ALMT discute fechamento de escolas estaduais em Várzea Grande

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Foto: ANGELO VARELA / ALMT

O fechamento de escolas estaduais no município de Várzea Grande foi tema de discussão realizada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) na tarde desta segunda-feira (20). Apresentado pelo deputado estadual Lúdio Cabral (PT), o requerimento para realização da sessão foi aprovado por unanimidade em sessão plenária e incluía a convocação do secretário de estado de educação, Alan Porto, porém ele não compareceu.

Conforme documento enviado pelo secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, Alan Porto não pôde comparecer porque participaria de uma solenidade de assinatura de contrato para construção da ferrovia estadual, realizada no município de Nova Mutum.

Em seu lugar, o gestor enviou representantes da Secretaria de Estado de Educação (Seduc). No entanto, segundo Lúdio Cabral, por se tratar de uma convocação apenas o convocado poderia ter espaço para fala.

“O secretário está desrespeitando uma convocação obrigatória do Parlamento estadual. É um desrespeito do governador, que é chefe do Poder Executivo, com o Poder Legislativo de Mato Grosso. Iremos adotar os procedimentos necessários e puni-los devidamente por esse descompromisso e irresponsabilidade”, declarou o parlamentar.

Durante a reunião, foram ouvidos representantes de escolas estaduais de Várzea Grande e de outros municípios do estado, como Cáceres e São José dos Quatro Marcos. Todos afirmaram terem sido “pegos de surpresa” com a decisão do governo do estado de fechar unidades educacionais ou remanejar parte dos alunos e reivindicaram a manutenção das atividades.

José Cícero da Mota, diretor da Escola Estadual Licínio Monteiro da Silva, em Várzea Grande, criticou a medida anunciada pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e a falta de diálogo com a comunidade escolar. A unidade conta com 1.634 estudantes e atende alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), estudantes portadores de deficiências, além do ensino regular, do nível médio e fundamental.

“A Seduc nunca nos encaminhou um único e-mail informando que a escola estaria no processo de redimensionamento. Percebe-se que a única preocupação é se livrar de escolas ‘problemáticas’. É uma indignidade o que estão fazendo com o Licínio Monteiro”, afirmou o gestor, que deu início a uma greve de fome até que a situação da unidade seja revista.

Professor da Escola Estadual Demétrio de Souza, Paulino César de Carvalho destacou sua preocupação diante da informação de que os alunos do final do segundo e terceiros ciclos e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) serão remanejados para a E.E. Professor José Mendes Martins. “A escola é viável, falta apenas arrumar a sua infraestrutura, que não é adequada. A comunidade insiste que a escola permaneça”, frisou.

Adailton Aragão, diretor da José Mendes Martins, por sua vez, afirmou que a escola não tem capacidade para receber mais estudantes. “A escola não está preparada para receber essa demanda. Temos 14 salas e mais de mil alunos, os banheiros não têm portas. Como vamos colocar mais 700 alunos nessa escola?”, questionou.

A professora da Escola Estadual Meninos do Futuro, localizada na unidade do Sistema SocioeducativoPomeri, ressaltou a importância da educação na vida dos adolescentes internos e reivindicou a permanência da escola. “A educação é a única oportunidade que eles têm”, disse.

Juscelino Dias de Moura, presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público (Sintep-MT) de Várzea Grande, lembrou que no ano passado já foram fechadas duas escolas no município que, juntas, contavam com cerca de 1.300 alunos e classificou como “criminosa e antidemocrática” a atitude do governo do estado de fechar mais unidades sem dialogar com a comunidade escolar. “É uma decisão que visa puramente o lado econômico. Educação não é gasto, é investimento”, salientou.

Para o deputado Lúdio Cabral, a falta de diálogo demonstra a real intenção do governo. “O que era uma ameaça anunciada no ano passado de fechamento de 300 escolas está se materializando. É um projeto de desmonte, de fechamento mesmo. Se houvesse argumento válido, iriam para as escolas debater de forma aberta. Mauro Mendes será lembrado como pior governador de todos os tempos na gestão educacional”, avaliou.

Fonte: ALMT

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