele acabou pegando quase nada. Viu minha estreia em jogos
oficiais só, pouca coisa.

Imagino que dedique o sucesso à figura dele…
Sem
dúvida. Se não fosse ele, não seria jogador. Já tinha sido
dispensado algumas vezes na base do Criciúma e ele sempre insistia,
falava para eu voltar. Os caras me mandavam embora porque era muito
pequeno, muito magrinho, e ele falava: “Vamos lá, tenta mais uma vez”.
Até que deu certo. Minha carreira toda é para o meu pai. 

GrÊmio treino Douglas Grêmio (Foto: Eduardo Deconto/GloboEsporte.com)Apreciador do frio, Douglas adota camuflagem no inverno gaúcho (Foto: Eduardo Deconto/GloboEsporte.com)

Qual o estilo de música do Douglas?
Eu não sou
muito fã de pagode. Por mais que todo mundo ache que jogador gosta de
pagode e tal. Eu ouço pagode, mas muito difícil. Prefiro sertanejo,
qualquer outro tipo de música. Mas é que o sertanejo cresci ouvindo. Meu
pai ouvia muito, acabei pegando o gosto pela coisa. Mas ouço bastante
coisa, sou eclético.

É herança do teu pai, então?
Sim, uma moda de viola ele gostava bastante. Sempre que dá, estamos ouvindo. Não toco nada.

Qual a motivação do Douglas para seguir treinando nesta rotina que é desgastante? 
Reconhecimento
do trabalho. É entrar no estádio cheio, jogar bem, sair aplaudido como
saí contra o São Paulo. Então isso te motiva cada vez mais. E mostrar
para a molecada que dá para trabalhar independentemente de qualquer coisa. Se
eu posso fazer, eles conseguem fazer dobrado. Isso me motiva. 

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