Casa Bandida do Futebol (CBF) desafia a Globo

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sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). [Globo Esporte.com]
Ao comprar briga com a Globo, CBF ou tem certeza de impunidade ou perdeu o bom senso

Por Juca Kfouri – Folha de São Paulo, página Esporte B7 – 01.06.17

Boa noite” diz Willian Bonner, com ar grave. E continua: “Enquanto a vida dos políticos é passada à limpo no país, a dos dirigentes do futebol permanece sem merecer a atenção das autoridades. O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero, não pode sair do Brasil, com pedido de prisão do FBI. O ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira está na mesma situação e o antecessor de Del Nero, José Maria Marin, está está em prisão domiciliar em Miami, porque saiu do Brasil. Del Nero, Teixeira e Marin estão denunciados na Suíça e agora, na Espanha. Mas nem o Ministério Público Federal, a Policia Federal ou a Receita Federal do Brasil parecem preocupados com isso.”

Bastarão 50 segundos no “Jornal Nacional” para tornar um inferno a vida de dois dos cartolas que estão por trás da movimentação que pode levar à ruptura definitiva entre a rede Globo e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Porque Del Nero é um dos mentores assessorado pelo ex-número um da Globo Esporte, Marcelo Campos Pinto – que também tem recusado convites para sair do Brasil e manda como seu representante aos encontros no exterior, como na COMENBOL, o ex-global João Pedro Paes Leme.

 

Com eles, o empresário indiano, milionário e encrencado a ponto de não poder entrar na Índia, Lalit Modi, que quer negociar além de direitos de transmissão, a organização de uma liga de clubes de futebol no Brasil, como fez com o críquete indiano.

Acusado de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, Modi vive situação inversa à dos parceiros Del Nero e Teixeira: Ele não pode entrar em seu país.

Em tudo isso um mistério: O que terá levado pessoas com vida tão complicada, mas ainda soltas, a desafiar a maior grupo de mídia da América Latina?

Sim, dinheiro, certamente muito dinheiro, mas a que risco.

Nenhum dos envolvidos está na penúria, ao contrário. E é estranho que batam de frente coma Globo por saberem que sem forçar, apenas com bom jornalismo, seus veículos podem reduzi-los a pó – e obrigar as autoridades brasileiras a sair do imobilismo em relação a eles.

Por enquanto, o que se vê é um jogo de xadrez.

A Globo não transmitirá dois jogos amistosos da seleção brasileira, às 07H00 em dias úteis. Nada muito grave.  Nesta sexta-feira (09.06), a seleção brasileira foi derrotada pela seleção da Argentina por 1 a 0. O outro jogo será na terça-feira (13.06), contra a Austrália.

Mas, em março de 2018, teremos Alemanha X Brasil, a revanche…

É tempo suficiente para chegarem a um acordo ou para deflagar uma guerra com prejuízos muito maiores para a Casa Bandida do Futebol (Confederação Brasileira de Futebol-CBF) do que para a Globo.

Claro que os cartolas até surfam onda de simpatia por enfrentar a Globo, porque sempre existem aqueles que tratam os inimigos de seus inimigos como amigos.

A ganancia de Modi$Teixeira$Del Nero, mais o rancor movido pelo sentimento de rejeição de Campos Pinto, introduzem uma nova situação no futebol brasileiro.

Difícil imaginar que cartolas tão experientes padeçam da mesma “ingenuidade” sofrida por Michel Temer e Aécio Neves. Quem lhes garante a impunidade e respalda tamanha repentina coragem?

Sem esquecer que a justiça da França busca desvios na RIO-2016 – o que pode impedir outro cartolão nacional, Carlos Arthur Nuzman, ir mostrar Paris para sua nova namorada.

 

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