Campeonato Nacional da Primeira Divisão 1971: O Torneio da Ilusão

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Campeonato Nacional da Primeira Divisão: Título rico de um futebol pobre

A primeira fase, contou com 23 equipes, dessas, quatro se classificaram automaticamente para a segunda fase (Central, Mixto, Rodoviária e Villa Nova/MG), as demais dividiram-se em grupos de acordo com a região geográfica. As equipes jogaram entre si, dentro de cada grupo, em turno e returno, com os campeões de cada grupo passando para a fase seguinte. Na segunda fase, as nove equipes restantes dividiram-se em quatro grupos. Os grupos 1, 2 e 3 teve apenas duas equipes, que jogaram no sistema mata-mata em partidas de ida e volta, com os vencedores classificando-se para as semifinais; o grupo 4 teve três equipes, jogando em turno e returno, passando para a fase seguinte apenas o campeão. Nas semifinais os times jogaram no sistema de mata-mata, com partidas de ida e volta. Em caso de empate, seria disputado uma terceira partida. Os vencedores fizeram a final no mesmo sistema de ida e volta. Critérios de Desempate: Nº de vitórias; Saldo de gols; Gols pró; confronto direto e sorteio.

A Confederação Brasileira de Desportos/CBD não sabia nem o resultados dos jogos, mas recebia religiosamente 5% das rendas. Os clubes viajavam muito e perderam dinheiro. Um estranho campeonato onde o vencedor não teve direito a nada. Nem ao título.

Maioria dos jogadores desconhecidos. Seus nomes apareciam nos jornais de suas cidades sem maior destaque. Profissionais apenas para efeitos legais junto à CBD.  Cidades pobres, onde pagavam apenas Salário Minimo, ou até menos que isso.

Longas viagens de ônibus ou de trem. Na maioria das vezes chegavam aos estádios em cima da hora do jogo cansados e com fome. E se o ônibus quebrasse ou o trem atrasasse por qualquer motivo, a situação ficava insuportável.

Eles [jogadores] foram grandes heróis do futebol, que pelo sonho de de u dia tornarem-se ricos e famosos, cumpriram o destino de ser pobres jogadores de times pequenos.

Suas vidas foram traçadas nos gabinetes refrigerados da luxuosa sede da CBD, na Rua da Alfândega, no centro do Rio de Janeiro. Eles correram atrás da bola nos pobres campos do Nordeste ou de qualquer pequena cidade dos ricos Estados do Sul.

Como seus clubes, muitos jogadores desistiram no meio do caminho.Seus patrões, os dirigentes, fizeram as contas e chegaram à conclusão de que era melhor o time ser desclassificado, do que chegar à final. Até mesmo porque o titulo de Campeão da Primeira Divisão Nacional, não valeu nada. Não garantiu privilégio nenhum.

Este foi um resumo, sem retoques, do Campeonato de Futebol da Primeira Divisão Nacional, com seus jogadores, seus clubes e a malograda tentativa de se fazer algo mais que um simples Torneio Caça-Niqueis para clubes que sabiam não ser grandes, mas também, não admitiam serem pequenos.

O Artigo 9 do Regulamento prometia que a CBD levaria em conta a situação da Primeira Divisão quando fosse convidar clubes para a Divisão Especial, o que não foi cumprido.

Não foi a primeira vez que se fez um campeonato nesses moldes. Em 1969, a CBD tentou a mesma fórmula, com outro nome. O fracasso foi total e o torneio acabou antes de chegar ao fim.

Por isso a Primeira Divisão Nacional em 1971 não contou com nenhum clube da Bahia. A Federação local abriu inscrições, mas não houve interessados. O exemplo do Galícia estava na cabeça de todos. Com um jogo marcado para Teresina, pelo Torneio Norte/Nordeste, seus dirigentes fizeram algumas contas e chegaram à conclusão de que iriam perder Cr$ 18.000,00.

O prejuízo não seria evitado nem mesmo se o Galícia disputasse o titulo. Seus dirigentes não pensaram duas vezes: preferiram tranquilamente, perder o jogo de Teresina por W.O.

Para tentar solucionar o impasse, a Federação Baiana pediu à CBD que fornecesse passagens aéreas aos clubes. Pedido negado. Então, a CBD, fez apelos a Jorge Radel, interventor na Federação, para que ele conseguisse a inclusão de um time baiano no Campeonato Nacional da Primeira Divisão. Radel examinou o problema e ficou com a posição dos clubes.

