Após 2 anos, estádios da Copa ficam vazios

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Dos 12 palcos usados no torneio, somente a Arena Corinthians tem taxa de ocupação superior a 50%

DE SÃO PAULO

Passados dois anos da abertura da Copa do Mundo, as sedes do evento sofrem com a falta de público.

Levantamento feito pela Folha aponta que, dos 12 estádios que receberam partidas no Mundial, apenas a arena Corinthians tem taxa de ocupação superior a 50%.

Durante a competição, sua capacidade era de 68 mil lugares, e hoje é de 49 mil.

O Mané Garrincha, em Brasília, e a Arena Pantanal, no Mato Grosso, se destacam negativamente. Ambos tem ocupação abaixo de 20%.

O fracasso da obra do Distrito Federal explica-se pela grandiosidade da construção. Com 72 mil lugares, o estádio, o mais caro da Copa, foi erguido para ser um reserva caso o Itaquerão não fosse entregue a tempo de ser palco de abertura da Copa.

A FIFA exige que na abertura, semifinal e final os estádio tenham ao menos 60 mil assentos. Como o Mané Garrincha não diminuiu sua capacidade após o Mundial, vive um drama atualmente.

“É inegavel que o estádio é grande. Fomos críticos na época da construção. Acho que a capacidade para 45 mil pessoas estava de bom tamanho”, afirmou o secretário de Turismo do Distrito Federal, Jaime Recena (PSB-DF).

Segundo ele, a arena, cujo custo mensal é de R$ 700 mil, da prejuízo no aspecto operacional.

A Arena Pantanal sofre de outro mal. Situada em um Estado sem expressão no futebol, o estádio recebeu poucos jogos e tem apenas 13% da taxa de ocupação em dois anos.

“Precisamos, agora, captar eventos”, disse o tenente-coronel da defesa civil do Mato Grosso, Abadio Cunha, administrador da Arena até março deste ano. “Talvez não se consiga enxergar o retorno imediato, mas não é só jogo.”

Desde o fim da Copa, o estádio passou a abrigar órgãos públicos, como o Gabinete de Assuntos Estratégicos e a Superintendência da Defesa Civil. “O objetivo foi ocupar o espaço inutilizado”, disse.

Em Manaus, a taxa de ocupação da Arena Amazonia é um pouco maior. Porém, o estádio só recebeu 18 jogos desde o fim da Copa, média de um jogo a cada dois meses.

“Se não fizermos esse trabalho proativo de buscar atividades para a arena, ela fica subutilizada”, afirmou o secretário de esportes do Amazonas, Fabrício Lima.

“A ideia é criar atrativos. Nosso futebol não é tão forte, mas se Deus quiser, vai ficar, com um trabalho que começou na base”, completou.

A Arena da Amazonia tem recebido jogos de futebol de base do Estado sem custo. “Eles jogam no estádio sem serem cobrados por nada, para que os clubes possam investir na base”, disse Lima.

SUCESSO RELATIVO

O Mineirão atrai público considerável, dado seu tamanho. com capacidade para 62 mil pessoas, tem média de 27 mil torcedores por jogo e 44% de taxa ocupacional.

É o segundo dos que sediaram a Copa com maior percentual – atrás do Itaquerão, que chega a quase 68%.

“Os gestores das arenas já entenderam que elas vão ter que se adaptar. a própria economia brasileira não é pujante como antes”, disse Samuel Lloyd, diretor comercial da arena de Minas Gerais.

A média do estádio nos dois anos posteriores à Copa do Mundo foi maior desde 2003, quando passou a ser obrigatória a divulgação dos borderôs nos sites da CBF.

Samuel Lloyd, que também pertenceu ao governo britânico e trabalhou no projeto de legado dos jogos olímpicos de Londres, realizados em 2012, explicou que nem sempre é possível obter lucro na operação.”Se a gente pergunta: o que entra de receita de exploração comercial é capaz de pagar as contas do mês? Não. Estamos longe disso. Isso nós chamamos  de margem operacional e no momento ela é negativa”, completou Lloyd.

No entanto, o Mineirão tem uma parceria público-privada com o Estado de Minas Gerais participando como um sócio da gestão, e por isso as contas fecham. O diretor afirma que no balanço há lucro, mas operacionalmente a margem é deficitária.

ALTERNATIVAS

Se as partidas não dão conta de cobrir os gastos elevados dos estádios, o jeito foi investir em shows e eventos de outras características.

Somadas, a Arena das Dunas, em Natal, e a Fonte Nova, em Salvador, que tiveram 25% e 30% de taxa de ocupação em jogos após o Mundial, respectivamente, já receberam mais de 170 eventos sem relação com o futebol.

Eles vão de feirão de automóveis a circos, passando por festivais musicais.

A Arena da Amazonia, por sua vez, já foi palco de campeonato local de pôquer.

Mesmo assim, o estádio da capital baiana não consegue fechar suas contas. A Fonte Nova Negócios e Participações (FNP), concessionária que administra o estádio soteropolitano, divulgou seu balanço financeiro no Diário Oficial, registrando um prejuízo operacional de R$ 24,3 milhões. (ADRIANO MANEO, EDUARDO RODRIGUES E LUIZ COSENZO)

PÚBLICO DOS ESTÁDIOS DA COPA                                                                                  Só a Arena Corinthians tem média de ocupação acima de 50%

Capacidade, em mil                                                                         Público, em mil

Ocupação Média        Ocupação                          Total     Média    Jogos Arena Corinthians                                          68%            49,2          2.259     33,2      68   Mineirão                                                        45%            61,9          2.044     27,6      74   Maracanã                                                      31%            78,8         2.721      24,7     110 Beira Rio                                                       37%            51,3         1.398      19,1       73 Castelão                                                        28%            67,0         1.432      19,0      75 Mané Garrincha               20%                                          72,8            531      14,3       37 Arena Fonte Nova            30%                                          47,4         1.082      14,2       76   Arena da Amazonia          31%                                          44,4            244      13,5       18   Arena da Baixada             31%                                          43,0            756      13,2       57   Arena Pernambuco           24%                                          46,0            862      10,9       78   Arena das Dunas              25%                                          31,4            569        7,8       72 Arena Pantanal                 13%                                          41,4            250        5,3       47

 

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