AMBIÇÃO REBAIXADA: NOVELA PERDE IBOPE FICA ATRÁS DO JORNALISMO!!!

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Cena de 'Sua Vida me Pertence', a primeira novela exibida no Brasil, em 1951. [Pesquisa de imagem]

As novelas já não estão conseguindo seduzir a população. O povo está deixando de ver novelas, porque o mau gosto nas tramas imperam e deixaram de ser novidades

POR MAURICIO STYLER

65 anos após a primeira novela no país, o lugar que a teledramaturgia ocupa na TV aberta pode ser medido em horas – exatamente 14 por dia. Este número representa a soma dos horários programados em um dia qualquer da semana de 2016 por quatro emissoras para exibição de 16 novelas. O cardápio inclui folhetins novos e reprises, produções brasileiras, mexicanas e até uma turca.

Dedicada ao gênero desde a sua fundação, em 1965, a Globo transmite atualmente cinco novelas por dia e lidera a audiência com todas. Com olhos em nichos específicos, o SBT vem se dedicando desde 2012 à produção própria de tramas infantis, além de reprisar seguidamente dramalhões mexicanos.

Já a Record descobriu, em 2015, o filão da teledramaturgia bíblica, e ainda adicionou ao seu cardápio a reprise de transmissão de tramas antigas e uma novela de época. Sem recursos para produzir, a Band se especializou nos últimos em exibir novelas turcas.

A importância da novela no entretenimento do brasileiro vai muito além  desses números. As faculdades de comunicação e de ciências sociais já produziram uma verdadeira biblioteca com estudos mostrando o impacto da teledramaturgia nas discussões de temas da atualidade, no questionamento de preconceitos e na divulgação de valores, positivos ou negativos, nos mais variados campos.

O hábito de ver novelas remonta ao rádio, mas ganhou impulso poderoso com a televisão. O marco inicial é a transmissão, à partir da penúltima semana de 1951, de “Sua Vida me Pertence“, de Walter Foster. A trama foi exibida pela Tupi com capítulos novos duas vezes por semana, ao longo de dois meses.

Por causa dessa data – os 65 anos da primeira novela produzida no Brasil – muito tem se falado sobre a crise no gênero. O sinal mais palpável é o da queda constante, já há alguns anos, dos números de audiência.

Sempre que confrontada com os índices do Ibope, a Globo argumenta, em defesa do seu negocio, que o número de pessoas hoje alcançadas pelas novelas é muito maior do  que a 20 anos atrás, quando um folhetim registrava 60 pontos de audiência. Mesmo assim, quando algum capitulo marca 30 pontos, a emissora solta fogos de artificio.

Um dado do GFK, divulgado na última semana de 2016, mostrou que o jornalismo ultrapassou as novelas como principal gênero consumido na TV aberta no segundo semestre do ano de 2016.

Na soma do alcance de todos os programas de cada gênero em todas as emissoras, o jornalismo atingiu 68,9 milhões de pessoas, contra 68,7 milhões atingidas pelas novelas. Em terceiro lugar, filmes alcançaram 68,4 milhões.

A diferença é pequena, mas significativa. Num semestre com acontecimentos extraordinários (as crises politica e econômica, a Rio 2016), as novelas perderam o trono na televisão.

Mais difícil de medir á a perda de importância dos folhetins, o que também está ocorrendo. Sem conseguir conquistar público novo (que está vendo séries ou fuçando no youtube), a Globo tem se dedicado à tarefa inglória de ao menos manter a audiência cativa. Para isso, rebaixou a ambição de suas produções.

Com raras exceções, as novelas dos últimos anos tem se dedicado a tema infantis de fácil compreensão, ou à polemica pela polemica, apenas para chocar. Abriram mão da qualquer objetivo mais forte, que já tiveram para se agarrar a uns pontinhos no Ibope.

Neste esforço para prolongar a vida útil do gênero, a Globo acaba reconhecendo, mesmo de forma involuntária, que a situação não é boa.

Maurício Styler@uol.com.br – facebook.com/mauriciostyler

 

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