O mesmo aconteceu em toda Série A do Centro/Sul. Nenhum clube do Rio de Janeiro [nem o Olaria, sensação no Rio de Janeiro naquele ano] ou do Rio Grande do Sul. A situação chegou ao ponto de um único time ser inscrito em toda sua chave: o Mixto Esporte Clube de Mato Grosso.

A Ponte Preta de Campinas, São Paulo, a maior atração do torneio, só competiu por causa de um acerto especial com a Federação Paulista, que além de pagar passagens aéreas [para 20 pessoas], ainda abriu mão da taxa de 5% nos jogos no estádio Moisés Lucarelli da Ponte Preta em Campinas. A Macaca ainda teve a promessa da Federação de Futebol de São Paulo de que, caso fosse campeã, em 1972, entraria na Divisão Especial do Campeonato Brasileiro.

A Ponte Preta, favorita ao titulo de campeão da Primeira Divisão Nacional, não encontrou dificuldades para passar pelo Mixto na Segunda Fase, vencendo em Cuiabá por 3 a 1 e por 3 a 0 em Campinas. Porém, foi surpreendida pelo Vila Nova de Minas Gerais na Semifinal. Venceu em Campinas por 1 a 0. O Vila Nova devolveu o placar no estádio Independência, em Belo Horizonte e, houve então, a necessidade de um terceiro jogo, que terminou empatado em 0 a 0. Houve uma prorrogação de 30 minutos e empate em 1 a 1. Paulinho abriu o placar em favor do Vila Nova e Paulinho [Ponte Preta] empatou para a Ponte Preta. Então houve a necessidade da disputa ser decidida em cobranças de pênaltis. E deu Vila Nova, 6 a 5.

O curioso é que naquela época, um mesmo jogador cobrava as cinco penalidades. Paulinho, do Vila Nova, converteu suas cinco cobranças. Manfrini, pela Ponte Preta, igualou a série. Então, foram para as cobranças alternadas, um por vez. Paulinho, chutou e marcou. Manfrini desperdiçou sua cobrança e a Ponte Preta foi eliminada.                                    28/11/1971 – Ponte Preta 3 X 0 Mixto                                                                      Local: Estádio Moisés Lucarelli (Campinas/SP); Juiz: Carlos Costa (RJ); Renda: Cr$ 16.514,00; Gols: Paulinho 8, Manfrini 28 e Ditinho 43, 2° tempo                                      Ponte Preta: Valdir Perez; Marinho, Dagoberto, Valdir Vicente e Santos; Mosca e Serginho; Pedro Paulo (Paulinho), Manfrini e Adilson (Tuta).                                              Mixto: Fernando; Felizardo, Carlos Martins, Glauco e Luziano Adão;Rômulo e Waltinho; Renê, Wilson “Fedegoso”, Pelezinho e Filinto.

Álbum de figurinhas, com tema no Campeonato da Primeira Divisão Nacional de Futebol-1971.

FICHA TÉCNICA

11/12/1971 – Vila Nova (MG) 0 X 0 Ponte Preta                                                     Local: Estádio Independência, Belo Horizonte; Juiz: Bartolomeu Lordelo; Renda: Cr$ 9.600,00                                                                                                                  Vila Nova: Arésio; Cassetete, Zé Borges, Bráulio e Mário; Piorra e Daniel; Gésum, Paulinho, Perrela (Nelson) e Dias.                                                                            Ponte Preta: Wilson Quiqueto; Marinho, Dagoberto, Valdir Vicente e Santos; Ferreira e Ditinho; Mosca (Paulinho), Manfrini, Serginho e Adilson (Tuta).

Valdemar, jogador que liderou a equipe do Remo até ao vice-campeonato da Primeira Divisão Nacional [Publicado na revista Placar, acervo do Joacir e do site clubenews]

O Clube do Remo, de Belém do Pará, foi o primeiro colocado na Chave Norte/Nordeste. Na semifinal, eliminou o Sergipe empatando em 0 a 0 em Aracaju e vencendo por 2 a 0 em Belém do Pará, com dois gols do centroavante Rubilota. O time paraense estava classificado para a final da Primeira Divisão Nacional.

