Baú Sereno perdeu um pouco do seu brilho e de sua história. Faleceu Zé Pram-pram-pram

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Morador raiz e figura ímpar e estimada por moradores dos bairros Baú e Lixeira. José Fernandes da Cruz, o “Zé Pran-Pran-Pran”, foi jogador do famoso time amador  Corumbaense Esporte Clube da Rua Corumbá.

Já octogenário, viveu seus últimos anos sozinho na mesma casinha, próximo à Igreja de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito onde mudou com ainda criança seus pais. Nas redes sociais, no grupo no app WhatsApp, Cuiabá de Outrora, mais precisamente, amigos e conhecidos, lamentaram sua morte e contaram um pouco de sua história.

Aeciodeogum, fez o seguinte relato sobre Zé Pram-pram-pram “Aí acima [foto de Zé Pram-pram-pram], foto do senhor JOSÉ FERNANDES DA CRUZ, conhecido no Baú Sereno como “Zé Pran pran pran “, que fez a grande viagem no dia de ontem (19). Ele era um dos nove filhos do Senhor Afonso e dona Rosa, moradores perto do “último poço”, no bairro Baú. Com ele está indo parte da história do bairro Baú“.

Também o Historiador, Pesquisador e administrador do grupo no Facebook, CUIABÁ/MT DE ANTIGAMENTE, que já conta com mais de 180 mil membros, Francisco das Chagas, escreveu concordando com as afirmações de Aeciodeogum “Verdade. Fiz alguns vídeos com ele. Principalmente sobre Zé bolo flô. Tenho um vídeo onde ele canta a música jogava pereça soltava iô iô (namorava com Zé bolo). Ele fez questão de frisar que o Zé não falava (brincava) e sim (namorava com Zé bolo flô)“, disse ainda, Francisco. Abaixo, o vídeo gravado por Francisco das Chagas, onde Zé fala de sua chegada ao bairro ainda criança.

E prosseguiu Aeciodeogum, lembrando mais sobre a vida de Zé Pram-pram-pram “Como todo mundo, o Zé também tinha sua história. Ele era afilhado do meu tio-avô VALDOMIRO MONTEZUMA, Major Brigadeiro e Engenheiro Civil da Aeronáutica.  Comandou a construção do aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande. Era cuiabano e possuía uma chácara no Baú, em frente ao poço do Tibério, mas sua residência era na Rua Santa Clara, Copacabana, Rio de Janeiro.

Quando em seu labor, na construção do aeroporto, o Zé, chegou a trabalhar na obra, ocasião em que o padrinho dele o convidou para ir servir no Rio e por conseguinte, cursar na Academia das Agulhas Negras.

O convite entusiasmou o recém moço, saído da adolescência e na sua jovem cabeça começaram a fluir sonhos de estar um dia trajando o elegante uniforme de cadete do Exército Brasileiro. Na época, pelo que meu pai contava, o Zé era um jovem saudável e realmente tinha tudo para chegar à ser um oficial do Exército Brasileiro.

Porém, terminada a obra do aeroporto, chegada a hora da partida do Brigadeiro, este foi até os pais do Zé, comunicando-lhes que estava levando o Zé para servir a pátria no Rio e lá fazer o curso de cadete na famosa Academia militar, tendo então resposta negativa da dona Rosa de que o seu filho não iria. Segundo meu pai, que assistiu a conversa, o senhor Afonso permitiu, mas a dona Rosa, não. Os motivos alegados foram vários.  Isso, provocou imediatas lágrimas no Zé, que via ali seus sonhos caírem por terra.

Assim, o Brigadeiro retornou ao Rio de Janeiro e nunca mais veio à Cuiabá.  Na casa da chácara, ficaram morando seus irmãos mais velhos Cândido e Izulino, os quais vieram à falecer pouco depois.  Em julho de 1965, quando chegamos do Sul para morar na chácara, ambos já tinham partido.

Ainda, com relação ao Zé, este ficou muito decepcionado e daí passou a ingerir cachaça em demasiado, mas mesmo assim, teria alistado para ir servir em Ladário, onde segundo familiares, ele chegou a servir o EB e até arranjou por lá, uma moça para se casar, mesmo que para isso tivesse que se mudar definitivamente para Corumbá, onde residia a tal moça.

Mais uma vez, a dona Rosa interferiu na sua vida e não permitiu que o filho se mudasse em definitivo para o sul do Estado.  Para tanto, passou a dar a ele, chá de arruda, o qual teria provocado alterações na sua mente, fazendo com que ele ficasse “bobo” e não sentisse mais vontade de ir embora.  Ainda, segundo seus próprios irmãos contaram e o meu pai confirmou, a partir de então, o Zé entrou de vez na cachaça, apesar de que nunca deixou de trabalhar.  Eu já o conheci assim, de enxada nos ombros e sempre andando de um lado ao outro, procurando quintais para capinar.

Em seus raros momentos de lucidez, quando parava lá em casa para tomar café, ele fazia comentários meio sem nexo, sobre seu padrinho e o Rio de Janeiro.

Falava que iria juntar dinheiro para viajar ao Rio.

O sonho jamais se concretizou. O meu pai, por ser parecido com o Major, por vezes era confundido na já deturpada mente do Zé, o qual o chamava de “padrinho”.

Enfim, o Zé foi mais um que viajou para outra dimensão, sem ter conquistado seus sonhos terrenos. Tomara que lá ele possa ser conduzido à labores que o leve à verdadeira realização enquanto filho de Deus“, contou mais sobre a vida do querido personagem que se foi. 

Nesse vídeo, o Zé já não mais bebia pinga. Dizem que recuperou grande parte de sua lucidez. Realmente, é o que aparenta no vídeo. Que histórico importante do Zé é da família Montezuma. Sim, muito lúcido“, relatou mais Francisco, sobre Zé Pram-pram-pram.

Antônio Benedito assunção, foi outro internauta que também comentou sobre o passamento de Zé Pram-pram-pram “PUXA! Emocionante.  Às vezes, o excesso do amor de mãe pode atrapalhar o futuro do seu filho querido. Que Deus receba a alma do humilde Zé“.

Outro que também se manifestou nas redes sociais sobre a morte do antigo  morador do do bairro Baú Sereno, foi Rubens Mauro Thomen “Realmente o amor excessivo e egoísta interfere exageradamente na vida dos filhos“.

E escreveu ainda, Aeciodeogum “De fato, o amor desmedido da dona Rosa pelo filho, em tese, atrapalhou a sua carreira de sonhos“. Ela era excelente pessoa, muito servidora, mas era de opinião firme.

Também Marcello Garcia se manifestou, a respeito da morte de “Zé Belíssimo relato! 👏👏👏👏“, publicou.

Marijane, que também é administradora do grupo no Facebook, CUIABÁ/MT DE ANTIGAMENTE, manifestou sua tristeza pela morte dessa pessoa tão querida “Que história de vida triste!!! Que elos karmaticos entre mãe e filho…“. Que no plano superior ele encontre respostas e alívio para seus dissabores e sofrimentos terrenos. Família Montezuma foi o facho de luz para evolução desse elo, infelizmente ainda tinham resgates p serem cumpridos!!!“, escreveu ela.

E por último Chiquinho Adg, elogiou o post de Aeciodeougum escrevendo “Parabéns pelo relato… meu amigo Aécio, de longas data do nosso querido Baú Sereno… O Zé Plam, a gente brincava quando criança no terreiro da casa da Dona Rosa, mas, não tinha medo do saco nas corta que o Zé andava, junto com a enxada nas costas“.

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