COMO FORAM OS JOGOS DA FINAL DA PRIMEIRA DIVISÃO NACIONAL

Também na decisão foram necessárias a realização de três partidas. Dia 15 de dezembro de 1971, no estádio Evandro Almeida, em Belém do Pará, o Clube do Remo venceu o Vila Nova por 1 a 0, com gol do meia armador Ernani. O árbitro [na época dizia-se, Juiz] Armindo Tavares, apitou o jogo. Já em Belo Horizonte, em 19 de dezembro de 1971 no estádio Independência, o Vila Nova goleou o Remo por 3 a 0, com gols de Dias, Gésum e Paulinho. partida apitada pelo famoso árbitro paulista Oscar Scolfaro. Com uma vitória para cada lado, houve a realização de uma terceira partida, jogada também no estádio Independência, Também dirigida por Oscar Scolfaro. O centroavante Paulinho foi o grande nome do Vila Nova durante toda a competição, mas na última e decisiva partida, quem brilhou foi o lateral esquerdo Mario Lourenço, que marcou os dois gols do time alvi-rubro. Jeremias abriu o placar em favor do Remo e aí, o lateral virou a grande estrela dessa partida, empatando e virando o jogo em favor do Vila Nova, que foi treinada por Martim Francisco e dos maiores treinadores da história do futebol brasileiro.

Vila Nova Atlético Clube, de Minas Gerais, Campeão da Primeira Divisão Nacional de Futebol, 1971. [Foto: Todos os direitos reservados]
FICHA TÉCNICA

23/12/1971 – VILA NOVA 2 X 1 CLUBE DO REMO                                                     Local: Estádio Independência/Belo Horizonte; Juiz: Oscar Scolfaro/São Paulo; Gols: Jeremias [Remo] 9, 1° tempo. Mário Lourenço 4 e 33, 2° tempo.                                  Vila Nova: Arésio; Cassetete, Zé Borges, Bráullio e Mário Lourenço; Daniel e Piorra; Nelson, Paulinho, Perrela e Dias. Técnico: Martim Francisco.                                              Remo: Dico; Zico, Valdemar, Oldair e Edilson; Carlitinho e Ernani; Dito, Jeremias, Cabecinha e Neves. Técnico: Francois Tijm.

A divisão mais alta era denominada “Divisão Extra”, com “Primeira Divisão” sendo usado para o torneio de acesso (desde então conhecido por Campeonato Brasileiro Série B).[14] Tal campeonato foi vencido pelo Villa Nova (MG). Porém, não existia rebaixamento, mas houve promoção — foi o vice-campeão Remo, e não o campeão Villa Nova, que ficou com a vaga para disputar o Nacional de 1972.

Além disso, a fórmula seguia parecida com a da competição anterior,[20][23][12][11] com a criação de uma segunda divisão. No entanto, não existia rebaixamento, mas havia promoção — foi o vice-campeão Remo, e não o campeão Villa Nova, que ficou com a vaga para disputar o Campeonato Nacional de 1972.[21][12] Devido a estas características do certame, a revista Placar, que lutara durante todo o ano de 1970 pela criação do Campeonato Nacional de Clubes, acabou adotando uma postura cautelosa após a criação da nova competição. Sob o título “Até que enfim um Campeonato Nacional — mas tem que melhorar”, a revista criticava a hegemonia dos fatores políticos em detrimento dos aspectos futebolísticos. Para a revista, o Nacional “não passava de um Robertão um pouco diferente”, o que não contribuía para alterar a estrutura arcaica do futebol brasileiro. A Placar reclama da falta de um sistema verdadeiro de acesso e descenso, dos critérios de seleção dos clubes participantes que era atrelado aos campeonatos estaduais, não ficando claro quais eram os parâmetros usados para o número de vagas de cada Estado, deixando muitas federações de fora da competição (como Rio de JaneiroGoiásSanta Catarina e Amazonas).[18] Estas federações ignoradas, lideradas por Goiás, organizaram um campeonato paralelo, o Torneio de Integração Nacional.[20] 

CLASSIFICAÇÃO: FINAL

IDA VOLTA POFF
(2×5) 1×0 FG 0x3 FG 2×1 FG

SEMIFINAIS

IDA VOLTA POFF
(0x4) 0x2 FG 0x2 FG
(1×1) 1×0 FG 0x1 FG 0x0
(6×5)g.p.
FG
Classificação
Classificação

JOGOS ADIADOS / SUSPENSOS / ANULADOS

FASE DATA HORA
0 Grp.A ABC ANU  Ferroviário do Cabo  1971-10-27  –
0 Grp.A Ferroviário do Cabo ANU  Campinense  1971-10-27  –

 

Fonte: Revista esportiva Placar e Wikipédia

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